No documento que divulgou após a reunião de ontem, a Executiva Nacional dos Bancários faz uma análise conjuntural da greve nacional dos bancários, a maior de toda a história da categoria. O boletim “FenaeNet” reproduz, a seguir, o conteúdo dessa avaliação:
“As diretrizes da campanha salarial unificada de 2004 foram aprovadas pela 6ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, com 1.200 delegados, antecipada por reuniões, seminários, encontros, congressos e assembléias regionais e estaduais.
“A estratégia da campanha salarial apostou na possibilidade de efetivar a unidade da categoria bancária, fortalecendo a luta dos trabalhadores dos bancos públicos e privados.
Essa estratégia contraria os interesses dos bancos privados e da direita, pois eles têm consciência da força e do poder que a unidade da categoria produz. Para isso, apostam na tentativa de frustrar essa iniciativa, semeando a fragmentação, pois é muito mais fácil derrotar os trabalhadores separadamente.
“Com essa conjuntura, a Executiva Nacional dos Bancários foi à mesa de negociação. O trunfo da Executiva foi a unidade da categoria, pela qual foram traçados alguns objetivos:
a) romper a lógica imposta pelos bancos privados e públicos de substituir reajuste salarial por abonos; b) repor a inflação do período; c) obter aumento real, com índice superior à inflação; d) agregar uma cláusula nova; e) elevar o piso salarial; e f) aumentar a PLR (participação nos lucros e resultados).
“Depois de anos e anos seguidos, em que a correlação de forças desfavorável não permitiu ganhos reais, a Executiva Nacional, referendada pela Conferência dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e pelas assembléias da categoria, assinou pré-acordo com os bancos públicos, contrariando frontalmente os interesses dos banqueiros privados, que não tiveram como evitar a abrangência nacional para toda a categoria bancária do acordo a ser fechado.
“No início de setembro, após intensas negociações com os representantes dos banqueiros, foi construída uma proposta que não apenas repunha a inflação do período (setembro de 2003 a agosto de 2004 – 6,64% pelo INPC) como garantia aumento real de salário. A proposta contemplava os seguintes itens: a) 8,5% de reajuste nos salários e demais verbas de natureza salarial – 1,7% acima da inflação; b) incorporação de R$ 30 fixos para salários até R$ 1.500. Para o piso de R$ 702,66, o reajuste e a parcela fixa equivalem a um aumento de 12,77% sobre as verbas salariais. O aumento real, considerando-se o ICV do Dieese, chega a 4,60%. Para quem ganha R$ 1.500 o reajuste atinge 10,50%, com aumento real de 2,5%; c) o reajuste de 8,5% também abrange os demais benefícios. Assim, a cesta alimentação, por exemplo, sobe para R$ 217; d) PLR de 80% do salário mais R$ 705, garantindo um pagamento mínimo de R$ 900 na primeira parcela; e) os bancos também se comprometem em acordo a instituir o pagamento suplementar de uma cesta alimentação, logo em seguida à assinatura da Convenção Coletiva Nacional.
“Com o passado de perdas e os incontestáveis avanços econômicos representados por essa proposta, a Executiva Nacional dos Bancários acabou subestimando o anseio da categoria por um processo de reposição mais acelerado. Dentro dos princípios que norteiam a CUT (Central Única dos Trabalhadores), seguidos pelos sindicatos e federações que compõem a Executiva Nacional dos Bancários, a proposta foi submetida às assembléias, com indicativo de aceitação. A categoria, de forma democrática e soberana, na esmagadora maioria das bases, rejeitou a proposta e decidiu pela deflagração da greve nacional e unificada da categoria bancária.
“Construímos a mais longa e forte greve da categoria, com adesão dos bancários de instituições privadas e públicas, das capitais e do interior, em todos os estados da federação.
Apesar da força da greve e da disposição de luta dos bancários, esbarramos na intransigência dos banqueiros e do governo federal, que fecharam todas as portas de negociação e lançaram mão de todos os meios, muitos ilegítimos, para impor uma derrota à categoria.
