Edemar Cid Ferreira proporá aos credores do Banco Santos que assumam o controle da instituição. O modelo foi desenhado pelo ex-diretor de Liqüidações do Banco Central Carlos Eduardo de Freitas, da consultoria Valora, contratada por Edemar para buscar uma saída que evite a liqüidação da instituição.
Edemar já concordou com o formato apresentado por Freitas, apesar de ainda estar em fase inicial, faltando muitos detalhes a serem definidos. Ele sabe que o banco não terá como voltar a operar sob seu comando, mesmo que indireto, devido à perda de credibilidade da instituição. “O governo não porá dinheiro público para salvar o banco. Portanto é preciso uma saída de mercado para a instituição”, disse Freitas à Folha.
A idéia é manter o banco em funcionamento para permitir a venda para outra instituição privada. Por avaliar que a liqüidação acarretará perdas para todas as partes envolvidas muito maiores do que numa solução negociada, Freitas acredita que os credores tenderão a aceitar a proposta.
O Banco Santos sofreu intervenção do BC no dia 12 do mês passado, devido a dois fatores principais: a baixa qualidade dos empréstimos concedidos (para muitos tomadores sem aparente capacidade de honrá-los) e por conta de um patrimônio líquido negativo na data de R$ 100 milhões.
Agora há duas possibilidades para o banco. Ou a venda para algum interessado do setor privado ou a liqüidação extrajudicial pelo BC. Na segunda hipótese, o interventor nomeado pelo BC trata de levantar todos os ativos (bens e direitos, como créditos a receber e imóveis) para pagar os credores.
Freitas ressalta que, no caso da liqüidação, muitos dos ativos passam a valer menos, devido ao fato de o banco não estar em funcionamento. Por sua proposta, os credores teriam de converter parte de seus direitos em capital do banco. Ou seja, dívidas virariam ações. Assim, a situação patrimonial seria sanada. Quando interveio no banco, o BC informou que seriam necessários cerca de R$ 700 milhões para que a instituição pudesse voltar a operar.
Pela modelagem de Freitas, os números do banco seriam melhorados nos dois lados simultaneamente. O endividamento diminuiria ao passo que o capital próprio aumentaria, eliminando o buraco nas contas da instituição.
Pelos dados do BC, o Santos contava com cerca de 700 clientes na data da intervenção, a grande maioria empresas. Somente em depósitos a prazo (dinheiro emprestado ao banco, como, por exemplo, por meio de compra de Certificados de Depósitos Bancários) eram R$ 1,8 bilhão.
Freitas disse que, mesmo dentro desse formato, os credores perderão. “Menos do que se o banco for à liqüidação”, ressalta. Se o banco for liqüidado, disse, os primeiros passivos a serem pagos são os trabalhistas, depois os créditos fiscais, o que reduziria bastante os recursos para os demais credores.
Ele também sabe que o sucesso de sua proposta depende da venda do banco para uma instituição privada, o que certamente não é uma tarefa fácil, dadas as condições da instituição. “Muito mais difícil será se não houver esse acerto com os credores, pois a situação patrimonial do banco continuará negativa”.
Como ainda é um “croqui” da modelagem, Freitas disse que seria precipitado falar agora em como seria a gestão do banco a cargo dos credores, se concordarem com a proposta.
Na liqüidação extrajudicial, os bens do controlador e dos administradores do banco são arrestados e podem ser vendidos para cobrir o rombo. Freitas não descarta que, no modelo por ele desenhado, o dono da instituição precise também injetar recursos no banco. “Pode ser que os credores exijam alguma contrapartida. Isso tudo será negociado”, disse.
Certamente, ainda sim, esse formato é mais vantajoso para Edemar, que não teria seus bens indisponíveis. Freitas ressaltou, contudo, que o dono do banco não estaria livre de eventuais processos na esfera criminal.
