Em plena Campanha Salarial dos bancários, o Banco do Brasil ignorou o movimento sindical e implantou, unilateralmente, um novo plano de demissões voluntárias, intitulado Plano de Estímulo ao Afastamento (PEA). O anúncio foi feito no último dia 1o de julho e surpreendeu bancários e sindicalistas. “A nova direção do BB se mostrou um lobo em pele de cordeiro. Quando parece que a democracia chegou ao banco percebemos que o ranço ditatorial da era FHC continua encalacrado nesta diretoria”, lamentou Marcel Barros, da Comissão de Empresa dos Funcionários. Ele destaca que o plano foi adotado sem qualquer tipo de diálogo com o movimento sindical, o que foi uma verdadeira “bola nas costas” em plena campanha salarial unificada.
Segundo aprovou o Conselho Diretor do Banco do Brasil, o público-alvo do PEA são os funcionários com mais de 50 anos de idade e 15 anos de contribuição à Previ. O coordenador da Comissão de Empresa, Deli Soares, diz que o novo plano mescla elementos do PDV com o PAI-50 (Plano de Aposentadoria Incentivada), implementado neste primeiro semestre de 2004. “Nós estamos no meio de uma Campanha Salarial que pretende discutir com o banco a reforma da Parcela Previ e outros itens relativos a aposentadoria. Com o fator previdenciário que temos, quem optar pelo Plano vai sair perdendo. Foi muita irresponsabilidade do banco”, comentou.
Deli e Marcel ressaltaram que os funcionários não devem aderir ao novo plano ou sairão perdendo. A Comissão de Empresa já enviou um comunicado às entidades sindicais com este posicionamento e vai pedir uma reunião com o banco para discutir este assunto. Claudio Gerstner, coordenador do Coletivo do BB no Sindicato de São Paulo, destacou que o movimento sindical não esperava este novo plano de afastamento em plena Campanha Salarial. “A implementação de tal plano neste período só serve para anuviar as relações dos sindicatos com a direção do BB”, lamentou.
Fonte: Fábio Jammal Makhoul – CNB
Deixe um comentário