O diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Cavalheiro, disse hoje que não descarta a liqüidação do Banco Santos –que está sob intervenção desde o último dia 12.
Segundo o diretor, que hoje participou de uma audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, o balanço publicado em junho já apontava um patrimônio negativo. Na época, o banco foi aconselhado a reverter essa situação.
“Não restou outra alternativa ao Banco Central a não ser a intervenção.”
Sob intervenção, o banco precisa de um aporte de R$ 700 milhões para voltar a operar.
“Risco sistêmico”
O diretor-presidente da Austin Rating, agência classificadora de risco brasileira, Eriveto Rodrigues, alertou para a situação dos pequenos e médios bancos hoje, que estariam sofrendo uma crise de confiança por parte do mercado, o que classificou como “risco sistêmico”.
“Hoje em dia, qualquer investimento, qualquer fundação, fundo de investimento, empresa ela está tirando os recursos aplicados em pequeno e médio bancos com medo de que estas instituições vão quebrar. Isso está gerando um problema muito sério no mercado”, disse. E completou informando que duas semanas antes da intervenção, houve um grande número de saques. “Nenhum banco resiste a saques.”
Para Cavalheiro, “os fundamentos dos bancos são saudáveis”. No entanto, ele diz que o BC acompanha a situação dessas instituições de perto e pode agir caso seja necessário.
No último dia 19, o BC alterou as regras sobre o recolhimento do compulsório dos depósitos a vista para aumentar a liquidez dos bancos de porte menor.
A alíquota de recolhimento sobre os depósitos a prazo -recurso principalmente de aplicações em CDBs (Certificados de Depósito Bancário)-ficou mantida em 15%. Ou seja, de cada R$ 100 aplicados, R$ 15 devem ser recolhidos.
O que ocorreu é que o compulsório só será recolhido ao BC se o valor devido ultrapassar R$ 300 milhões. A medida funciona como uma espécie de desconto. Se o banco tem R$ 1 bilhão a recolher –valor calculado a partir da aplicação da alíquota de 15% sobre o saldo médio diário dos depósitos à prazo–, só precisa recolher R$ 700 milhões. Para R$ 300 milhões, o banco não terá nada há recolher.
Com a mudança, o banco fica com mais dinheiro em caixa para fazer aplicações financeiras ou conceder empréstimos.
Fonte: Folha Online – ANA PAULA RIBEIRO
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