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Déficit social de dez anos separa brancos e negros

População negra é mais pobre e morre mais cedo, aponta estudo
Brasília – Os negros têm hoje, em média, os níveis de qualidade de vida que os brancos tinham no começo dos anos 90. Em várias áreas eles se beneficiaram dos avanços dos indicadores das duas últimas décadas – como redução no trabalho infantil, aumento da expectativa de vida, redução do trabalho infantil e pequeno declínio no número de pobres -, mas essas mudanças não foram suficientes para equiparar as duas parcelas da população do país. É o que mostra o Atlas Racial Brasileiro, divulgado ontem em evento na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, da Universidade Federal de Minas Gerais, o trabalho reúne pesquisas de 1980 a 2003 e mostra a verdadeira situação dos negros no país, três anos após o Brasil se comprometer formalmente a erradicar a discriminação contra cidadãos negros, em conferência na África do Sul.
No geral, os negros têm mais dificuldade de acesso aos serviços de saúde, chegam a ter até 10,53 anos menos de expectativa de vida, são maioria entre os pobres e indigentes e ainda há maior possibilidade de o bebê morrer antes de completar um ano de idade.
“Estes dados revelam que a desigualdade e a pobreza existentes no Brasil vão além de razões exclusivamente socioeconômicas. Eles demonstram que a democracia racial brasileira é uma ilusão, um mito que não se sustenta”, afirma o documento.
Apesar de os dados não serem novos -já que são retirados do Censo, da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e de outros dois trabalhos sobre saúde-, foram reunidos pela primeira vez para ajudar na formulação das políticas públicas.
São 106 indicadores sociais, com informações por regiões, estados e divididos em sete blocos.
A separação dos indicadores sociais por raça mostra que o Brasil pode, por exemplo, não atingir a meta prevista nos Objetivos do Milênio de reduzir a mortalidade infantil até 2015 ao considerar a população negra.
Para atingi-la, será preciso reduzir em 30,2% a mortalidade infantil dos filhos de mulheres brancas e em 57,9% entre as crianças filhas de negras. Mantido o ritmo de queda da mortalidade da década de 90, a meta para os brancos será atingida, mas entre os negros não.
Para Eduardo Luiz Gonçalves Rios-Neto, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, outro dado que deve ser considerado é da expectativa de vida dos negros. Enquanto uma mulher branca tem esperança de vida ao nascer de 73,8 anos, a do homem negro é de 63,27. Se considerar a mulher negra, o mesmo dado é de 69,52 anos.
“O homem negro tem de ser objeto de estudo específico quando se trata do fator previdenciário. Quando se une sexo e raça, o homem negro fica em uma situação perversa, prejudicando a eqüidade”, disse Rios-Neto.
Para a ministra Matilde Ribeiro, secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a desigualdade entre negros e brancos tem origem socioeconômica, mas traz embutido o racismo. “A sociedade brasileira se acostumou com a situação e passou a creditá-la à pobreza do país. Isso não é verdade. O que ocorre realmente é que as estruturas racistas instaladas no período colonial continuam em pleno vigor”, afirmou.
Fonte: Gazeta do Povo

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Déficit social de dez anos separa brancos e negros

População negra é mais pobre e morre mais cedo, aponta estudo

Brasília – Os negros têm hoje, em média, os níveis de qualidade de vida que os brancos tinham no começo dos anos 90. Em várias áreas eles se beneficiaram dos avanços dos indicadores das duas últimas décadas – como redução no trabalho infantil, aumento da expectativa de vida, redução do trabalho infantil e pequeno declínio no número de pobres -, mas essas mudanças não foram suficientes para equiparar as duas parcelas da população do país. É o que mostra o Atlas Racial Brasileiro, divulgado ontem em evento na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, da Universidade Federal de Minas Gerais, o trabalho reúne pesquisas de 1980 a 2003 e mostra a verdadeira situação dos negros no país, três anos após o Brasil se comprometer formalmente a erradicar a discriminação contra cidadãos negros, em conferência na África do Sul.

No geral, os negros têm mais dificuldade de acesso aos serviços de saúde, chegam a ter até 10,53 anos menos de expectativa de vida, são maioria entre os pobres e indigentes e ainda há maior possibilidade de o bebê morrer antes de completar um ano de idade.

“Estes dados revelam que a desigualdade e a pobreza existentes no Brasil vão além de razões exclusivamente socioeconômicas. Eles demonstram que a democracia racial brasileira é uma ilusão, um mito que não se sustenta”, afirma o documento.

Apesar de os dados não serem novos -já que são retirados do Censo, da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e de outros dois trabalhos sobre saúde-, foram reunidos pela primeira vez para ajudar na formulação das políticas públicas.

São 106 indicadores sociais, com informações por regiões, estados e divididos em sete blocos.

A separação dos indicadores sociais por raça mostra que o Brasil pode, por exemplo, não atingir a meta prevista nos Objetivos do Milênio de reduzir a mortalidade infantil até 2015 ao considerar a população negra.

Para atingi-la, será preciso reduzir em 30,2% a mortalidade infantil dos filhos de mulheres brancas e em 57,9% entre as crianças filhas de negras. Mantido o ritmo de queda da mortalidade da década de 90, a meta para os brancos será atingida, mas entre os negros não.

Para Eduardo Luiz Gonçalves Rios-Neto, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, outro dado que deve ser considerado é da expectativa de vida dos negros. Enquanto uma mulher branca tem esperança de vida ao nascer de 73,8 anos, a do homem negro é de 63,27. Se considerar a mulher negra, o mesmo dado é de 69,52 anos.

“O homem negro tem de ser objeto de estudo específico quando se trata do fator previdenciário. Quando se une sexo e raça, o homem negro fica em uma situação perversa, prejudicando a eqüidade”, disse Rios-Neto.

Para a ministra Matilde Ribeiro, secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a desigualdade entre negros e brancos tem origem socioeconômica, mas traz embutido o racismo. “A sociedade brasileira se acostumou com a situação e passou a creditá-la à pobreza do país. Isso não é verdade. O que ocorre realmente é que as estruturas racistas instaladas no período colonial continuam em pleno vigor”, afirmou.

Fonte: Gazeta do Povo

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