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Por 12:03 Notícias

Bancos americanos voltam a apostar no mercado brasileiro

O BankBoston voltou a ter uma estratégia de expansão no Brasil. Depois de alguns anos de restrições ordenadas pela matriz, a fusão do Fleet com o Bank of America trouxe boas notícias à subsidiária brasileira. O banco já está aumentando a rede de agências e deve contratar 450 pessoas para ampliar os negócios – principalmente com pequenas e médias empresas -, manter a participação no varejo selecionado e aumentar o patrimônio em fundos de investi-mento. A matriz também restaurou os limites para trading e crédito e estuda ainda uma possível atuação mais ampla no varejo. E a marca BankBoston será mantida.
Estagnado desde a quebra da Argentina, que provocou grandes perdas ao Fleet e perda de valor nas bolsas, o BankBoston continuou com o pé no freio durante o nervosismo com as eleições brasileiras em 2002 e acompanhou, ao longo do ano passado, as especulações em torno da possível venda do Fleet. O novo controlador, definido em outubro de 2003, mudou o cenário. Passada a fase dos primeiros ajustes após a fusão, já em maio o BankBoston recebeu sinal verde do Bank of America para voltar a investir.
O primeiro alvo: as pequenas empresas. O banco pretende aumentar de 39 para 61 o número de agências especializadas no segmento nos próximos 12 meses. Estão previstas 450 contratações até o fim do ano que vem – mais de 10% do atual número de 4 mil funcionários. Três novas agências para pequenas empresas já abriram no mês passado. A meta é atingir 24 mil pequenas empresas como clientes em três anos, além das 13 mil atendidas hoje. As atuais 65 agências devem chegar a 69 até o fim do ano.
O novo presidente do Bank of America para a América Latina, Richard Prager, diz que a primeira coisa que fez ao assumir em maio foi tranqüilizar os funcionários no Brasil, restaurar os limites da matriz para “trading” (negociação nos mercados) e autorizar os planos de expansão. Numa entrevista ao Valor em seu escritório, num dos andares de um arranha-céu em Manhattan com uma bela vista do Central Park, Prager mostra entusiasmo com as operações do BankBoston.
“O banco estava estagnado, tinha parado de crescer à espera do que aconteceria na matriz. Desde que assumi, já fui quatro vezes ao Brasil, a primeira foi logo no dia 10 de maio. Minha mensagem do controlador à equipe foi: de volta ao trabalho, o foco agora é em clientes e mercados”, conta Prager.
A primeira conseqüência da viagem de Prager foi a contratação do tesoureiro Joaquim Paulo Kokudai, vindo do Standard Bank. Logo depois veio Renato Ejnisman, do Bank of America para a área de fusões e aquisições. “Praticamente todos os setores nos quais o banco atua estão sendo revitalizados ou expandidos”, diz Prager, que interrompe a entrevista algumas vezes para mostrar catálogos das agências do banco ou um livro sobre a sede em São Paulo, um prédio de arquitetura arrojada próximo à Marginal Pinheiros.
Para amainar com a ansiedade dos funcionários do BankBoston, que passaram por duas fusões da matriz (primeiro com o Fleet e agora com o BofA), o executivo mandou fazer cartões para uma de suas visitas ao Brasil. Os 4 mil cartões, impressos em vermelho e branco, trazem mensagens de Prager e da vice-presidente da área de consumo, Barbara Desoer, dando as boas-vindas aos funcionários à “família” Bank of America e expressando os seus valores. Acompanhando cada cartão, um pequeno ímã com o logotipo do BofA.
O executivo diz ter gostado muito da equipe brasileira e ficado surpreso com a proximidade da cultura empresarial do BankBoston com a do BofA. “Do dia para a noite, ganhamos uma marca “premium” no Brasil, um banco com uma reputação fantástica, que atende muito bem à sua clientela alvo”, afirma, animado com a penetração de 20% no mercado de correntistas de alta renda.
Prager acredita que o BankBoston é competitivo nos nichos onde atua e acredita que há oportunidades de crescer no atacado, em serviços como gerenciamento de caixa e pagamentos nacionais ou internacionais para grandes empresas e crédito corporativo. Outra idéia é entrar no mercado de remessas de expatriados brasileiros nos EUA, que superam os US$ 5 bilhões/ano. Inicialmente, a expansão ocorrerá no balanço local e futuramente podem ser usadas linhas “cross border”.
Prager já foi responsável pelas operações do Bank of America na América Latina antes da fusão com o Fleet Boston. Participou da decisão de fechar a maior parte das operações no país em meados de 2001.
Os negócios do Bank of America no Brasil antes da compra do Boston foram marcados por problemas. Os piores investimentos eram os feitos pelo Nations Bank, que se fundiu ao Bank of America em 1998. Vários desses negócios só deram dor de cabeça, como investimentos em clubes de futebol, crédito a empresas de mídia quebradas, fundos de investimento mal geridos que provocaram ações na Justiça e, principalmente, as confusões geradas pela sociedade no Banco Liberal.
Depois de acertar as pendências com dois de seus ex-sócios brasileiros no Liberal, Aldo Floris e Lauro de Lucca, o Bank of America continua em litígio na Justiça contra Antônio Carlos Lemgruber, acusado pelos ex-sócios e pelo banco americano de desfalcar o Liberal em US$ 40 milhões com operações na subsidiária do banco num paraíso fiscal. Também há processos na Receita e na CVM. O executivo diz que os problemas foram causados por uma estratégia “oportunista” da antiga administração.
O chefe do BofA para a América Latina garante que a decisão anterior de sair do Brasil não influencia as intenções agora. “As duas operações são incomparáveis, totalmente diferentes. Nunca tivemos nada contra o Brasil, as operações anteriores do Bank of America é que não tinham escala para competir, com exceção dos serviços de tesouraria para empresas”, pondera.
Além de ser mais agressivo nos mercados onde já está presente, o Bank of America estuda se o BankBoston deve disputar um varejo mais amplo no Brasil. “Ainda não temos a resposta, estamos tentando identificar quais são as oportunidades de crescimento.” Um possível nicho é o de cartões de crédito. Varejista de massa nos EUA, no ano passado o BofA emitiu 52 milhões de cartões no país, entre débito e crédito. No Brasil, a base de cartões é pouco superior a 100 milhões.
Aquisições não passam pela cabeça de Prager: “Seria bobagem falar sobre aquisições no Brasil antes de terminar essa análise. Agora estamos mais interessados em crescimento orgânico”.
Valor Econômico – Tatiana Bautzer