“Recorreram à Justiça e conseguiram interditos proibitórios, para impedir que os sindicatos fizessem seu trabalho de esclarecimento nas portas das agências. Recorreram às polícias militar e federal para agredir sindicalistas, bancários e bancárias que estavam exercendo seu legítimo direito de greve. Recorreram ao uso das ameaças de demissão, telegramas para as residências dos grevistas, telefonemas aos familiares e muitas outras formas de pressão.
Toda essa repressão foi insuficiente para quebrar a resistência e disposição de luta da categoria bancária, que manteve a greve forte e coesa em todo o país.
“Mas, lamentavelmente, os banqueiros ainda tinham outros aliados a recorrer para tentar impor a derrota à categoria. Setores com discurso de esquerda radical deixaram cair a máscara e mostraram a sua verdadeira face de direita a serviço dos banqueiros. De forma muito consciente, os pseudo-revolucionários sabiam que a única forma de derrotar os bancários seria se aproveitar da fragilidade causada por mais de 20 dias de greve e tentar dividir a categoria. Aliados à Contec, os pseudo-revolucionários propuseram a divisão da categoria e a ida ao TST para entregar a maior greve bancária aos algozes dos trabalhadores.
“Impusemos mais uma derrota aos banqueiros e seus inusitados aliados: a esmagadora maioria das assembléias rejeitou essa manobra divisionista, mantendo a greve. Mas, lamentavelmente, esse setor falso-revolucionário, não satisfeito em semear a divisão da categoria, mostrou todo o escárnio para com os bancários, desprezou a vontade soberana da categoria e se uniu à Contec para ajuizar o dissídio.
“É sempre bom lembrar para as novos funcionários o papel histórico de traições desempenhado pela Contec. As bancárias e os bancários decidiram fundar a CNB (Confederação Nacional dos Bancários), a partir da década de 80, não apenas pelas propostas da Contec – que, apesar de equivocadas, fazem parte do jogo democrático -, mas pela postura de desrespeito à vontade soberana da categoria, expressa nas assembléias. A Contec sempre encaminhou o movimento em benefício dos banqueiros e das direções dos bancos públicos.
“Com o beneplácito do TST, cuja estrutura foi moldada para cumprir o papel histórico de frear as lutas dos trabalhadores, desconsiderando o papel constitucionalmente definido dos sindicatos, o segmento patronal usa e abusa da Contec para cumprir a sua missão, agora com o apoio explícito e desavergonhado da direita sindical com falso discurso radical. Com essa manobra e toda uma falsa expectativa criada, e a frustração gerada na categoria, os banqueiros e o governo conseguiram momentaneamente seu objetivo de dividir e enfraquecer a categoria.
“Algumas bases sindicais suspenderam a greve em assembléias no dia de ontem e a avaliação da maioria dos sindicatos é de dificuldade em manter o vigor necessário para que possamos conquistar nossas reivindicações. A unidade da categoria é um bem muito precioso que precisamos manter, apesar de todas as manobras divisionistas.
“Sabemos que o TST não é solução para os impasses e, se em um ou outro momento, dá migalhas aos trabalhadores, ele nunca abrirá mão de sua postura de decretar abusiva toda e qualquer greve, negar qualquer avanço não previsto em lei e enfraquecer os sindicatos, impondo pesadas multas e atentando contra a organização livre dos trabalhadores.
“Lutamos e continuaremos lutando sempre para defender os interesses das bancárias e dos bancários, tendo como princípios inegociáveis o respeito às decisões soberanas aprovadas nas assembléias e a livre negociação, sem a interferência do aparelho de Estado, sem TST e sem interditos proibitórios.
“Por isso, a Executiva Nacional continuará seus esforços para reabrir as negociações com a Fenaban e para discutir os dias parados para todos os bancários, bem como para reabrir as negociações com os bancos públicos das pendências específicas”.
(Executiva Nacional dos Bancários).
