A alta da Selic de 0,5 ponto percentual vai pesar no bolso dos consumidores e das empresas. Segundo cálculos preliminares de Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média do crédito para pessoas físicas vai aumentar de 7,65% ao mês (ou 142,2% ao ano), para 7,69% (143,2% ao ano) – uma alta de 0,52%. Para a pessoa jurídica, o aumento será ainda maior: de uma média de 4,38% ao mês (equivalente a 67,27% ao ano) para 4,42% (68,04% ao ano), ou seja, uma alta de 0,91%.
Ontem à noite, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, tratou de acalmar os empresários. Durante a abertura do Salão do Automóvel em São Paulo, Furlan disse que a Selic vai voltar a cair em 2005. Segundo ele, os números estão confirmando que a inflação no terceiro trimestre não será alta. “Portanto, vamos entrar no ano que vem com vento favorável para uma retomada na queda dos juros.”
Mesmo com o pronunciamento de Furlan, as entidades dos setores de comércio e indústria rechaçaram a decisão do Copom. “É questionável manter juros elevados num mercado ainda distante de qualquer risco de inflação de demanda. A melhor solução para evitar a alta de preços, refreando pressões inflacionárias, seria estimular investimentos, visando ao aumento da oferta e da produção, criando mais empregos e desencadeando um círculo virtuoso na economia brasileira”, disse Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em comunicado.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou nota lamentando a decisão. “A alta dos juros é danosa à produção e ao investimento”, disse o presidente em exercício da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. “Não há pressões generalizadas de preços que justifiquem a intenção de desaquecer a economia e os índices de inflação recém-divulgados já mostram fortes sinais de recuo das taxas.”
A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) vai no mesmo tom: “Consideramos uma ameaça à melhora das vendas de fim de ano esperada por todo o segmento do comércio de bens e serviços. A previsão de resultados melhores do que os do ano passado pode ser revertida”, disse em comunicado Orlando Diniz, presidente Fecomércio-RJ.
A Força Sindical e a CUT também criticaram a decisão. Para o presidente da Força, João Carlos Gonçalves, “as rédeas do Brasil escapam, mais uma vez, das mãos do governo”. Já a CUT lamentou a decisão e disse, em nota, que “o presidente da República deveria enfrentar o problema com a mesma determinação com que agiu em relação ao posicionamento retrógrado do Exército diante das revelações sobre o assassinato de Vladimir Herzog”.
Fonte: Valor Econômico – Altamiro Silva Júnior e Marli Olmos
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Por Mhais• 21 de outubro de 2004• 10:29• Sem categoria
Alta da taxa é criticada e deve encarecer o crédito
A alta da Selic de 0,5 ponto percentual vai pesar no bolso dos consumidores e das empresas. Segundo cálculos preliminares de Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média do crédito para pessoas físicas vai aumentar de 7,65% ao mês (ou 142,2% ao ano), para 7,69% (143,2% ao ano) – uma alta de 0,52%. Para a pessoa jurídica, o aumento será ainda maior: de uma média de 4,38% ao mês (equivalente a 67,27% ao ano) para 4,42% (68,04% ao ano), ou seja, uma alta de 0,91%.
Ontem à noite, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, tratou de acalmar os empresários. Durante a abertura do Salão do Automóvel em São Paulo, Furlan disse que a Selic vai voltar a cair em 2005. Segundo ele, os números estão confirmando que a inflação no terceiro trimestre não será alta. “Portanto, vamos entrar no ano que vem com vento favorável para uma retomada na queda dos juros.”
Mesmo com o pronunciamento de Furlan, as entidades dos setores de comércio e indústria rechaçaram a decisão do Copom. “É questionável manter juros elevados num mercado ainda distante de qualquer risco de inflação de demanda. A melhor solução para evitar a alta de preços, refreando pressões inflacionárias, seria estimular investimentos, visando ao aumento da oferta e da produção, criando mais empregos e desencadeando um círculo virtuoso na economia brasileira”, disse Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em comunicado.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou nota lamentando a decisão. “A alta dos juros é danosa à produção e ao investimento”, disse o presidente em exercício da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. “Não há pressões generalizadas de preços que justifiquem a intenção de desaquecer a economia e os índices de inflação recém-divulgados já mostram fortes sinais de recuo das taxas.”
A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) vai no mesmo tom: “Consideramos uma ameaça à melhora das vendas de fim de ano esperada por todo o segmento do comércio de bens e serviços. A previsão de resultados melhores do que os do ano passado pode ser revertida”, disse em comunicado Orlando Diniz, presidente Fecomércio-RJ.
A Força Sindical e a CUT também criticaram a decisão. Para o presidente da Força, João Carlos Gonçalves, “as rédeas do Brasil escapam, mais uma vez, das mãos do governo”. Já a CUT lamentou a decisão e disse, em nota, que “o presidente da República deveria enfrentar o problema com a mesma determinação com que agiu em relação ao posicionamento retrógrado do Exército diante das revelações sobre o assassinato de Vladimir Herzog”.
Fonte: Valor Econômico – Altamiro Silva Júnior e Marli Olmos
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