Por 12:03 Sem categoria

Bancos americanos voltam a apostar no mercado brasileiro

O BankBoston voltou a ter uma estratégia de expansão no Brasil. Depois de alguns anos de restrições ordenadas pela matriz, a fusão do Fleet com o Bank of America trouxe boas notícias à subsidiária brasileira. O banco já está aumentando a rede de agências e deve contratar 450 pessoas para ampliar os negócios – principalmente com pequenas e médias empresas -, manter a participação no varejo selecionado e aumentar o patrimônio em fundos de investi-mento. A matriz também restaurou os limites para trading e crédito e estuda ainda uma possível atuação mais ampla no varejo. E a marca BankBoston será mantida.

Estagnado desde a quebra da Argentina, que provocou grandes perdas ao Fleet e perda de valor nas bolsas, o BankBoston continuou com o pé no freio durante o nervosismo com as eleições brasileiras em 2002 e acompanhou, ao longo do ano passado, as especulações em torno da possível venda do Fleet. O novo controlador, definido em outubro de 2003, mudou o cenário. Passada a fase dos primeiros ajustes após a fusão, já em maio o BankBoston recebeu sinal verde do Bank of America para voltar a investir.

O primeiro alvo: as pequenas empresas. O banco pretende aumentar de 39 para 61 o número de agências especializadas no segmento nos próximos 12 meses. Estão previstas 450 contratações até o fim do ano que vem – mais de 10% do atual número de 4 mil funcionários. Três novas agências para pequenas empresas já abriram no mês passado. A meta é atingir 24 mil pequenas empresas como clientes em três anos, além das 13 mil atendidas hoje. As atuais 65 agências devem chegar a 69 até o fim do ano.

O novo presidente do Bank of America para a América Latina, Richard Prager, diz que a primeira coisa que fez ao assumir em maio foi tranqüilizar os funcionários no Brasil, restaurar os limites da matriz para “trading” (negociação nos mercados) e autorizar os planos de expansão. Numa entrevista ao Valor em seu escritório, num dos andares de um arranha-céu em Manhattan com uma bela vista do Central Park, Prager mostra entusiasmo com as operações do BankBoston.

