A atual greve dos bancários tem ensejado uma série de constatações e, mais que isso, reflexões sobre a condução imprimida pela diretoria do Banco do Brasil ao enfrentamento do movimento.
Certamente não era esperado pelos funcionários do Banco que, ao longo de praticamente 30 dias de curso da greve, sequer a diretoria do BB se dignasse a estabelecer canal de negociação, alardeando que somente poderia voltar a negociar mediante o retorno ao trabalho, com isso claramente procurando desqualificar o movimento sindical.
É inegável que durante os últimos 10 anos o BB passou por diversas transformações. Observa-se um avanço significativo na informatização da empresa, assim como na diversidade de produtos e serviços, o que fez com que o Banco assumisse uma posição de vanguarda em relação à rede bancária, ampliando sua base de clientes e de negócios, conseqüentemente elevando de forma extraordinária sua rentabilidade.
Esse avanço, entretanto, ocorreu associado a uma redução significativa no seu quadro de funcionários, assim como nas representativas perdas salariais ocorridas, sobretudo, nos últimos oito anos, traduzindo-se em política desenvolvida pela empresa que impediu a transferência aos empregados de parcela dos expressivos lucros obtidos pelo Banco.
Grande foi a expectativa dos funcionários do BB diante da assunção do novo governo, forjado na luta sindical e nos movimentos sociais. Esperava-se que mudanças ocorressem no sentido de resgatar o respeito e a valorização dos funcionários, anseios que foram traduzidos no IV Fórum de Gestão de Pessoas e, presentemente, através do próprio movimento grevista.
Passados praticamente dois anos do governo Lula pode-se constatar que aqueles anseios e esperanças iniciais mostram-se frustrados. O movimento sindical e notadamente a Confederação Nacional dos Bancários, desde o início de 2003, vêm alertando o Governo Federal sobre o equívoco cometido por ocasião da composição do quadro diretivo do BB.
A manutenção de alguns elementos vinculados politicamente ao governo FHC e a escolha de um presidente, que não possui qualquer identidade com as premissas de um governo que se elegeu com a disposição de inverter prioridades, estão contribuindo substancialmente para o acirramento dos ânimos entre o Banco e seu funcionalismo. Hoje, é sentimento comum no âmbito dos funcionários que o BB possui uma diretoria do mesmo cunho neoliberal que caracterizava os governos anteriores.
O conjunto dos funcionários encontra-se envolvido com programas de metas e superações, na busca de lucros crescentes a qualquer preço. É notória a dissintonia existente entre vice-presidências, notadamente entre a VAREJO e a VIPES. Desde o início do Governo, observam-se melhorias obtidas no âmbito da área de Gestão de Pessoas, contudo, elas estão ainda distantes de oferecer melhores condições de trabalho/qualidade de vida aos funcionários. Na verdade, nada ainda foi sentido relativamente a qualquer recuperação salarial e muito menos no volume sempre crescente de trabalho enfrentado nas dependências do BB.
Especificamente em relação ao Programa Superação, é necessário ressaltar que o IV Fórum de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Sócio-ambiental, ocorrido em 27 de agosto de 2004, registrou expresso repúdio à iniciativa, exatamente por considerá-la como elemento causador de uma série de infortúnios, desde doenças profissionais como também responsável pelas atitudes desesperadas de maquiagem de resultados, fato conhecido de todos e que causou recentes e injustas punições por parte do Banco.
Não é possível dissociar essa condução dos negócios do BB das pessoas do presidente Cássio Casseb, do vice Edson Machado Monteiro e do diretor de distribuição Paulo César Simplício. Os dois últimos são reconhecidos dentro da empresa por práticas espúrias históricas, ao tempo em que exerciam cargos em superintendências estaduais, tais como o projeto “arara azul”, que tal como o Programa Superação, acirrava doentiamente a disputa entre as agências. Também pode-se citar dentre outras práticas o estímulo à venda casada de operações de crédito com produtos, a implantação de limites de crédito sem o conhecimento de clientes assim como o bloqueio massificado de senhas de aposentados e pensionistas do INSS como estratégia para expandir a base de clientes, fatos estes já noticiados em publicações do movimento sindical. É também importante salientar o constante incitamento para o cumprimento de tais medidas que ocorre diretamente junto às superintendências que por sua vez reproduzem o modelo de uma forma insana para a rede de agências.
É esse o quadro que se constata dentro do BB e que se reproduz agora, por ocasião da estratégia patronal de enfrentamento ao movimento grevista. Não se ignora que os papéis institucionais tenham que ser desempenhados adequadamente, todavia, também não se pode admitir que um Governo forjado na luta sindical demonstre tamanha intransigência e arrogância, pretendendo flagrantemente quebrar a espinha dorsal do movimento sindical, buscando colocá-lo de joelhos. Ignora, com essa postura, que não está em discussão apenas um índice de reajuste salarial, mas, na verdade, diante de sua espontaneidade e força, está a greve permeada exatamente pelos fatos aqui constatados.
Espera-se, portanto, a lucidez política do Governo Federal não só em relação aos rumos do Banco do Brasil como banco público, assim como respeito aos anseios de seus funcionários. Exige-se, conseqüentemente, uma ampla reformulação do quadro diretivo do BB, assim como o estabelecimento de critérios claros para a escolha de Superintendentes Estaduais e Regionais.
Curitiba, 20 de outubro de 2004.