Fonte: Fenae Net
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Comentários
Por Mhais• 15 de outubro de 2004• 11:57• Sem categoria
Executiva Nacional faz análise conjuntural da paralisação
No documento que divulgou após a reunião de ontem, a Executiva Nacional dos Bancários faz uma análise conjuntural da greve nacional dos bancários, a maior de toda a história da categoria. O boletim “FenaeNet” reproduz, a seguir, o conteúdo dessa avaliação:
“As diretrizes da campanha salarial unificada de 2004 foram aprovadas pela 6ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, com 1.200 delegados, antecipada por reuniões, seminários, encontros, congressos e assembléias regionais e estaduais.
“A estratégia da campanha salarial apostou na possibilidade de efetivar a unidade da categoria bancária, fortalecendo a luta dos trabalhadores dos bancos públicos e privados.
Essa estratégia contraria os interesses dos bancos privados e da direita, pois eles têm consciência da força e do poder que a unidade da categoria produz. Para isso, apostam na tentativa de frustrar essa iniciativa, semeando a fragmentação, pois é muito mais fácil derrotar os trabalhadores separadamente.
“Com essa conjuntura, a Executiva Nacional dos Bancários foi à mesa de negociação. O trunfo da Executiva foi a unidade da categoria, pela qual foram traçados alguns objetivos:
a) romper a lógica imposta pelos bancos privados e públicos de substituir reajuste salarial por abonos; b) repor a inflação do período; c) obter aumento real, com índice superior à inflação; d) agregar uma cláusula nova; e) elevar o piso salarial; e f) aumentar a PLR (participação nos lucros e resultados).
“Depois de anos e anos seguidos, em que a correlação de forças desfavorável não permitiu ganhos reais, a Executiva Nacional, referendada pela Conferência dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e pelas assembléias da categoria, assinou pré-acordo com os bancos públicos, contrariando frontalmente os interesses dos banqueiros privados, que não tiveram como evitar a abrangência nacional para toda a categoria bancária do acordo a ser fechado.
“No início de setembro, após intensas negociações com os representantes dos banqueiros, foi construída uma proposta que não apenas repunha a inflação do período (setembro de 2003 a agosto de 2004 – 6,64% pelo INPC) como garantia aumento real de salário. A proposta contemplava os seguintes itens: a) 8,5% de reajuste nos salários e demais verbas de natureza salarial – 1,7% acima da inflação; b) incorporação de R$ 30 fixos para salários até R$ 1.500. Para o piso de R$ 702,66, o reajuste e a parcela fixa equivalem a um aumento de 12,77% sobre as verbas salariais. O aumento real, considerando-se o ICV do Dieese, chega a 4,60%. Para quem ganha R$ 1.500 o reajuste atinge 10,50%, com aumento real de 2,5%; c) o reajuste de 8,5% também abrange os demais benefícios. Assim, a cesta alimentação, por exemplo, sobe para R$ 217; d) PLR de 80% do salário mais R$ 705, garantindo um pagamento mínimo de R$ 900 na primeira parcela; e) os bancos também se comprometem em acordo a instituir o pagamento suplementar de uma cesta alimentação, logo em seguida à assinatura da Convenção Coletiva Nacional.
“Com o passado de perdas e os incontestáveis avanços econômicos representados por essa proposta, a Executiva Nacional dos Bancários acabou subestimando o anseio da categoria por um processo de reposição mais acelerado. Dentro dos princípios que norteiam a CUT (Central Única dos Trabalhadores), seguidos pelos sindicatos e federações que compõem a Executiva Nacional dos Bancários, a proposta foi submetida às assembléias, com indicativo de aceitação. A categoria, de forma democrática e soberana, na esmagadora maioria das bases, rejeitou a proposta e decidiu pela deflagração da greve nacional e unificada da categoria bancária.
“Construímos a mais longa e forte greve da categoria, com adesão dos bancários de instituições privadas e públicas, das capitais e do interior, em todos os estados da federação.
Apesar da força da greve e da disposição de luta dos bancários, esbarramos na intransigência dos banqueiros e do governo federal, que fecharam todas as portas de negociação e lançaram mão de todos os meios, muitos ilegítimos, para impor uma derrota à categoria.
