O Banco Central avalia que dificilmente o Banco Santos poderá caminhar com as próprias pernas após a intervenção, devido à perda de credibilidade perante os clientes e o mercado financeiro, apurou a Folha.
Para o Banco Central, a saída ideal é a venda para outro grupo financeiro, desde que o interessado esteja disposto a colocar pelo menos R$ 500 milhões para capitalizar o banco.
Mesmo antes da intervenção, no dia 12 deste mês, o Banco Santos já passava por uma onda de saques. Em menos de um mês antes da ação do Banco Central, por exemplo, 55 cotistas resgataram R$ 72 milhões de um dos principais fundos da instituição, o Credit Yield.
Números de análise ainda em fase inicial pelo BC apontam que a instituição estaria com patrimônio líquido negativo em aproximadamente R$ 100 milhões. Logo que anunciou a intervenção, o Banco Central divulgou que, para voltar a operar, o Banco Santos precisaria de R$ 700 milhões.
Mas, se o banco fosse incorporado à estrutura de outra instituição financeira, esse número poderia ser menor, pouco acima de R$ 500 milhões.
De acordo com relatório da consultoria Trevisan, no entanto, segundo informou a Folha na semana passada, o rombo deixado pelo Banco Santos por conta de empréstimos malfeitos pode superar R$ 1 bilhão.
A dívida seria muito maior se fossem incluídas outras empresas controladas por Edemar Cid Ferreira (dono do banco) sem ligação direta com a instituição.
Evitar a liquidação
Cientes do risco para seu patrimônio de um possível processo de liquidação do Banco Santos a ser declarado pelo Banco Central, 40 empresas e fundos de pensão com operações no banco criaram uma comissão para evitar a liquidação da instituição.
O grupo quer se reunir com o interventor no banco escalado pelo Banco Central, Vânio Aguiar, ainda nesta semana para tentar uma solução que salve os recursos desses investidores.
Há empresas privadas com contas bancárias na instituição, além de fundos de pensão de funcionários públicos. Se o banco for liquidado, esse grupo arcará com o maior prejuízo, pois o pagamento das dívidas trabalhistas e de débitos fiscais com a União tem prioridade tanto na falência como na recuperação judicial.
O grupo conta com 40 interessados em formar o comitê de credores, com recursos superiores, no banco, a US$ 100 milhões.
Para o BC, vale o contrato
Segundo a Folha apurou, o BC vai cobrar das empresas devedoras do Banco Santos os valores registrados contabilmente no balanço da instituição.
Após a intervenção no banco, várias empresas vieram a público dizer que não reconheciam valores de débitos identificados pelo Banco Central.
O interventor vai considerar somente os números que estão nos contratos.
Empresas devedoras do Banco Santos alegaram que a instituição, para conceder crédito, exigia que fossem tomados empréstimos maiores que os desejados pelos clientes, forçando-os a aplicar a diferença em ativos da instituição ou de terceiros previamente recomendados.
O Banco Central não interfere em contratos privados de crédito. Entende também que não havia “bobos” nem “ingênuos” entre os clientes do Santos, banco que operava basicamente com pessoas jurídicas e fundos de pensão.
Assim, se houve algum acordo por fora dos contratos, isso não serve de nada para o Banco Central. As dívidas registradas contabilmente serão cobradas integralmente.
Ontem, o Banco Central anunciou a formação de uma comissão de inquérito composta por integrantes da própria instituição para apurar a ocorrência de possíveis irregularidades e ilegalidades cometidas por administradores do Banco Santos.
Fonte: Folha de S.Paulo, em Brasília – LEONARDO SOUZA
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Por Mhais• 25 de novembro de 2004• 10:10• Sem categoria
Venda é a saída para o Banco Santos, diz BC
O Banco Central avalia que dificilmente o Banco Santos poderá caminhar com as próprias pernas após a intervenção, devido à perda de credibilidade perante os clientes e o mercado financeiro, apurou a Folha.
Para o Banco Central, a saída ideal é a venda para outro grupo financeiro, desde que o interessado esteja disposto a colocar pelo menos R$ 500 milhões para capitalizar o banco.
Mesmo antes da intervenção, no dia 12 deste mês, o Banco Santos já passava por uma onda de saques. Em menos de um mês antes da ação do Banco Central, por exemplo, 55 cotistas resgataram R$ 72 milhões de um dos principais fundos da instituição, o Credit Yield.
Números de análise ainda em fase inicial pelo BC apontam que a instituição estaria com patrimônio líquido negativo em aproximadamente R$ 100 milhões. Logo que anunciou a intervenção, o Banco Central divulgou que, para voltar a operar, o Banco Santos precisaria de R$ 700 milhões.
Mas, se o banco fosse incorporado à estrutura de outra instituição financeira, esse número poderia ser menor, pouco acima de R$ 500 milhões.
De acordo com relatório da consultoria Trevisan, no entanto, segundo informou a Folha na semana passada, o rombo deixado pelo Banco Santos por conta de empréstimos malfeitos pode superar R$ 1 bilhão.
A dívida seria muito maior se fossem incluídas outras empresas controladas por Edemar Cid Ferreira (dono do banco) sem ligação direta com a instituição.
Evitar a liquidação
Cientes do risco para seu patrimônio de um possível processo de liquidação do Banco Santos a ser declarado pelo Banco Central, 40 empresas e fundos de pensão com operações no banco criaram uma comissão para evitar a liquidação da instituição.
O grupo quer se reunir com o interventor no banco escalado pelo Banco Central, Vânio Aguiar, ainda nesta semana para tentar uma solução que salve os recursos desses investidores.
Há empresas privadas com contas bancárias na instituição, além de fundos de pensão de funcionários públicos. Se o banco for liquidado, esse grupo arcará com o maior prejuízo, pois o pagamento das dívidas trabalhistas e de débitos fiscais com a União tem prioridade tanto na falência como na recuperação judicial.
O grupo conta com 40 interessados em formar o comitê de credores, com recursos superiores, no banco, a US$ 100 milhões.
Para o BC, vale o contrato
Segundo a Folha apurou, o BC vai cobrar das empresas devedoras do Banco Santos os valores registrados contabilmente no balanço da instituição.
Após a intervenção no banco, várias empresas vieram a público dizer que não reconheciam valores de débitos identificados pelo Banco Central.
O interventor vai considerar somente os números que estão nos contratos.
Empresas devedoras do Banco Santos alegaram que a instituição, para conceder crédito, exigia que fossem tomados empréstimos maiores que os desejados pelos clientes, forçando-os a aplicar a diferença em ativos da instituição ou de terceiros previamente recomendados.
O Banco Central não interfere em contratos privados de crédito. Entende também que não havia “bobos” nem “ingênuos” entre os clientes do Santos, banco que operava basicamente com pessoas jurídicas e fundos de pensão.
Assim, se houve algum acordo por fora dos contratos, isso não serve de nada para o Banco Central. As dívidas registradas contabilmente serão cobradas integralmente.
Ontem, o Banco Central anunciou a formação de uma comissão de inquérito composta por integrantes da própria instituição para apurar a ocorrência de possíveis irregularidades e ilegalidades cometidas por administradores do Banco Santos.
Fonte: Folha de S.Paulo, em Brasília – LEONARDO SOUZA
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