SINDICATO DOS BANCÁRIOS E FINANCIÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO
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Por Mhais• 22 de outubro de 2004• 18:33• Sem categoria
MANIFESTO DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL
A atual greve dos bancários tem ensejado uma série de constatações e, mais que isso, reflexões sobre a condução imprimida pela diretoria do Banco do Brasil ao enfrentamento do movimento.
Certamente não era esperado pelos funcionários do Banco que, ao longo de praticamente 30 dias de curso da greve, sequer a diretoria do BB se dignasse a estabelecer canal de negociação, alardeando que somente poderia voltar a negociar mediante o retorno ao trabalho, com isso claramente procurando desqualificar o movimento sindical.
É inegável que durante os últimos 10 anos o BB passou por diversas transformações. Observa-se um avanço significativo na informatização da empresa, assim como na diversidade de produtos e serviços, o que fez com que o Banco assumisse uma posição de vanguarda em relação à rede bancária, ampliando sua base de clientes e de negócios, conseqüentemente elevando de forma extraordinária sua rentabilidade.
Esse avanço, entretanto, ocorreu associado a uma redução significativa no seu quadro de funcionários, assim como nas representativas perdas salariais ocorridas, sobretudo, nos últimos oito anos, traduzindo-se em política desenvolvida pela empresa que impediu a transferência aos empregados de parcela dos expressivos lucros obtidos pelo Banco.
Grande foi a expectativa dos funcionários do BB diante da assunção do novo governo, forjado na luta sindical e nos movimentos sociais. Esperava-se que mudanças ocorressem no sentido de resgatar o respeito e a valorização dos funcionários, anseios que foram traduzidos no IV Fórum de Gestão de Pessoas e, presentemente, através do próprio movimento grevista.
Passados praticamente dois anos do governo Lula pode-se constatar que aqueles anseios e esperanças iniciais mostram-se frustrados. O movimento sindical e notadamente a Confederação Nacional dos Bancários, desde o início de 2003, vêm alertando o Governo Federal sobre o equívoco cometido por ocasião da composição do quadro diretivo do BB.
A manutenção de alguns elementos vinculados politicamente ao governo FHC e a escolha de um presidente, que não possui qualquer identidade com as premissas de um governo que se elegeu com a disposição de inverter prioridades, estão contribuindo substancialmente para o acirramento dos ânimos entre o Banco e seu funcionalismo. Hoje, é sentimento comum no âmbito dos funcionários que o BB possui uma diretoria do mesmo cunho neoliberal que caracterizava os governos anteriores.
O conjunto dos funcionários encontra-se envolvido com programas de metas e superações, na busca de lucros crescentes a qualquer preço. É notória a dissintonia existente entre vice-presidências, notadamente entre a VAREJO e a VIPES. Desde o início do Governo, observam-se melhorias obtidas no âmbito da área de Gestão de Pessoas, contudo, elas estão ainda distantes de oferecer melhores condições de trabalho/qualidade de vida aos funcionários. Na verdade, nada ainda foi sentido relativamente a qualquer recuperação salarial e muito menos no volume sempre crescente de trabalho enfrentado nas dependências do BB.
Especificamente em relação ao Programa Superação, é necessário ressaltar que o IV Fórum de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Sócio-ambiental, ocorrido em 27 de agosto de 2004, registrou expresso repúdio à iniciativa, exatamente por considerá-la como elemento causador de uma série de infortúnios, desde doenças profissionais como também responsável pelas atitudes desesperadas de maquiagem de resultados, fato conhecido de todos e que causou recentes e injustas punições por parte do Banco.
Não é possível dissociar essa condução dos negócios do BB das pessoas do presidente Cássio Casseb, do vice Edson Machado Monteiro e do diretor de distribuição Paulo César Simplício. Os dois últimos são reconhecidos dentro da empresa por práticas espúrias históricas, ao tempo em que exerciam cargos em superintendências estaduais, tais como o projeto “arara azul”, que tal como o Programa Superação, acirrava doentiamente a disputa entre as agências. Também pode-se citar dentre outras práticas o estímulo à venda casada de operações de crédito com produtos, a implantação de limites de crédito sem o conhecimento de clientes assim como o bloqueio massificado de senhas de aposentados e pensionistas do INSS como estratégia para expandir a base de clientes, fatos estes já noticiados em publicações do movimento sindical. É também importante salientar o constante incitamento para o cumprimento de tais medidas que ocorre diretamente junto às superintendências que por sua vez reproduzem o modelo de uma forma insana para a rede de agências.
É esse o quadro que se constata dentro do BB e que se reproduz agora, por ocasião da estratégia patronal de enfrentamento ao movimento grevista. Não se ignora que os papéis institucionais tenham que ser desempenhados adequadamente, todavia, também não se pode admitir que um Governo forjado na luta sindical demonstre tamanha intransigência e arrogância, pretendendo flagrantemente quebrar a espinha dorsal do movimento sindical, buscando colocá-lo de joelhos. Ignora, com essa postura, que não está em discussão apenas um índice de reajuste salarial, mas, na verdade, diante de sua espontaneidade e força, está a greve permeada exatamente pelos fatos aqui constatados.
Espera-se, portanto, a lucidez política do Governo Federal não só em relação aos rumos do Banco do Brasil como banco público, assim como respeito aos anseios de seus funcionários. Exige-se, conseqüentemente, uma ampla reformulação do quadro diretivo do BB, assim como o estabelecimento de critérios claros para a escolha de Superintendentes Estaduais e Regionais.
Curitiba, 20 de outubro de 2004.
SINDICATO DOS BANCÁRIOS E FINANCIÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO
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