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Perda salarial dos bancários é maior nos bancos públicos

Nos últimos oito anos, a defasagem entre os reajustes salariais negociados pelos bancários e a inflação acumulada no período chega a 11,78%, considerando a a variação pelo INPC. Desde 1996, menos da metade dos acordos salariais conseguiu dar algum ganho equivalente ou acima da inflação, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)
Ainda assim, quando ocorreram, os reajustes que repuseram o poder de compra dos bancários foram, no total, bem abaixo da porcentagem de inflação que deixou de ser concedida aos trabalhadores nos anos em que não houveram aumentos reais.
A política adotada tanto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) quanto pelo governo federal – no caso dos bancos públicos – foi a complementação do índice de inflação com a concessão de abonos. Apesar de levarem o reajuste ao mesmo patamar da variação da inflação, os abonos não são incorporados ao poder de compra dos trabalhadores e sobre ele não incidem os reajustes salariais.
Isso explica a decisão dos bancários de não abrir mão de um reajuste de 25% (sendo 17,68% de aumento real), a rejeição de qualquer proposta que mencione abono salarial e a continuidade da greve iniciada na última quarta-feira. “Se conseguirmos esse valor, será a primeira vez nos últimos dez anos que teremos um recomposto efetivamente nosso poder de compra”, afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Ele lembra que esse valor não recupera todas as perdas, mas aponta um caminho para a recomposição dos salários e para o rompimento com a lógica da remuneração variável representada pelo abono.
No caso dos bancos públicos, como Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil (BB), onde a greve tem sido mais intensa, as perdas são ainda maiores. Entre 1996 e 2003, o salário dos bancários da CEF acumulou uma perda de 37,76% em relação à inflação. No caso do BB, a defasagem chega a 36,07%.
Quando se calcula a perda dos últimos dez anos para todos os bancários, tem-se um número um pouco menor. Isso ocorre porque os anos de 1994 e 1995, os primeiros do Plano Real, proporcionaram um crescimento da economia que se refletiu também na elevação do rendimento médio real dos brasileiros.
Após esse período de vacas gordas, os funcionários de bancos públicos foram os mais prejudicados devido à política de desindexação salarial do Plano Real. Como forma de não deixar os bancários destas instituições sem nenhum tipo de ganho salarial nos anos em que não houve aumento – como entre 1996 e 1999 – também foi adotada a prática do abono.
Mesmo com mais perdas a recuperar, esse bancos se uniram à Confederação Nacional dos Bancários (CNB) para as negociações deste ano. Na opinião do presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, essa união “vale a pena”, pois separados os bancos públicos dificilmente conseguiriam reajustes próximos aos negociados pelos bancos privados com a Fenaban. “Juntos há mais força e uma organização maior”, comenta.
Além disso, por mais que a defasagem entre reajuste salarial e inflação seja maior nos bancos federais, eles ainda apresentam pisos superiores às instituições privadas. No Banco do Brasil, por exemplo, um bancário recém-contratado tem uma remuneração entre R$ 719 e R$ 995. Na Caixa Econômica Federal, um empregado que ocupa cargo semelhante ganha R$ 956. Por outro lado, o piso da Fenaban, que representa os bancos privados, está em R$ 702,66. Marcolino afirma que nos bancos públicos cerca de 40% dos empregados estão nessa faixa salarial.
Na visão de Murilo Francisco Barella, técnico do Dieese na subseção da CNB, os abonos têm contribuído para a diminuição do poder aquisitivo. Há dez anos, com o fim do período de inflação exorbitante, conta ele, os bancos precisaram ajustar seus custos. Barella afirma que o ajuste se deu principalmente pela folha de pagamentos, optando pela remuneração variável em detrimento do aumento real. E enfatiza: “caso não haja reajuste, a categoria seguirá no processo de achatamento salarial”.
Fonte: Valor Econômico – Raquel Salgado

