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Permanece a greve

São Paulo) Os bancários encerraram hoje a segunda semana de greve com um índice de paralisação que já transformou o movimento numa das maiores greves da categoria deste o início dos anos 90. Apesar da repressão dos banqueiros – que utilizam a Justiça e a Polícia para barrar a greve – a mobilização no décimo dia se manteve nos mesmos níveis de ontem, com cerca de duzentos mil bancários parados em 24 das 27 capitais de estados brasileiros e mais 105 sindicatos do interior, que abrangem várias cidades em suas bases.
Ontem, a greve dos bancários ganhou o apoio até mesmo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que a greve faz parte da democracia e que é normal os trabalhadores tentarem aumentar sua renda diante do anúncio do bom desempenho dos bancos, que têm registrado lucros recordes. Lula ressaltou que os bancários já deram sua cota de sacrifício, sugerindo que os bancos poderiam compensá-los agora.
“Os trabalhadores fizeram o sacrifício quando tinham que fazer sacrifício. E na medida em que o banco anuncia um ganho muito bom, é normal que os trabalhadores queiram recuperar sua renda”, disse em entrevista coletiva para a imprensa, garantindo que está acompanhando a Campanha Salarial dos Bancários. “Como presidente que veio do movimento sindical, quero ver qual a contribuição que posso dar para as coisas se normalizarem. Mas acho o exercício da democracia fantástico”, comentou Lula.
Para o presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas, a declaração de Lula mostra que a Campanha Salarial dos bancários está no rumo certo. “Estamos procurando o caminho da negociação e quem está evitando este caminho são os banqueiros, que apostam no enfraquecimento da greve. Por isto a mobilização deve se ampliar nesta segunda-feira, principalmente no setor privado, para forçar a Fenaban a apresentar nova proposta”, afirmou. Vagner se reuniu hoje com o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, para discutir a greve (veja matéria na página principal).
Apesar do apoio do presidente, o décimo dia de greve foi marcado por muita violência. Em São Paulo, desde quinta-feira os bancários em greve vêm enfrentando violência policial, principalmente nos bancos Bradesco, Nossa Caixa, Unibanco, Sudameris, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, nas regiões do Centro, Paulista, Faria Lima e em Osasco. Alguns sindicalistas foram presos.
Mesmo com a repressão, cerca de 3 mil bancários percorreram as ruas do Centro em passeata na tarde desta sexta-feira. Os trabalhadores fizeram atos de protesto em frente à Secretaria de Segurança Pública em repúdio à violência policial contra os grevistas e diante do prédio da Fenaban, exigindo dos banqueiros uma nova proposta.
O nível de agências paralisadas em Pernambuco também se manteve em 70% das unidades paradas. Isso, apesar das liminares que, além do Bradesco e do Unibanco, afetam o movimento também no ABN/Bandepe. Por conta dos interditos proibitórios, o Bradesco funcionou normalmente hoje.
Em João Pessoa, os bancários paraibanos fizeram uma assembléia hoje à tarde em frente à agência do Bradesco da avenida Duque de Caxias e decidiram manter a greve. Após a assembléia, os bancários fizeram um arrastão nas ruas do centro da cidade, em protesto contra o uso da força policial em agências bancárias e contras as declarações do subcomandante da Polícia Militar, coronel Kelson Chaves. Ele fez ameaças de prisão aos bancários em entrevista a uma emissora de TV local. Durante a passeata, os bancários também prestaram solidariedade aos integrantes do MST, que estão acampados em frente ao Palácio do Governo.
Em Salvador, apesar da pressão dos bancos e da intervenção policial, a greve continua com grande adesão. O movimento está mais forte nos bairros da Pituba, Barra, Graça, Iguatemi, Liberdade, Calçada, avenida Sete de Setembro, rua Chile, Itaigara, Garcia e Campo Grande.
Em Cuiabá, os bancários contaram com a solidariedade dos trabalhadores de outras categorias, que passaram o dia em frente às agências dos bancos Bradesco e Itaú localizados na rua Barão de Melgaço. A diretoria dos bancos chamou reforço policial para impedir a manifestação.
Uma grande passeata hoje pela manhã em São Luís reuniu bancários e professores em greve no Maranhão. Os trabalhadores saíram da Praça Deodoro, passaram pelo Palácio dos Leões (do governo) e terminaram o ato no Anel Viário. Nos discursos, os bancários denunciaram à sociedade a pressão e a coação dos gerentes e dos banqueiros, tentando impedir as paralisações no estado. Os bancários de Alagoas também fizeram uma passeata no centro de Maceió, à tarde. A manifestação também protestou contra a pressão e o assédio moral praticado pelos bancos contra os grevistas.
Em Brasília, o gerente da agência 502 Norte do Bradesco, Vanildo Gomes Soares, foi preso por agredir dois sindicalistas que participavam do comitê de esclarecimento em frente a agência. O Interdito Proibitório não confere esse poder aos gerentes e a polícia fez cumprir o direito de greve para os bancários. A ação motivou os bancários a parar mais agências do Bradesco. A truculência do banco na capital federal está sendo respondida com mobilização e determinação de não se intimidar e garantir a greve vitoriosa, segundo o Sindicato.
No Estado do Rio de Janeiro, a greve mobilizou milhares de bancários. Na capital, o Sindicato paralisou 430 das 937 agências da cidade. Nas demais cidades fluminenses, a greve atingiu 421 agências.
A greve dos bancários no Paraná deve prosseguir até a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) propor novas negociações. Ontem em Curitiba, os bancários fizeram uma caminhada pela rua XV de Novembro, no centro da cidade, para esclarecer a população sobre a greve dos bancos.
Fonte: Fábio Jammal Makhoul – CNB/CUT

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Permanece a greve

São Paulo) Os bancários encerraram hoje a segunda semana de greve com um índice de paralisação que já transformou o movimento numa das maiores greves da categoria deste o início dos anos 90. Apesar da repressão dos banqueiros – que utilizam a Justiça e a Polícia para barrar a greve – a mobilização no décimo dia se manteve nos mesmos níveis de ontem, com cerca de duzentos mil bancários parados em 24 das 27 capitais de estados brasileiros e mais 105 sindicatos do interior, que abrangem várias cidades em suas bases.

