Banco do Brasil e Caixa ofereceram o desconto de apenas um terço dos dias parados
Brasília (AF) – Após consulta ao presidente Lula, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, apresentou ontem ao comando de greve dos bancários uma proposta para tentar encerrar a paralisação no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Pela proposta, os 23 dias parados até ontem seriam divididos em três parcelas. Os bancos oficiais anistiariam a primeira parcela, descontariam a segunda do salário e compensariam a terceira com horas extras. Ao longo da tarde, Berzoini e dirigentes do PT com origem no sindicalismo bancário – como o deputado federal Paulo Bernardo (PR) – convenceram os comandos de greve a apresentar a proposta à base. Em Curitiba, a assembléia dos bancários rejeitou a proposta por maioria, ontem à noite, no Clube Thalia.
A proposta é uma tentativa de dar aos grevistas uma saída honrosa. Enfraquecida, a greve se restringe basicamente aos dois principais bancos oficiais: BB e CEF. Do ponto de vista econômico, os bancários minimizaram sua perda. Os grevistas tiveram derrotada sua principal reivindicação: reajuste de 19%, com data-base em setembro.
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) endossaria a proposta do governo. Berzoini conversou diretamente com alguns banqueiros. Como a paralisação nos bancos privados foi menor, deverá haver uma negociação caso a caso, em moldes parecidos com a proposta dos bancos oficiais – anistia, desconto de parte dos dias e compensação com horas extras. Depois de obter o aval de Lula, Berzoini conversou com os presidentes da CEF, Jorge Mattoso, e com membros da cúpula do Banco do Brasil. Os dois bancos aceitaram a oferta.
“É o possível neste momento. É a primeira vez em 11 anos que é feita uma proposta de reajuste com aumento real. Sinto ainda que há compreensão da parte dos bancários, que entendem que a população não pode ser prejudicada”, disse Bernardo, que trabalhou no Banco do Brasil e foi um dos negociadores de bastidor.
Anteontem à noite, em reunião no apartamento do deputado federal José Pimentel (PT-CE), representantes dos grevistas ouviram um duro relato sobre a posição de Lula, que estava disposto a não deixar de descontar os dias parados. Grevistas fizeram um apelo para minimizar o desconto, o que Berzoini e os deputados do PT costuraram ontem. Os bancários pedem 19% de reajuste e rejeitaram a proposta dos bancos que previa de 8,5% a 12,77%, dependendo da faixa salarial.
Fonte: Gazeta do Povo
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