Fonte: Folha de S. Paulo – LEONARDO SOUZA
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Por Mhais• 15 de dezembro de 2004• 11:23• Sem categoria
Edemar quer que credor assuma banco
Edemar Cid Ferreira proporá aos credores do Banco Santos que assumam o controle da instituição. O modelo foi desenhado pelo ex-diretor de Liqüidações do Banco Central Carlos Eduardo de Freitas, da consultoria Valora, contratada por Edemar para buscar uma saída que evite a liqüidação da instituição.
Edemar já concordou com o formato apresentado por Freitas, apesar de ainda estar em fase inicial, faltando muitos detalhes a serem definidos. Ele sabe que o banco não terá como voltar a operar sob seu comando, mesmo que indireto, devido à perda de credibilidade da instituição. “O governo não porá dinheiro público para salvar o banco. Portanto é preciso uma saída de mercado para a instituição”, disse Freitas à Folha.
A idéia é manter o banco em funcionamento para permitir a venda para outra instituição privada. Por avaliar que a liqüidação acarretará perdas para todas as partes envolvidas muito maiores do que numa solução negociada, Freitas acredita que os credores tenderão a aceitar a proposta.
O Banco Santos sofreu intervenção do BC no dia 12 do mês passado, devido a dois fatores principais: a baixa qualidade dos empréstimos concedidos (para muitos tomadores sem aparente capacidade de honrá-los) e por conta de um patrimônio líquido negativo na data de R$ 100 milhões.
Agora há duas possibilidades para o banco. Ou a venda para algum interessado do setor privado ou a liqüidação extrajudicial pelo BC. Na segunda hipótese, o interventor nomeado pelo BC trata de levantar todos os ativos (bens e direitos, como créditos a receber e imóveis) para pagar os credores.
Freitas ressalta que, no caso da liqüidação, muitos dos ativos passam a valer menos, devido ao fato de o banco não estar em funcionamento. Por sua proposta, os credores teriam de converter parte de seus direitos em capital do banco. Ou seja, dívidas virariam ações. Assim, a situação patrimonial seria sanada. Quando interveio no banco, o BC informou que seriam necessários cerca de R$ 700 milhões para que a instituição pudesse voltar a operar.
Pela modelagem de Freitas, os números do banco seriam melhorados nos dois lados simultaneamente. O endividamento diminuiria ao passo que o capital próprio aumentaria, eliminando o buraco nas contas da instituição.
Pelos dados do BC, o Santos contava com cerca de 700 clientes na data da intervenção, a grande maioria empresas. Somente em depósitos a prazo (dinheiro emprestado ao banco, como, por exemplo, por meio de compra de Certificados de Depósitos Bancários) eram R$ 1,8 bilhão.
Freitas disse que, mesmo dentro desse formato, os credores perderão. “Menos do que se o banco for à liqüidação”, ressalta. Se o banco for liqüidado, disse, os primeiros passivos a serem pagos são os trabalhistas, depois os créditos fiscais, o que reduziria bastante os recursos para os demais credores.
Ele também sabe que o sucesso de sua proposta depende da venda do banco para uma instituição privada, o que certamente não é uma tarefa fácil, dadas as condições da instituição. “Muito mais difícil será se não houver esse acerto com os credores, pois a situação patrimonial do banco continuará negativa”.
Como ainda é um “croqui” da modelagem, Freitas disse que seria precipitado falar agora em como seria a gestão do banco a cargo dos credores, se concordarem com a proposta.
Na liqüidação extrajudicial, os bens do controlador e dos administradores do banco são arrestados e podem ser vendidos para cobrir o rombo. Freitas não descarta que, no modelo por ele desenhado, o dono da instituição precise também injetar recursos no banco. “Pode ser que os credores exijam alguma contrapartida. Isso tudo será negociado”, disse.
Certamente, ainda sim, esse formato é mais vantajoso para Edemar, que não teria seus bens indisponíveis. Freitas ressaltou, contudo, que o dono do banco não estaria livre de eventuais processos na esfera criminal.
Fonte: Folha de S. Paulo – LEONARDO SOUZA
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