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Bancos reduzem pessoal, apesar do lucro crescente

O avanço dos resultados dos bancos nos últimos dez anos não significou contratações no setor no mesmo período. Pelo contrário. Segundo levantamento da ABM Consulting a pedido do Valor, o lucro total das instituições passou de R$ 9,6 bilhões em 1994 para R$ 21,7 bilhões no ano passado, uma variação de 126%. O número de funcionários, por outro lado, caiu 29%, de 571,2 mil para 405,4 mil, mostram as estatísticas do Ministério do Trabalho apresentadas pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

O volume de crédito disponível na economia nos dez anos de Plano Real caiu de R$ 347,1 bilhões em 1994 para R$ 312,9 bilhões em 2003 – em relação ao PIB, a participação passou de 35,5% a 24,8%. Mesmo com o declínio, o crédito em carteira disponível na economia em relação ao número de bancários avançou 27%, aponta a ABM. O lucro por funcionário passou de R$ 16,8 mil para R$ 53,7 mil.

Em análise inicial, pode-se supor que cresceu a produtividade por profissional. “Menos funcionários geraram mais valor para os bancos”, diz Antônio Carlos Carvalho Filho, analista financeiro da ABM. A relação de resultado por número de profissionais cresceu nesses dez anos em todos os quesitos avaliados, de ativos totais a receitas com prestação de serviço. Em suma, afirma o analista, as instituições não precisaram de estruturas pesadas para alcançar seus resultados. “Os bancos estão investindo em processos mais rentáveis.”

O enxugamento dos quadros está ligado a diversos fatores. Um deles é a tecnologia. Segundo a Febraban, o atendimento via internet banking, por exemplo, chegou a 2003 a 11,27% – a ferramenta praticamente inexistia para o grande público há dez anos. O auto-atendimento em caixas automáticos foi de 32,37%, enquanto o feito nos tradicionais guichês foi de apenas 18,9%. “Com a tecnologia, o banco faz mais coisas com menos gente”, resume Magnus Ribas Apostólico, superintendente de relações trabalhistas da Febraban. “A influência dessas ferramentas é enorme.”

Ele diz que, com o controle da inflação, o número de operações financeiras feitas pelo pessoal interno dos bancos (do chamado “back office”) caiu drasticamente – no jargão, reduziu-se o “float”. “Muitas funções de back office perderam a razão de existir”, disse. A força da redução dos quadros internos percebeu-se até 1997.

O número de funcionários de bancos atingiu seu patamar mínimo em 2001, na seqüência da compra do Banespa pelo Santander. Naquele ano havia no mercado 393,1 mil profissionais, um contraste com os números dos anos 80, por exemplo, que superavam os 800 mil. A concentração do setor, puxada pela seqüência de fusões no final dos anos 90 e início da nova década, foi outro fator que pesou na onda de cortes – e, em conseqüência, no aumento de produtividade, avalia Ana Carolina Tosetti, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

A análise da produtividade por funcionário nos bancos sempre gera controvérsias entre quem acompanha essa indústria, já que não há, como em outros setores, um indicador tomado como referência. Apostólico diz que já se discutiu na Febraban a adoção de referenciais como número de agências por funcionário ou número de operações, mas as leituras são sempre parciais. Ainda assim, a avaliação é de que a produtividade subiu nos dez anos. “Os bancos conseguiram melhorar a eficiência”, diz Carvalho Filho.

Após anos de reduções de pessoal, Apostólico acredita que não haverá nos próximos anos cortes significativos de postos no setor. Eventuais contratações, por outro lado, poderão ocorrer por conta do avanço das instituições em regiões do país menos atendidas por redes bancárias. O movimento também poderá ocorrer, segundo ele, nas áreas comerciais para a oferta de produtos como cartões de crédito. “As contratações serão diferentes do que ocorreu no passado. Elas serão sempre nas áreas de vendas”, disse o superintendente.

