Pesquisa mostra que concentração de riqueza aumentou durante a década de 90 no estado
O Paraná fechou a década de 1990 com duas estatísticas contrastantes: a distribuição da riqueza piorou, ao mesmo tempo em que os indicadores educacionais melhoraram. Como a melhora na educação é sempre relacionada a uma evolução na renda, era de se esperar que, com mais gente terminando o ensino médio e a faculdade, a desigualdade caísse. Mais anos de estudo, porém, não foram suficientes para reduzir a diferença entre pobres e ricos.
Os dados fazem parte de um estudo feito pela economista Flávia Monarin, pesquisadora formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e professora do Instituto de Ensino Superior de Londrina (Inesul). Ela comparou pesquisas domiciliares feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1992 e 2001. Nesse período, o Índice de Gini, um padrão internacional usado para medir a desigualdade, passou de 0,534 para 0,546 no Paraná (o valor varia de 0 a 1, sendo que quanto maior o número, mais concentrada é a renda do lugar). O estado não fica longe da média brasileira, que em 2002 foi de 0,60, pouco acima do desempenho da Suazilândia, um pequeno país no sul da África.
Enquanto a mudança na concentração de renda foi pequena, e para pior, os indicadores de educação dão sinais esperançosos. A população do estado com 9 a 11 anos de estudo pulou de 16,6% para 26,4%. As pessoas com 12 anos ou mais passados nas carteiras escolares aumentou de 8,2% para 14,6%. É nessa segunda faixa que se encontram os profissionais com as melhores posições no mercado de trabalho. “A princípio, políticas educacionais contribuem para reduzir a desigualdade. Cada ano de estudo a mais eleva em 10% a renda da pessoa”, afirma Flávia.
A pesquisa de Flávia mostra que a renda média no Paraná aumentou, mas foi distribuída de forma desigual. O 1% mais rico da população ficava em 2001 com 13,87% da renda, enquanto em 1992 essa minoria recebia 12%. “As camadas intermediárias, entre os 10% mais ricos e a faixa dos 40% mais pobres, foram as que perderam participação”, relata a pesquisadora.
Existem algumas hipóteses que explicam o fenômeno do Paraná. Uma delas é a de que a influência da educação sobre a estrutura social brasileira é limitada porque as formações superiores são para poucos – cerca de 9% da população brasileira. “A fase de desenvolvimento em que o Brasil está leva a pequenas distorções. O ensino é um fator de diferenciação muito forte quando não é todo mundo que se educa”, diz o sociólogo Nelson do Valle Silva, pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Como o número de pessoas que saíram do ensino médio e superior ainda não chega nem à metade da população, é possível que os poucos recém-formados das parcelas mais pobres se encaixem em posições mais ricas sem mudar a desigualdade.
O economista Fernando Veloso, professor do Ibmec, lembra que, além da educação, fatores como qualidade do mercado de trabalho e evolução do poder de compra dos trabalhadores influenciam no índice da desigualdade. “Na década de 90 houve um aumento na informalidade e no desemprego. Com isso, a renda média ficou instável”, diz. Sinal de que o investimento em escolas deve ser acompanhado de políticas de geração de empregos que absorvam a mão-de-obra qualificada.
Fonte: Gazeta do Povo
Guido Orgis
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Por Mhais• 6 de agosto de 2004• 10:34• Sem categoria
Desigualdade aumenta, mesmo com mais pessoas na escola
Pesquisa mostra que concentração de riqueza aumentou durante a década de 90 no estado
O Paraná fechou a década de 1990 com duas estatísticas contrastantes: a distribuição da riqueza piorou, ao mesmo tempo em que os indicadores educacionais melhoraram. Como a melhora na educação é sempre relacionada a uma evolução na renda, era de se esperar que, com mais gente terminando o ensino médio e a faculdade, a desigualdade caísse. Mais anos de estudo, porém, não foram suficientes para reduzir a diferença entre pobres e ricos.
Os dados fazem parte de um estudo feito pela economista Flávia Monarin, pesquisadora formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e professora do Instituto de Ensino Superior de Londrina (Inesul). Ela comparou pesquisas domiciliares feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1992 e 2001. Nesse período, o Índice de Gini, um padrão internacional usado para medir a desigualdade, passou de 0,534 para 0,546 no Paraná (o valor varia de 0 a 1, sendo que quanto maior o número, mais concentrada é a renda do lugar). O estado não fica longe da média brasileira, que em 2002 foi de 0,60, pouco acima do desempenho da Suazilândia, um pequeno país no sul da África.
Enquanto a mudança na concentração de renda foi pequena, e para pior, os indicadores de educação dão sinais esperançosos. A população do estado com 9 a 11 anos de estudo pulou de 16,6% para 26,4%. As pessoas com 12 anos ou mais passados nas carteiras escolares aumentou de 8,2% para 14,6%. É nessa segunda faixa que se encontram os profissionais com as melhores posições no mercado de trabalho. “A princípio, políticas educacionais contribuem para reduzir a desigualdade. Cada ano de estudo a mais eleva em 10% a renda da pessoa”, afirma Flávia.
A pesquisa de Flávia mostra que a renda média no Paraná aumentou, mas foi distribuída de forma desigual. O 1% mais rico da população ficava em 2001 com 13,87% da renda, enquanto em 1992 essa minoria recebia 12%. “As camadas intermediárias, entre os 10% mais ricos e a faixa dos 40% mais pobres, foram as que perderam participação”, relata a pesquisadora.
Existem algumas hipóteses que explicam o fenômeno do Paraná. Uma delas é a de que a influência da educação sobre a estrutura social brasileira é limitada porque as formações superiores são para poucos – cerca de 9% da população brasileira. “A fase de desenvolvimento em que o Brasil está leva a pequenas distorções. O ensino é um fator de diferenciação muito forte quando não é todo mundo que se educa”, diz o sociólogo Nelson do Valle Silva, pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Como o número de pessoas que saíram do ensino médio e superior ainda não chega nem à metade da população, é possível que os poucos recém-formados das parcelas mais pobres se encaixem em posições mais ricas sem mudar a desigualdade.
O economista Fernando Veloso, professor do Ibmec, lembra que, além da educação, fatores como qualidade do mercado de trabalho e evolução do poder de compra dos trabalhadores influenciam no índice da desigualdade. “Na década de 90 houve um aumento na informalidade e no desemprego. Com isso, a renda média ficou instável”, diz. Sinal de que o investimento em escolas deve ser acompanhado de políticas de geração de empregos que absorvam a mão-de-obra qualificada.
Fonte: Gazeta do Povo
Guido Orgis
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