As empresas privadas e pessoas físicas pagaram R$ 118,7 bilhões em juros no ano passado. Desse total, R$ 73 bilhões foram referentes ao chamado spread bancário, parcela que as instituições financeiras cobram da clientela para cobrir custos operacionais, os riscos de inadimplência, pagar os impostos e garantir seus lucros. Os números, considerados extremamente elevados, foram apresentados ontem pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, durante a última reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Segundo Skaf, os spreads bancários no país são os maiores do mundo e um forte impeditivo para o crescimento econômico. ‘‘Essas taxas retiram 3,47% por ano do Produto Interno Bruto (PIB), não apenas por meio dos empréstimos, mas também pelos preços dos produtos industrializados’’, disse. Estudo encomendado pela Fiesp à Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, quando o custo do capital de giro de uma empresa é de 30% ao ano, os encargos financeiros representam 7,22% do valor de uma mercadoria.
Para reforçar o quanto os spreads são elevados no Brasil, o presidente da Fiesp fez uma comparação com as taxas praticadas na Argentina, Chile, Colômbia, México e Venezuela. Nesses cinco países, empresas e consumidores pagaram R$ 16,8 bilhões em spread no ano passado, R$ 56,2 bilhões a menos que no Brasil. ‘‘Diante desse quadro, fica difícil fazer investimentos produtivos. E sem investimentos, não há crescimento’’, afirmou Skaf. Para o ministro Jaques Wagner, da Secretaria Especial do CDES, ‘‘o crédito pode construir ou destruir o crescimento de uma economia’’.
Escalado pelo Palácio do Planalto para mostrar que o governo está trabalhando no sentido de reduzir os spreads, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que uma série de medidas tem sido adotadas para aumentar a concorrência bancária e reduzir os custos dos financiamentos. Entre essas medidas, está o incentivo à formação de cooperativas. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, admitiu que o governo pode rever a tributação que incide sobre as operações de crédito. Do spread, 13,5% são referentes a impostos diretos e indiretos.
Fonte: Correio Braziliense – Vicente Nunes
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