Cidadãos estão expostos à quebra de sigilo e trabalhadores à falta de segurança, tudo em nome de uma falsa bancarização
O Banco Postal foi criado pelo Bradesco, em convênio com os Correios, para, em tese, atender à população sem acesso ao sistema financeiro: a tão propagada bancarização. Mas, das 4.895 agências do Banco Postal – o Bradesco pretende abrir um total de 5.571 – 1.631 estão na região Sudeste. Até em Alphaville, condomínio de alto luxo em Osasco, tem agência de Banco Postal. Das 1,8 milhão de contas, 33% foram abertas na região Sudeste.
A situação é grave. As instituições financeiras estão se aproveitando de um precedente aberto pelo Banco Central, que tinha por objetivo levar atendimento aos 2.351 municípios sem agência no país. “O Banco Postal presta um atendimento precário aos cidadãos de baixa renda, como se fossem de segunda categoria”, afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. Além disso, o funcionário dos Correios têm acesso a todo tipo de informação sobre a conta do cliente, um risco ao sigilo bancário. Esses funcionários também estão em perigo, já que realizam serviços bancários sem a devida segurança.
Contratação – Balanço divulgado pelos Correios, em 2001, dá conta que dos seus mais de 80 mil funcionários, 23.271 atuam no atendimento. “Isso equivale a dizer que se o Bradesco, ao invés de fazer esse convênio, tivesse aberto agências e contratado bancários, seriam 23 mil novos postos de trabalho. E a população seria atendida adequadamente, dentro de uma agência ou posto bancário”, avalia Marcolino.
O presidente do Sindicato lembra que o real acesso ao sistema financeiro é muito importante na construção da cidadania e na inserção social dos trabalhadores de baixa renda. “Mas isso não deveria ser feito dessa maneira. Os bancos, que tiveram seus lucros aumentados em mais de 1.000 % na última década, têm condições de abrir agências, gerar empregos e investir na economia”. Marcolino destaca que os bancos economizam com modalidades como o Banco Postal e os correspondentes bancários, transferindo os custos do atendimento para a sociedade. “Eles precarizam o serviço e colocam em risco a população e os trabalhadores que atendem nos Correios, supermercados, nas lotéricas e farmácias.”
Folha Bancaria SP
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