Fonte: Valor Econômico – Patrick Cruz

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Bancos reduzem pessoal, apesar do lucro crescente

O avanço dos resultados dos bancos nos últimos dez anos não significou contratações no setor no mesmo período. Pelo contrário. Segundo levantamento da ABM Consulting a pedido do Valor, o lucro total das instituições passou de R$ 9,6 bilhões em 1994 para R$ 21,7 bilhões no ano passado, uma variação de 126%. O número de funcionários, por outro lado, caiu 29%, de 571,2 mil para 405,4 mil, mostram as estatísticas do Ministério do Trabalho apresentadas pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
O volume de crédito disponível na economia nos dez anos de Plano Real caiu de R$ 347,1 bilhões em 1994 para R$ 312,9 bilhões em 2003 – em relação ao PIB, a participação passou de 35,5% a 24,8%. Mesmo com o declínio, o crédito em carteira disponível na economia em relação ao número de bancários avançou 27%, aponta a ABM. O lucro por funcionário passou de R$ 16,8 mil para R$ 53,7 mil.
Em análise inicial, pode-se supor que cresceu a produtividade por profissional. “Menos funcionários geraram mais valor para os bancos”, diz Antônio Carlos Carvalho Filho, analista financeiro da ABM. A relação de resultado por número de profissionais cresceu nesses dez anos em todos os quesitos avaliados, de ativos totais a receitas com prestação de serviço. Em suma, afirma o analista, as instituições não precisaram de estruturas pesadas para alcançar seus resultados. “Os bancos estão investindo em processos mais rentáveis.”
O enxugamento dos quadros está ligado a diversos fatores. Um deles é a tecnologia. Segundo a Febraban, o atendimento via internet banking, por exemplo, chegou a 2003 a 11,27% – a ferramenta praticamente inexistia para o grande público há dez anos. O auto-atendimento em caixas automáticos foi de 32,37%, enquanto o feito nos tradicionais guichês foi de apenas 18,9%. “Com a tecnologia, o banco faz mais coisas com menos gente”, resume Magnus Ribas Apostólico, superintendente de relações trabalhistas da Febraban. “A influência dessas ferramentas é enorme.”
Ele diz que, com o controle da inflação, o número de operações financeiras feitas pelo pessoal interno dos bancos (do chamado “back office”) caiu drasticamente – no jargão, reduziu-se o “float”. “Muitas funções de back office perderam a razão de existir”, disse. A força da redução dos quadros internos percebeu-se até 1997.
O número de funcionários de bancos atingiu seu patamar mínimo em 2001, na seqüência da compra do Banespa pelo Santander. Naquele ano havia no mercado 393,1 mil profissionais, um contraste com os números dos anos 80, por exemplo, que superavam os 800 mil. A concentração do setor, puxada pela seqüência de fusões no final dos anos 90 e início da nova década, foi outro fator que pesou na onda de cortes – e, em conseqüência, no aumento de produtividade, avalia Ana Carolina Tosetti, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
A análise da produtividade por funcionário nos bancos sempre gera controvérsias entre quem acompanha essa indústria, já que não há, como em outros setores, um indicador tomado como referência. Apostólico diz que já se discutiu na Febraban a adoção de referenciais como número de agências por funcionário ou número de operações, mas as leituras são sempre parciais. Ainda assim, a avaliação é de que a produtividade subiu nos dez anos. “Os bancos conseguiram melhorar a eficiência”, diz Carvalho Filho.
Após anos de reduções de pessoal, Apostólico acredita que não haverá nos próximos anos cortes significativos de postos no setor. Eventuais contratações, por outro lado, poderão ocorrer por conta do avanço das instituições em regiões do país menos atendidas por redes bancárias. O movimento também poderá ocorrer, segundo ele, nas áreas comerciais para a oferta de produtos como cartões de crédito. “As contratações serão diferentes do que ocorreu no passado. Elas serão sempre nas áreas de vendas”, disse o superintendente.
Fonte: Valor Econômico – Patrick Cruz

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