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Bancos “tiram” poupança de família e empresas

As altas taxas de juros praticadas no país desde 1999 -ano da desvalorização cambial, quando a taxa básica bateu em 45%- e as fortes flutuações do dólar reduziram a participação de empresas produtivas e das famílias na formação da poupança do país. Em contrapartida, a dos bancos subiu. É o que revelam dados das Contas Nacionais de 2003 do IBGE (que medem o PIB), compilados pela Folha.
Em outras palavras, é o mesmo que dizer que sobrou menos dinheiro para as pessoas e as empresas guardarem, recursos que poderiam, no futuro, se converter em investimentos produtivos.
No caso de empresas, também pesou o fato de que elas tinham de pagar dívidas que cresceram com a alta do dólar, dizem economistas. No das famílias, um dos motivos é a retração da renda nos últimos anos, o que fez sobrar menos recursos para investimentos.
No período de 1999 a 2003, sob efeito dos juros elevados, só as instituições financeiras elevaram sua contribuição para a poupança. O governo, por sua vez, conseguiu reduzir sua poupança negativa -a chamada “despoupança”-, beneficiado pelo maior saldo da balança comercial e também pela alta das taxas de juros, que aumenta a procura por títulos públicos.
Os dados mostram que o conjunto das famílias brasileiras contribuiu com 52,76% para a poupança em 1999. A cifra caiu para 41,40% em 2003 -era ainda menor (36,51%) em 2002. Já as empresas voltadas para a produção participavam com 81,41% da poupança nacional em 1999. O número caiu a 61,77% em 2003. A participação das empresas financeiras, por sua vez, subiu de 4,52% em 1999 para 8,18% em 2003.
Os números não fecham 100% porque o governo, ao gastar mais do que arrecada por causa especialmente do pagamento de juros, sempre apresenta contribuição negativa para a poupança.
Os dados do IBGE revelam também que os bancos ganharam peso na economia como um todo. Sua participação no PIB passou de 5,99% em 1999 para 6,71% em 2003. Já a das famílias caiu de 34,36% para 31,35%.
Carlos Sobral, gerente do IBGE, diz ser “claro que os juros” têm impacto nas alterações na composição da poupança e no avanço da participação dos bancos.
No caso das empresas, ele afirma que as variações do câmbio sobre as dívidas, muitas delas em dólar, têm reflexo sobre os níveis de poupança. Citou a melhora no nível de poupança das companhias de 2002 para 2003, em razão da queda do dólar -a participação subiu de 55,55% para 61,77%.
Para Bráulio Borges, da LCA, “os grandes ganhos” que as empresas financeiras tiveram foram resultado “dos juros reais elevados e da forte depreciação cambial no período” de 1999 a 2002, que “reduziram-se um pouco” em 2003 com a queda do dólar.
Para Alex Agostini, da GRC Visão, além dos juros, a retração da renda também afetou a poupança das empresas.
“Com a mudança cambial, a renda sofreu um ajuste para baixo, ocasionando uma queda do consumo que, por sua vez, acarretou em redução da produção. O mesmo ocorreu com a elevação dos juros. Tais fatores justificam parte da redução da poupança das famílias e das empresas.”
Outra distorção causada pelos juros altos é o descompasso entre o aumento da taxa de poupança (quanto que um país poupa em relação ao PIB) e dos investimentos. Em economias estáveis, os dois sempre andam juntos. É que os juros altos atraem dinheiro para investimentos financeiros e em títulos do governo, e não para atividades produtivas, diz Borges.
“Os investimentos não acompanharam a taxa de poupança justamente pelo conturbado momento econômico que o país viveu nos últimos anos, o que fez com que os empresários ficassem receosos em investir.”
A taxa de poupança cresceu ano a ano e passou de 15,94% em 1999 a 21,01% em 2003. Já a de investimentos recuou e caiu de 18,90% para 17,78%.
A taxa de investimentos representa o valor injetado em máquinas, equipamentos e construção multiplicado por cem e dividido pelo valor total do PIB no mesmo período.
A poupança é a renda nacional bruta (o PIB menos rendas de propriedade e remunerações do trabalho enviados para fora) menos as despesas de consumo. Calcula-se a taxa de poupança multiplicando por cem o valor da poupança e dividindo pelo valor do PIB no período.
Fonte: Folha de São Paulo – Pedro Soares

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Bancos “tiram” poupança de família e empresas

As altas taxas de juros praticadas no país desde 1999 -ano da desvalorização cambial, quando a taxa básica bateu em 45%- e as fortes flutuações do dólar reduziram a participação de empresas produtivas e das famílias na formação da poupança do país. Em contrapartida, a dos bancos subiu. É o que revelam dados das Contas Nacionais de 2003 do IBGE (que medem o PIB), compilados pela Folha.