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Perda salarial dos bancários é maior nos bancos públicos

Nos últimos oito anos, a defasagem entre os reajustes salariais negociados pelos bancários e a inflação acumulada no período chega a 11,78%, considerando a a variação pelo INPC. Desde 1996, menos da metade dos acordos salariais conseguiu dar algum ganho equivalente ou acima da inflação, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)

Ainda assim, quando ocorreram, os reajustes que repuseram o poder de compra dos bancários foram, no total, bem abaixo da porcentagem de inflação que deixou de ser concedida aos trabalhadores nos anos em que não houveram aumentos reais.

A política adotada tanto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) quanto pelo governo federal – no caso dos bancos públicos – foi a complementação do índice de inflação com a concessão de abonos. Apesar de levarem o reajuste ao mesmo patamar da variação da inflação, os abonos não são incorporados ao poder de compra dos trabalhadores e sobre ele não incidem os reajustes salariais.

Isso explica a decisão dos bancários de não abrir mão de um reajuste de 25% (sendo 17,68% de aumento real), a rejeição de qualquer proposta que mencione abono salarial e a continuidade da greve iniciada na última quarta-feira. “Se conseguirmos esse valor, será a primeira vez nos últimos dez anos que teremos um recomposto efetivamente nosso poder de compra”, afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Ele lembra que esse valor não recupera todas as perdas, mas aponta um caminho para a recomposição dos salários e para o rompimento com a lógica da remuneração variável representada pelo abono.

No caso dos bancos públicos, como Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil (BB), onde a greve tem sido mais intensa, as perdas são ainda maiores. Entre 1996 e 2003, o salário dos bancários da CEF acumulou uma perda de 37,76% em relação à inflação. No caso do BB, a defasagem chega a 36,07%.

Quando se calcula a perda dos últimos dez anos para todos os bancários, tem-se um número um pouco menor. Isso ocorre porque os anos de 1994 e 1995, os primeiros do Plano Real, proporcionaram um crescimento da economia que se refletiu também na elevação do rendimento médio real dos brasileiros.

Após esse período de vacas gordas, os funcionários de bancos públicos foram os mais prejudicados devido à política de desindexação salarial do Plano Real. Como forma de não deixar os bancários destas instituições sem nenhum tipo de ganho salarial nos anos em que não houve aumento – como entre 1996 e 1999 – também foi adotada a prática do abono.

Mesmo com mais perdas a recuperar, esse bancos se uniram à Confederação Nacional dos Bancários (CNB) para as negociações deste ano. Na opinião do presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, essa união “vale a pena”, pois separados os bancos públicos dificilmente conseguiriam reajustes próximos aos negociados pelos bancos privados com a Fenaban. “Juntos há mais força e uma organização maior”, comenta.

Além disso, por mais que a defasagem entre reajuste salarial e inflação seja maior nos bancos federais, eles ainda apresentam pisos superiores às instituições privadas. No Banco do Brasil, por exemplo, um bancário recém-contratado tem uma remuneração entre R$ 719 e R$ 995. Na Caixa Econômica Federal, um empregado que ocupa cargo semelhante ganha R$ 956. Por outro lado, o piso da Fenaban, que representa os bancos privados, está em R$ 702,66. Marcolino afirma que nos bancos públicos cerca de 40% dos empregados estão nessa faixa salarial.

Na visão de Murilo Francisco Barella, técnico do Dieese na subseção da CNB, os abonos têm contribuído para a diminuição do poder aquisitivo. Há dez anos, com o fim do período de inflação exorbitante, conta ele, os bancos precisaram ajustar seus custos. Barella afirma que o ajuste se deu principalmente pela folha de pagamentos, optando pela remuneração variável em detrimento do aumento real. E enfatiza: “caso não haja reajuste, a categoria seguirá no processo de achatamento salarial”.

Fonte: Valor Econômico – Raquel Salgado

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