“O banco estava estagnado, tinha parado de crescer à espera do que aconteceria na matriz. Desde que assumi, já fui quatro vezes ao Brasil, a primeira foi logo no dia 10 de maio. Minha mensagem do controlador à equipe foi: de volta ao trabalho, o foco agora é em clientes e mercados”, conta Prager.

A primeira conseqüência da viagem de Prager foi a contratação do tesoureiro Joaquim Paulo Kokudai, vindo do Standard Bank. Logo depois veio Renato Ejnisman, do Bank of America para a área de fusões e aquisições. “Praticamente todos os setores nos quais o banco atua estão sendo revitalizados ou expandidos”, diz Prager, que interrompe a entrevista algumas vezes para mostrar catálogos das agências do banco ou um livro sobre a sede em São Paulo, um prédio de arquitetura arrojada próximo à Marginal Pinheiros.

Para amainar com a ansiedade dos funcionários do BankBoston, que passaram por duas fusões da matriz (primeiro com o Fleet e agora com o BofA), o executivo mandou fazer cartões para uma de suas visitas ao Brasil. Os 4 mil cartões, impressos em vermelho e branco, trazem mensagens de Prager e da vice-presidente da área de consumo, Barbara Desoer, dando as boas-vindas aos funcionários à “família” Bank of America e expressando os seus valores. Acompanhando cada cartão, um pequeno ímã com o logotipo do BofA.

O executivo diz ter gostado muito da equipe brasileira e ficado surpreso com a proximidade da cultura empresarial do BankBoston com a do BofA. “Do dia para a noite, ganhamos uma marca “premium” no Brasil, um banco com uma reputação fantástica, que atende muito bem à sua clientela alvo”, afirma, animado com a penetração de 20% no mercado de correntistas de alta renda.

Prager acredita que o BankBoston é competitivo nos nichos onde atua e acredita que há oportunidades de crescer no atacado, em serviços como gerenciamento de caixa e pagamentos nacionais ou internacionais para grandes empresas e crédito corporativo. Outra idéia é entrar no mercado de remessas de expatriados brasileiros nos EUA, que superam os US$ 5 bilhões/ano. Inicialmente, a expansão ocorrerá no balanço local e futuramente podem ser usadas linhas “cross border”.

Prager já foi responsável pelas operações do Bank of America na América Latina antes da fusão com o Fleet Boston. Participou da decisão de fechar a maior parte das operações no país em meados de 2001.

Os negócios do Bank of America no Brasil antes da compra do Boston foram marcados por problemas. Os piores investimentos eram os feitos pelo Nations Bank, que se fundiu ao Bank of America em 1998. Vários desses negócios só deram dor de cabeça, como investimentos em clubes de futebol, crédito a empresas de mídia quebradas, fundos de investimento mal geridos que provocaram ações na Justiça e, principalmente, as confusões geradas pela sociedade no Banco Liberal.

Depois de acertar as pendências com dois de seus ex-sócios brasileiros no Liberal, Aldo Floris e Lauro de Lucca, o Bank of America continua em litígio na Justiça contra Antônio Carlos Lemgruber, acusado pelos ex-sócios e pelo banco americano de desfalcar o Liberal em US$ 40 milhões com operações na subsidiária do banco num paraíso fiscal. Também há processos na Receita e na CVM. O executivo diz que os problemas foram causados por uma estratégia “oportunista” da antiga administração.

O chefe do BofA para a América Latina garante que a decisão anterior de sair do Brasil não influencia as intenções agora. “As duas operações são incomparáveis, totalmente diferentes. Nunca tivemos nada contra o Brasil, as operações anteriores do Bank of America é que não tinham escala para competir, com exceção dos serviços de tesouraria para empresas”, pondera.

Além de ser mais agressivo nos mercados onde já está presente, o Bank of America estuda se o BankBoston deve disputar um varejo mais amplo no Brasil. “Ainda não temos a resposta, estamos tentando identificar quais são as oportunidades de crescimento.” Um possível nicho é o de cartões de crédito. Varejista de massa nos EUA, no ano passado o BofA emitiu 52 milhões de cartões no país, entre débito e crédito. No Brasil, a base de cartões é pouco superior a 100 milhões.

Aquisições não passam pela cabeça de Prager: “Seria bobagem falar sobre aquisições no Brasil antes de terminar essa análise. Agora estamos mais interessados em crescimento orgânico”.

Valor Econômico – Tatiana Bautzer

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