Em outras palavras, é o mesmo que dizer que sobrou menos dinheiro para as pessoas e as empresas guardarem, recursos que poderiam, no futuro, se converter em investimentos produtivos.

No caso de empresas, também pesou o fato de que elas tinham de pagar dívidas que cresceram com a alta do dólar, dizem economistas. No das famílias, um dos motivos é a retração da renda nos últimos anos, o que fez sobrar menos recursos para investimentos.

No período de 1999 a 2003, sob efeito dos juros elevados, só as instituições financeiras elevaram sua contribuição para a poupança. O governo, por sua vez, conseguiu reduzir sua poupança negativa -a chamada “despoupança”-, beneficiado pelo maior saldo da balança comercial e também pela alta das taxas de juros, que aumenta a procura por títulos públicos.

Os dados mostram que o conjunto das famílias brasileiras contribuiu com 52,76% para a poupança em 1999. A cifra caiu para 41,40% em 2003 -era ainda menor (36,51%) em 2002. Já as empresas voltadas para a produção participavam com 81,41% da poupança nacional em 1999. O número caiu a 61,77% em 2003. A participação das empresas financeiras, por sua vez, subiu de 4,52% em 1999 para 8,18% em 2003.

Os números não fecham 100% porque o governo, ao gastar mais do que arrecada por causa especialmente do pagamento de juros, sempre apresenta contribuição negativa para a poupança.

Os dados do IBGE revelam também que os bancos ganharam peso na economia como um todo. Sua participação no PIB passou de 5,99% em 1999 para 6,71% em 2003. Já a das famílias caiu de 34,36% para 31,35%.
Carlos Sobral, gerente do IBGE, diz ser “claro que os juros” têm impacto nas alterações na composição da poupança e no avanço da participação dos bancos.

No caso das empresas, ele afirma que as variações do câmbio sobre as dívidas, muitas delas em dólar, têm reflexo sobre os níveis de poupança. Citou a melhora no nível de poupança das companhias de 2002 para 2003, em razão da queda do dólar -a participação subiu de 55,55% para 61,77%.

Para Bráulio Borges, da LCA, “os grandes ganhos” que as empresas financeiras tiveram foram resultado “dos juros reais elevados e da forte depreciação cambial no período” de 1999 a 2002, que “reduziram-se um pouco” em 2003 com a queda do dólar.

Para Alex Agostini, da GRC Visão, além dos juros, a retração da renda também afetou a poupança das empresas.

“Com a mudança cambial, a renda sofreu um ajuste para baixo, ocasionando uma queda do consumo que, por sua vez, acarretou em redução da produção. O mesmo ocorreu com a elevação dos juros. Tais fatores justificam parte da redução da poupança das famílias e das empresas.”

Outra distorção causada pelos juros altos é o descompasso entre o aumento da taxa de poupança (quanto que um país poupa em relação ao PIB) e dos investimentos. Em economias estáveis, os dois sempre andam juntos. É que os juros altos atraem dinheiro para investimentos financeiros e em títulos do governo, e não para atividades produtivas, diz Borges.

“Os investimentos não acompanharam a taxa de poupança justamente pelo conturbado momento econômico que o país viveu nos últimos anos, o que fez com que os empresários ficassem receosos em investir.”

A taxa de poupança cresceu ano a ano e passou de 15,94% em 1999 a 21,01% em 2003. Já a de investimentos recuou e caiu de 18,90% para 17,78%.

A taxa de investimentos representa o valor injetado em máquinas, equipamentos e construção multiplicado por cem e dividido pelo valor total do PIB no mesmo período.

A poupança é a renda nacional bruta (o PIB menos rendas de propriedade e remunerações do trabalho enviados para fora) menos as despesas de consumo. Calcula-se a taxa de poupança multiplicando por cem o valor da poupança e dividindo pelo valor do PIB no período.

Fonte: Folha de São Paulo – Pedro Soares

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