Proposta de aumento real extingue prática que corrói salários e aumenta o endividamento
(São Paulo) Desde efetivamente implantado pelos banqueiros, na campanha de 2001, o abono tem sido usado como justificativa para não repor sequer a inflação, resultando em perdas salariais maiores a cada ano.
Estudo feito pelo Dieese-Linha Bancários mostra claramente a distorção. Em 2001, o reajuste obtido foi de 5,5% – contra uma inflação no período de 7,31% –, mais um abono de R$ 1.100.
A médio prazo, o alívio imediato provocado pela injeção de renda já provocou uma pequena perda no poder de compra dos salários. Tome-se o exemplo do trabalhador que tinha um salário de R$ 2 mil à época e passou a receber R$ 2.110. Se tivesse apenas reposto as perdas inflacionárias do período o salário do bancário passaria a R$ 2.146,20. Some-se o total de seus rendimentos em um ano, com abono, e compare-se com o que ele teria ganho no mesmo período, com reposição da inflação ao seu salário: a perda foi de “apenas” R$ 480, aproximadamente.
A política de abono começa a mostrar sua cara perversa a partir do segundo ano de sua vigência, na campanha de 2002, quando aquele salário de R$ 2 mil deveria valer pelo menos R$ 2.342,79, apenas com o repasse inflacionário, mas ficou em R$ 2.257,70, pelo acordo com a Fenaban, em troca de um abono de R$ 1.200. A perda aí foi de R$ 1.134,28 (mais da metade do salário). Com o resultado da campanha do ano passado, cujo reajuste foi de 12,6% com abono de R$ 1.500, frente a uma inflação de 17,5%, esse bancário ficou com um salário de R$ 2.542,17 e perdeu R$ 2.807,44, de setembro de 2003 até aqui.
Quanto maior o salário, maiores as perdas. O bancário que tinha salários de R$ 3 mil em 2000, pela mesma lógica do abono chegou em setembro de 2003 ganhando R$ 3.813,26, quando deveria ao menos ganhar R$ 4.129,17, deixando de receber R$ 4.211,15, no mínimo.
Sem futuro – Isso sem falar que o abono não gera contribuições sociais, isto é, não reflete em seu FGTS, INSS etc. O único desconto que incide sobre ele é o do Imposto de Renda, diminuindo o impacto positivo sobre as finanças do trabalhador.
O abono, portanto, é apenas uma estratégia usada pelos bancos para achatar os pisos de ingresso e não recompor o poder de compra dos salários para, é claro, revertê-lo em lucros sempre maiores.
Nada especial – A esta altura do ano, o nível de endividamento da categoria costuma ser grande. O limite do cheque-especial é usado como renda, as prestações do cartão de crédito já precisam ser renegociadas e é cada vez mais comum a procura das financeiras (muitas delas associadas aos bancos) para levantar empréstimos que garantam o pagamento das dívidas.
Esta situação de caos financeiro não foi criada pelos bancários, mas sim pelos bancos, que ao achatar os salários, criaram “armadilhas” para transformar seus funcionários em “clientes”, fortemente endividados e prontos para aceitar o abono salarial, em vez de reposição e reajuste real, apenas para saldar suas dívidas atuais e iniciar um novo processo de dependência financeira, até a próxima campanha, com perdas cada vez maiores.
“Estudos comprovam que, já nos primeiros meses do ano, uma parcela considerável dos bancários volta a entrar no cheque especial. O abono não é conquista e não é aumento, ao contrário. Representa perdas que vão se acumulando. Nesta campanha estamos colocando um fim nesta lógica e iniciando uma nova fase: a da recuperação do poder de compra da categoria por meio da conquista do aumento real”, ensina o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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Por Mhais• 13 de setembro de 2004• 16:38• Sem categoria
Abono só trouxe arrocho salarial
Proposta de aumento real extingue prática que corrói salários e aumenta o endividamento
(São Paulo) Desde efetivamente implantado pelos banqueiros, na campanha de 2001, o abono tem sido usado como justificativa para não repor sequer a inflação, resultando em perdas salariais maiores a cada ano.
Estudo feito pelo Dieese-Linha Bancários mostra claramente a distorção. Em 2001, o reajuste obtido foi de 5,5% – contra uma inflação no período de 7,31% –, mais um abono de R$ 1.100.
A médio prazo, o alívio imediato provocado pela injeção de renda já provocou uma pequena perda no poder de compra dos salários. Tome-se o exemplo do trabalhador que tinha um salário de R$ 2 mil à época e passou a receber R$ 2.110. Se tivesse apenas reposto as perdas inflacionárias do período o salário do bancário passaria a R$ 2.146,20. Some-se o total de seus rendimentos em um ano, com abono, e compare-se com o que ele teria ganho no mesmo período, com reposição da inflação ao seu salário: a perda foi de “apenas” R$ 480, aproximadamente.
A política de abono começa a mostrar sua cara perversa a partir do segundo ano de sua vigência, na campanha de 2002, quando aquele salário de R$ 2 mil deveria valer pelo menos R$ 2.342,79, apenas com o repasse inflacionário, mas ficou em R$ 2.257,70, pelo acordo com a Fenaban, em troca de um abono de R$ 1.200. A perda aí foi de R$ 1.134,28 (mais da metade do salário). Com o resultado da campanha do ano passado, cujo reajuste foi de 12,6% com abono de R$ 1.500, frente a uma inflação de 17,5%, esse bancário ficou com um salário de R$ 2.542,17 e perdeu R$ 2.807,44, de setembro de 2003 até aqui.
Quanto maior o salário, maiores as perdas. O bancário que tinha salários de R$ 3 mil em 2000, pela mesma lógica do abono chegou em setembro de 2003 ganhando R$ 3.813,26, quando deveria ao menos ganhar R$ 4.129,17, deixando de receber R$ 4.211,15, no mínimo.
Sem futuro – Isso sem falar que o abono não gera contribuições sociais, isto é, não reflete em seu FGTS, INSS etc. O único desconto que incide sobre ele é o do Imposto de Renda, diminuindo o impacto positivo sobre as finanças do trabalhador.
O abono, portanto, é apenas uma estratégia usada pelos bancos para achatar os pisos de ingresso e não recompor o poder de compra dos salários para, é claro, revertê-lo em lucros sempre maiores.
Nada especial – A esta altura do ano, o nível de endividamento da categoria costuma ser grande. O limite do cheque-especial é usado como renda, as prestações do cartão de crédito já precisam ser renegociadas e é cada vez mais comum a procura das financeiras (muitas delas associadas aos bancos) para levantar empréstimos que garantam o pagamento das dívidas.
Esta situação de caos financeiro não foi criada pelos bancários, mas sim pelos bancos, que ao achatar os salários, criaram “armadilhas” para transformar seus funcionários em “clientes”, fortemente endividados e prontos para aceitar o abono salarial, em vez de reposição e reajuste real, apenas para saldar suas dívidas atuais e iniciar um novo processo de dependência financeira, até a próxima campanha, com perdas cada vez maiores.
“Estudos comprovam que, já nos primeiros meses do ano, uma parcela considerável dos bancários volta a entrar no cheque especial. O abono não é conquista e não é aumento, ao contrário. Representa perdas que vão se acumulando. Nesta campanha estamos colocando um fim nesta lógica e iniciando uma nova fase: a da recuperação do poder de compra da categoria por meio da conquista do aumento real”, ensina o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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