Levantamento da SPC (Secretaria de Previdência Complementar) mostra que 54 fundos de pensão têm aplicações no Banco Santos. Desse total, 30 são entidades patrocinadas por empresas estatais (federais, estaduais e municipais). A estimativa da secretaria é que o conjunto dos fundos tenha investido R$ 595 milhões no banco. Os fundos de pensão são responsáveis pelo pagamento de aposentadorias complementares.
“Do ponto de vista sistêmico, a situação não preocupa. Não traz intranqüilidade para o setor”, afirmou o secretário da pasta, Adacir Reis. Existem atualmente em atividade no país 362 fundos de pensão, que reúnem R$ 238 bilhões em ativos aplicados em seus programas de investimento.
A SPC, que é a instância responsável pela regulação e pela fiscalização dos fundos de pensão, iniciou um trabalho para avaliar individualmente as 54 entidades que investiram no Banco Santos. A fiscalização checará se os limites permitidos pela legislação para aplicações foram respeitados.
Os fiscais também verificarão se a operação segue a política de investimentos definida pelos conselhos deliberativos das entidades. O objetivo é saber como ocorreu o processo de decisão do investimento e qual foi a sua motivação.
Reis adianta que, se for encontrado algum “problema”, a secretaria usará os mecanismos de repressão de que dispõe. Isso significa que os gestores dos fundos podem ser advertidos, suspensos ou inabilitados.
Além disso, há previsão legal de multa para o fundo ou para os administradores. “Sem prejuízo de responsabilização civil [com o objetivo de ressarcimento] ou penal”, acrescentou o secretário.
Ele disse que não há previsão para o término desse trabalho de fiscalização. A intenção, segundo ele, é conduzir a depuração das informações de maneira sóbria e tranqüila. “Porém, firme.”
Exposição
Preocupado em demonstrar que as aplicações desses fundos não colocam em risco a saúde do sistema, Reis enfatiza que, em alguns casos, os investimentos feitos pelos fundos não chegam a 0,01% de seus ativos. “A média é de 0,25%. Essas entidades representam apenas 15% do total.”
“Um ou outro [fundo] pode estar com uma exposição maior, vamos analisar caso a caso.” Chamaram a atenção do secretário notícias publicadas nos jornais, segundo as quais um fundo teria investido R$ 1 bilhão no Banco Santos. “São especulações.”
Reis disse que, se forem constatados problemas nas aplicações, a SPC investigará quais foram as razões da falha. “Por que isso foi possível? Vamos olhar o filme inteiro, não só a foto.”
O secretário afirmou que a intervenção no banco e os investimentos feitos pelos fundos traz à tona a discussão sobre o papel das agências de classificação.
O Banco Santos sofreu intervenção do Banco Central no dia 12 de novembro, depois de ficar seis meses sob fiscalização intensa. O banco tinha apenas 700 clientes. Sediada em São Paulo, a instituição é controlada por Edemar Cid Ferreira. Dados do BC apontavam o banco como o 21º maior do país, com cerca de R$ 6 bilhões em ativos, R$ 2 bilhões em depósitos e 303 funcionários.
Fonte: Folha de São Paulo – Julianna Sofia
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Por Mhais• 6 de dezembro de 2004• 09:54• Sem categoria
Fundos de pensão têm R$ 595 mi aplicados no Banco Santos
Levantamento da SPC (Secretaria de Previdência Complementar) mostra que 54 fundos de pensão têm aplicações no Banco Santos. Desse total, 30 são entidades patrocinadas por empresas estatais (federais, estaduais e municipais). A estimativa da secretaria é que o conjunto dos fundos tenha investido R$ 595 milhões no banco. Os fundos de pensão são responsáveis pelo pagamento de aposentadorias complementares.
“Do ponto de vista sistêmico, a situação não preocupa. Não traz intranqüilidade para o setor”, afirmou o secretário da pasta, Adacir Reis. Existem atualmente em atividade no país 362 fundos de pensão, que reúnem R$ 238 bilhões em ativos aplicados em seus programas de investimento.
A SPC, que é a instância responsável pela regulação e pela fiscalização dos fundos de pensão, iniciou um trabalho para avaliar individualmente as 54 entidades que investiram no Banco Santos. A fiscalização checará se os limites permitidos pela legislação para aplicações foram respeitados.
Os fiscais também verificarão se a operação segue a política de investimentos definida pelos conselhos deliberativos das entidades. O objetivo é saber como ocorreu o processo de decisão do investimento e qual foi a sua motivação.
Reis adianta que, se for encontrado algum “problema”, a secretaria usará os mecanismos de repressão de que dispõe. Isso significa que os gestores dos fundos podem ser advertidos, suspensos ou inabilitados.
Além disso, há previsão legal de multa para o fundo ou para os administradores. “Sem prejuízo de responsabilização civil [com o objetivo de ressarcimento] ou penal”, acrescentou o secretário.
Ele disse que não há previsão para o término desse trabalho de fiscalização. A intenção, segundo ele, é conduzir a depuração das informações de maneira sóbria e tranqüila. “Porém, firme.”
Exposição
Preocupado em demonstrar que as aplicações desses fundos não colocam em risco a saúde do sistema, Reis enfatiza que, em alguns casos, os investimentos feitos pelos fundos não chegam a 0,01% de seus ativos. “A média é de 0,25%. Essas entidades representam apenas 15% do total.”
“Um ou outro [fundo] pode estar com uma exposição maior, vamos analisar caso a caso.” Chamaram a atenção do secretário notícias publicadas nos jornais, segundo as quais um fundo teria investido R$ 1 bilhão no Banco Santos. “São especulações.”
Reis disse que, se forem constatados problemas nas aplicações, a SPC investigará quais foram as razões da falha. “Por que isso foi possível? Vamos olhar o filme inteiro, não só a foto.”
O secretário afirmou que a intervenção no banco e os investimentos feitos pelos fundos traz à tona a discussão sobre o papel das agências de classificação.
O Banco Santos sofreu intervenção do Banco Central no dia 12 de novembro, depois de ficar seis meses sob fiscalização intensa. O banco tinha apenas 700 clientes. Sediada em São Paulo, a instituição é controlada por Edemar Cid Ferreira. Dados do BC apontavam o banco como o 21º maior do país, com cerca de R$ 6 bilhões em ativos, R$ 2 bilhões em depósitos e 303 funcionários.
Fonte: Folha de São Paulo – Julianna Sofia
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