“Recorreram à Justiça e conseguiram interditos proibitórios, para impedir que os sindicatos fizessem seu trabalho de esclarecimento nas portas das agências. Recorreram às polícias militar e federal para agredir sindicalistas, bancários e bancárias que estavam exercendo seu legítimo direito de greve. Recorreram ao uso das ameaças de demissão, telegramas para as residências dos grevistas, telefonemas aos familiares e muitas outras formas de pressão.
Toda essa repressão foi insuficiente para quebrar a resistência e disposição de luta da categoria bancária, que manteve a greve forte e coesa em todo o país.
“Mas, lamentavelmente, os banqueiros ainda tinham outros aliados a recorrer para tentar impor a derrota à categoria. Setores com discurso de esquerda radical deixaram cair a máscara e mostraram a sua verdadeira face de direita a serviço dos banqueiros. De forma muito consciente, os pseudo-revolucionários sabiam que a única forma de derrotar os bancários seria se aproveitar da fragilidade causada por mais de 20 dias de greve e tentar dividir a categoria. Aliados à Contec, os pseudo-revolucionários propuseram a divisão da categoria e a ida ao TST para entregar a maior greve bancária aos algozes dos trabalhadores.
“Impusemos mais uma derrota aos banqueiros e seus inusitados aliados: a esmagadora maioria das assembléias rejeitou essa manobra divisionista, mantendo a greve. Mas, lamentavelmente, esse setor falso-revolucionário, não satisfeito em semear a divisão da categoria, mostrou todo o escárnio para com os bancários, desprezou a vontade soberana da categoria e se uniu à Contec para ajuizar o dissídio.
“É sempre bom lembrar para as novos funcionários o papel histórico de traições desempenhado pela Contec. As bancárias e os bancários decidiram fundar a CNB (Confederação Nacional dos Bancários), a partir da década de 80, não apenas pelas propostas da Contec – que, apesar de equivocadas, fazem parte do jogo democrático -, mas pela postura de desrespeito à vontade soberana da categoria, expressa nas assembléias. A Contec sempre encaminhou o movimento em benefício dos banqueiros e das direções dos bancos públicos.
“Com o beneplácito do TST, cuja estrutura foi moldada para cumprir o papel histórico de frear as lutas dos trabalhadores, desconsiderando o papel constitucionalmente definido dos sindicatos, o segmento patronal usa e abusa da Contec para cumprir a sua missão, agora com o apoio explícito e desavergonhado da direita sindical com falso discurso radical. Com essa manobra e toda uma falsa expectativa criada, e a frustração gerada na categoria, os banqueiros e o governo conseguiram momentaneamente seu objetivo de dividir e enfraquecer a categoria.
“Algumas bases sindicais suspenderam a greve em assembléias no dia de ontem e a avaliação da maioria dos sindicatos é de dificuldade em manter o vigor necessário para que possamos conquistar nossas reivindicações. A unidade da categoria é um bem muito precioso que precisamos manter, apesar de todas as manobras divisionistas.
“Sabemos que o TST não é solução para os impasses e, se em um ou outro momento, dá migalhas aos trabalhadores, ele nunca abrirá mão de sua postura de decretar abusiva toda e qualquer greve, negar qualquer avanço não previsto em lei e enfraquecer os sindicatos, impondo pesadas multas e atentando contra a organização livre dos trabalhadores.
“Lutamos e continuaremos lutando sempre para defender os interesses das bancárias e dos bancários, tendo como princípios inegociáveis o respeito às decisões soberanas aprovadas nas assembléias e a livre negociação, sem a interferência do aparelho de Estado, sem TST e sem interditos proibitórios.
“Por isso, a Executiva Nacional continuará seus esforços para reabrir as negociações com a Fenaban e para discutir os dias parados para todos os bancários, bem como para reabrir as negociações com os bancos públicos das pendências específicas”.
(Executiva Nacional dos Bancários).
Fonte: Fenae Net
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