Uma criança morre de fome no mundo a cada cinco segundos, concluiu relatório anual da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) divulgado ontem. Ao todo, são ao menos 5 milhões de crianças famintas mortas por ano.
Intitulado “Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2004” (SOFI, na sigla em inglês), o relatório estima ainda que fome e desnutrição custam de US$ 500 milhões e US$ 1 trilhão, incluindo neste cálculo custos como perda de produtividade, renda, investimento e consumo.
A FAO avalia que o mundo fez pouco progresso no combate à fome desde que assumiu, em 1996, o compromisso de cortar pela metade o número de pessoas famintas no mundo até 2015.
Esse objetivo foi fixado na Cúpula Mundial sobre Alimentação naquele ano e, posteriormente, como parte das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU.
A população com fome hoje no mundo é de 152 milhões, afirma o documento, com base em dados de 2000-2002 -um aumento de 18 milhões em comparação com o período de 1990-1992.
Do total, 814,6 milhões estão em países em desenvolvimento, como China, Bolívia e Angola, e 38,3 milhões nos países em transição, como Rússia, Ucrânia e Croácia. Os famintos são 9 milhões em países industrializados, como a Austrália, o Reino Unido e os EUA.
Para o organismo, os recursos necessários para combater a fome são pequenos em comparação com os custos.
A FAO afirma que, com apenas US$ 25 milhões por ano, seria possível reduzir drasticamente a desnutrição nos 15 países com os piores resultados na África e na América Latina e salvar 900 mil crianças da morte até 2015.
Para medir a fome, a FAO considera a ingestão calórica, a quantidade de comida disponível e as desigualdades no acesso aos estoques de alimento.
“O mundo está se tornando cada vez mais rico e produzindo cada vez mais comida”, disse Hartwig de Haen, o diretor-geral-adjunto da FAO. “O problema é o acesso das pessoas a trabalho, recursos, terra e dinheiro para comprar comida.”
“É possível que a comunidade internacional não tenha compreendido totalmente os benefícios econômicos que teriam com investimentos na redução da fome”, avaliou De Haen. “Já se sabe o suficiente sobre como erradicar a fome e agora é hora de aproveitar o momento para esse objetivo. É uma questão de vontade política e de prioridade”, afirmou.
Avanços
Apesar das críticas, a FAO é otimista. “Mais de 30 países representando quase a metade da população do mundo em desenvolvimento dão prova de que um progresso rápido é possível, além de lições de como esse progresso pode ser alcançado”, afirma o relatório. Entre esses países estão Brasil, China, Chile, Nigéria e Tailândia.
“Há ampla evidência de que um rápido progresso é possível pela aplicação de uma estratégia de duas vias, que ataque tanto as causas como as conseqüências da pobreza e da fome”, diz o texto.
“A primeira via inclui intervenções para melhorar a disponibilidade de alimentos e a renda dos pobres aumentando suas atividades produtivas. A segunda via inclui programas direcionados que dêem às famílias mais necessitadas acesso direto e imediato à comida”, acrescenta.
Fonte: Folha de São Paulo
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Por Mhais• 9 de dezembro de 2004• 11:39• Sem categoria
Fome mata uma criança a cada cinco segundos
Uma criança morre de fome no mundo a cada cinco segundos, concluiu relatório anual da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) divulgado ontem. Ao todo, são ao menos 5 milhões de crianças famintas mortas por ano.
Intitulado “Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2004” (SOFI, na sigla em inglês), o relatório estima ainda que fome e desnutrição custam de US$ 500 milhões e US$ 1 trilhão, incluindo neste cálculo custos como perda de produtividade, renda, investimento e consumo.
A FAO avalia que o mundo fez pouco progresso no combate à fome desde que assumiu, em 1996, o compromisso de cortar pela metade o número de pessoas famintas no mundo até 2015.
Esse objetivo foi fixado na Cúpula Mundial sobre Alimentação naquele ano e, posteriormente, como parte das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU.
A população com fome hoje no mundo é de 152 milhões, afirma o documento, com base em dados de 2000-2002 -um aumento de 18 milhões em comparação com o período de 1990-1992.
Do total, 814,6 milhões estão em países em desenvolvimento, como China, Bolívia e Angola, e 38,3 milhões nos países em transição, como Rússia, Ucrânia e Croácia. Os famintos são 9 milhões em países industrializados, como a Austrália, o Reino Unido e os EUA.
Para o organismo, os recursos necessários para combater a fome são pequenos em comparação com os custos.
A FAO afirma que, com apenas US$ 25 milhões por ano, seria possível reduzir drasticamente a desnutrição nos 15 países com os piores resultados na África e na América Latina e salvar 900 mil crianças da morte até 2015.
Para medir a fome, a FAO considera a ingestão calórica, a quantidade de comida disponível e as desigualdades no acesso aos estoques de alimento.
“O mundo está se tornando cada vez mais rico e produzindo cada vez mais comida”, disse Hartwig de Haen, o diretor-geral-adjunto da FAO. “O problema é o acesso das pessoas a trabalho, recursos, terra e dinheiro para comprar comida.”
“É possível que a comunidade internacional não tenha compreendido totalmente os benefícios econômicos que teriam com investimentos na redução da fome”, avaliou De Haen. “Já se sabe o suficiente sobre como erradicar a fome e agora é hora de aproveitar o momento para esse objetivo. É uma questão de vontade política e de prioridade”, afirmou.
Avanços
Apesar das críticas, a FAO é otimista. “Mais de 30 países representando quase a metade da população do mundo em desenvolvimento dão prova de que um progresso rápido é possível, além de lições de como esse progresso pode ser alcançado”, afirma o relatório. Entre esses países estão Brasil, China, Chile, Nigéria e Tailândia.
“Há ampla evidência de que um rápido progresso é possível pela aplicação de uma estratégia de duas vias, que ataque tanto as causas como as conseqüências da pobreza e da fome”, diz o texto.
“A primeira via inclui intervenções para melhorar a disponibilidade de alimentos e a renda dos pobres aumentando suas atividades produtivas. A segunda via inclui programas direcionados que dêem às famílias mais necessitadas acesso direto e imediato à comida”, acrescenta.
Fonte: Folha de São Paulo
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