Ontem, a greve dos bancários ganhou o apoio até mesmo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que a greve faz parte da democracia e que é normal os trabalhadores tentarem aumentar sua renda diante do anúncio do bom desempenho dos bancos, que têm registrado lucros recordes. Lula ressaltou que os bancários já deram sua cota de sacrifício, sugerindo que os bancos poderiam compensá-los agora.

“Os trabalhadores fizeram o sacrifício quando tinham que fazer sacrifício. E na medida em que o banco anuncia um ganho muito bom, é normal que os trabalhadores queiram recuperar sua renda”, disse em entrevista coletiva para a imprensa, garantindo que está acompanhando a Campanha Salarial dos Bancários. “Como presidente que veio do movimento sindical, quero ver qual a contribuição que posso dar para as coisas se normalizarem. Mas acho o exercício da democracia fantástico”, comentou Lula.

Para o presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas, a declaração de Lula mostra que a Campanha Salarial dos bancários está no rumo certo. “Estamos procurando o caminho da negociação e quem está evitando este caminho são os banqueiros, que apostam no enfraquecimento da greve. Por isto a mobilização deve se ampliar nesta segunda-feira, principalmente no setor privado, para forçar a Fenaban a apresentar nova proposta”, afirmou. Vagner se reuniu hoje com o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, para discutir a greve (veja matéria na página principal).

Apesar do apoio do presidente, o décimo dia de greve foi marcado por muita violência. Em São Paulo, desde quinta-feira os bancários em greve vêm enfrentando violência policial, principalmente nos bancos Bradesco, Nossa Caixa, Unibanco, Sudameris, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, nas regiões do Centro, Paulista, Faria Lima e em Osasco. Alguns sindicalistas foram presos.

Mesmo com a repressão, cerca de 3 mil bancários percorreram as ruas do Centro em passeata na tarde desta sexta-feira. Os trabalhadores fizeram atos de protesto em frente à Secretaria de Segurança Pública em repúdio à violência policial contra os grevistas e diante do prédio da Fenaban, exigindo dos banqueiros uma nova proposta.

O nível de agências paralisadas em Pernambuco também se manteve em 70% das unidades paradas. Isso, apesar das liminares que, além do Bradesco e do Unibanco, afetam o movimento também no ABN/Bandepe. Por conta dos interditos proibitórios, o Bradesco funcionou normalmente hoje.

Em João Pessoa, os bancários paraibanos fizeram uma assembléia hoje à tarde em frente à agência do Bradesco da avenida Duque de Caxias e decidiram manter a greve. Após a assembléia, os bancários fizeram um arrastão nas ruas do centro da cidade, em protesto contra o uso da força policial em agências bancárias e contras as declarações do subcomandante da Polícia Militar, coronel Kelson Chaves. Ele fez ameaças de prisão aos bancários em entrevista a uma emissora de TV local. Durante a passeata, os bancários também prestaram solidariedade aos integrantes do MST, que estão acampados em frente ao Palácio do Governo.

Em Salvador, apesar da pressão dos bancos e da intervenção policial, a greve continua com grande adesão. O movimento está mais forte nos bairros da Pituba, Barra, Graça, Iguatemi, Liberdade, Calçada, avenida Sete de Setembro, rua Chile, Itaigara, Garcia e Campo Grande.

Em Cuiabá, os bancários contaram com a solidariedade dos trabalhadores de outras categorias, que passaram o dia em frente às agências dos bancos Bradesco e Itaú localizados na rua Barão de Melgaço. A diretoria dos bancos chamou reforço policial para impedir a manifestação.

Uma grande passeata hoje pela manhã em São Luís reuniu bancários e professores em greve no Maranhão. Os trabalhadores saíram da Praça Deodoro, passaram pelo Palácio dos Leões (do governo) e terminaram o ato no Anel Viário. Nos discursos, os bancários denunciaram à sociedade a pressão e a coação dos gerentes e dos banqueiros, tentando impedir as paralisações no estado. Os bancários de Alagoas também fizeram uma passeata no centro de Maceió, à tarde. A manifestação também protestou contra a pressão e o assédio moral praticado pelos bancos contra os grevistas.

Em Brasília, o gerente da agência 502 Norte do Bradesco, Vanildo Gomes Soares, foi preso por agredir dois sindicalistas que participavam do comitê de esclarecimento em frente a agência. O Interdito Proibitório não confere esse poder aos gerentes e a polícia fez cumprir o direito de greve para os bancários. A ação motivou os bancários a parar mais agências do Bradesco. A truculência do banco na capital federal está sendo respondida com mobilização e determinação de não se intimidar e garantir a greve vitoriosa, segundo o Sindicato.

No Estado do Rio de Janeiro, a greve mobilizou milhares de bancários. Na capital, o Sindicato paralisou 430 das 937 agências da cidade. Nas demais cidades fluminenses, a greve atingiu 421 agências.

A greve dos bancários no Paraná deve prosseguir até a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) propor novas negociações. Ontem em Curitiba, os bancários fizeram uma caminhada pela rua XV de Novembro, no centro da cidade, para esclarecer a população sobre a greve dos bancos.

Fonte: Fábio Jammal Makhoul – CNB/CUT

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