(São Paulo) A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que será divulgada na quinta-feira, é o principal foco dos investidores nesta semana mais curta que, para o mercado financeiro, termina na quinta-feira, por causa do Natal. “A ata do Copom é a principal variável a ser monitorada”, diz Alexandre Lintz, estrategista-chefe do Banco BNP Paribas Brasil.
O interesse do mercado é identificar nos termos da ata pistas que apontem possível fim do ciclo de elevação da taxa básica de juros iniciada em setembro. Em quatro reuniões do Copom, o juro básico passou por reajuste de 1,75 ponto porcentual e fecha o ano equilibrado em 17,75%.
Lintz comenta que a idéia de que a temporada de alta do juro chegou ao fim poderá ser reforçada também pelo Relatório de Inflação que será divulgado pelo BC na próxima semana. O relatório deverá explicitar o cenário projetado para a inflação e o crescimento econômico em 2005.
“A atividade econômica já está dando sinais de desaceleração”, avalia. A questão, segundo Lintz, é saber a leitura desse processo pelo BC: se a redução do ritmo de crescimento deriva de fatores estruturais ou é circunstancial. Já o cenário para a inflação tende a ser de melhora, comenta, por causa de fatores positivos como a queda dos preços do petróleo, do dólar, além da energia elétrica, projetada a partir dos últimos leilões de venda de energia. O estrategista-chefe do BNP Paribas não tem dúvidas de que, quanto mais a estimativa de inflação estiver distante de 5,1%, a meta definida para o IPCA para 2005, mais tempo o BC vai levar para retomar a redução dos juros.
Um indicador importante de inflação, que será conhecido na terça-feira, é o IPCA-15 de dezembro. A expectativa é que ele reprise a variação de 0,69% do IPCA em novembro, mas o dado mais importante, comenta Lintz, será o comportamento do núcleo e do índice de difusão – itens que subiram em relação ao índice anterior. “Uma redução do núcleo e do índice de difusão é importante para sinalizar que acabou o ciclo de alta das taxas de juro.”
Outro fato que vai atrair a atenção será a divulgação, hoje, de dados referentes às contas do setor externo. É provável que, entre outros dados, o BC anuncie o volume de dólares que comprou em novembro e dezembro. Lintz estima que as compras do BC e do Tesouro nesse período passem de US$ 1 bilhão. “Os dados devem agradar ao mercado, porque o BC está acumulando reservas sem pressionar o câmbio.”
Na quarta-feira serão conhecidos os dados referentes às contas públicas, com destaque para o superávit primário. O executivo do BNP Paribas prevê a acumulação de superávit primário (reservas para a quitação dos juros da dívida pública) equivalente a 4,75% do PIB nos últimos 12 meses. “É por isso que o risco país está vindo abaixo de 400 pontos.” Na sexta-feira, esse indicador de desconfiança do investidor sobre a capacidade do País de pagar a dívida caiu para 394 pontos-base, nível mais baixo desde os 374 pontos de 23 de outubro de 1997, portanto em mais de sete anos.
Fonte: O Estadão
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Por Mhais• 20 de dezembro de 2004• 13:03• Sem categoria
Ata do Copom é destaque da semana
(São Paulo) A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que será divulgada na quinta-feira, é o principal foco dos investidores nesta semana mais curta que, para o mercado financeiro, termina na quinta-feira, por causa do Natal. “A ata do Copom é a principal variável a ser monitorada”, diz Alexandre Lintz, estrategista-chefe do Banco BNP Paribas Brasil.
O interesse do mercado é identificar nos termos da ata pistas que apontem possível fim do ciclo de elevação da taxa básica de juros iniciada em setembro. Em quatro reuniões do Copom, o juro básico passou por reajuste de 1,75 ponto porcentual e fecha o ano equilibrado em 17,75%.
Lintz comenta que a idéia de que a temporada de alta do juro chegou ao fim poderá ser reforçada também pelo Relatório de Inflação que será divulgado pelo BC na próxima semana. O relatório deverá explicitar o cenário projetado para a inflação e o crescimento econômico em 2005.
“A atividade econômica já está dando sinais de desaceleração”, avalia. A questão, segundo Lintz, é saber a leitura desse processo pelo BC: se a redução do ritmo de crescimento deriva de fatores estruturais ou é circunstancial. Já o cenário para a inflação tende a ser de melhora, comenta, por causa de fatores positivos como a queda dos preços do petróleo, do dólar, além da energia elétrica, projetada a partir dos últimos leilões de venda de energia. O estrategista-chefe do BNP Paribas não tem dúvidas de que, quanto mais a estimativa de inflação estiver distante de 5,1%, a meta definida para o IPCA para 2005, mais tempo o BC vai levar para retomar a redução dos juros.
Um indicador importante de inflação, que será conhecido na terça-feira, é o IPCA-15 de dezembro. A expectativa é que ele reprise a variação de 0,69% do IPCA em novembro, mas o dado mais importante, comenta Lintz, será o comportamento do núcleo e do índice de difusão – itens que subiram em relação ao índice anterior. “Uma redução do núcleo e do índice de difusão é importante para sinalizar que acabou o ciclo de alta das taxas de juro.”
Outro fato que vai atrair a atenção será a divulgação, hoje, de dados referentes às contas do setor externo. É provável que, entre outros dados, o BC anuncie o volume de dólares que comprou em novembro e dezembro. Lintz estima que as compras do BC e do Tesouro nesse período passem de US$ 1 bilhão. “Os dados devem agradar ao mercado, porque o BC está acumulando reservas sem pressionar o câmbio.”
Na quarta-feira serão conhecidos os dados referentes às contas públicas, com destaque para o superávit primário. O executivo do BNP Paribas prevê a acumulação de superávit primário (reservas para a quitação dos juros da dívida pública) equivalente a 4,75% do PIB nos últimos 12 meses. “É por isso que o risco país está vindo abaixo de 400 pontos.” Na sexta-feira, esse indicador de desconfiança do investidor sobre a capacidade do País de pagar a dívida caiu para 394 pontos-base, nível mais baixo desde os 374 pontos de 23 de outubro de 1997, portanto em mais de sete anos.
Fonte: O Estadão
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