BASILÉIA – Os maiores bancos privados internacionais e os principais bancos centrais do planeta fizeram uma avaliação ” razoavelmente positiva ? ? da economia mundial, em reunião ontem no Banco para Compensações Internacionais (BIS), na Basiléia (Suíça). O único emergente convidado foi o Brasil, através do BC e do Banco Itaú.
Eles constataram que os mercados estão precificando no momento um nível de risco ? ? equilibrado, que não é alto ? ? para a economia global este ano e não esperam movimentos ? ? abruptos ? ? , apesar das preocupações com o impacto do ajuste do dólar e alta de juros nos Estados Unidos.
A avaliação do próprio BIS, para ajudar no debate, destacou os riscos persistentes por causa dos desequilíbrios na economia mundial. O banco dos bancos centrais enfatizou a defasagem relativamente grande entre o que acontece nos mercados, por exemplo, com o valor do dólar, e o que vai acontecer nos EUA e nas demais economias como resultado do ajuste que já aconteceu da moeda americana. Ou seja, a queda do dolar não se refletiu nos ativos de maneira geral, como nos preços das commodities etc.
Analistas nos Estados Unidos e na Europa estimam que o Federal Reserve (Fed), o BC americano, vai continuar aumentando as taxas de juros em 25 pontos básicos em cada futura reunião até agosto, o que elevará a taxa a 3,5% ao ano até la.
Nesse cenário, o mercado de juros do Tesouro americano volta a atrair a atenção dos investidores internacionais. O capital que migrou para os emergentes entre 2002-2004 dará início a seu caminho de volta. Com esse efeito do retorno de capital, os mercados emergentes sofrem ajustes em seus ativos financeiros – bolsas, títulos da dívida soberana, risco-país e taxa de câmbio. Há assim risco de novo desarranjo nas economias emergentes, com a saída do elevado volume de capitais que essas economias receberam das economias industrializadas nos últimos três anos.
O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, reconhece que ” riscos de estresse e movimentos abruptos ? ? nos ativos podem ocorrer de todo jeito, desde retorno maior de volta de capitais para os EUA, tão radical que complica a situação dos emergentes, como também o oposto a isso, com os investidores fazendo uma fuga desordenada do dólar e recorrendo também para os emergentes.
Mas ressalva que uma das conclusões do encontro de ontem no BIS foi justamente de que os mercados ? ? não estão precificando ainda esse tipo de risco ? ? . Segundo Meirelles, ” está-se dizendo que, principalmente em relação ao dólar, os mercados não estão precificando no momento riscos elevados. E se espera um movimento ordenado seja em qualquer direção ? ? . De acordo com Meirelles, ficou enfatizado ontem em Basiléia que, independente do risco ou do que ocorra no cenário internacional, o Brasil está bem preparado para essa movimentação ” na medida em que os fundamentos da economia brasileira estão num dos melhores momentos de sua história ? ? .
” Só se falou bem do Brasil ? ? , reforçou Roberto Setubal, presidente do Banco Itaú. Segundo ele, os participantes manifestaram uma ? ? preocupação normal ? ? com a conjuntura atual, o que significa correção ” sem crise ” no mercado. O Brasil, único emergente presente, tem se tornando menos e menos assunto da reunião. Meirelles disse que a avaliação foi de que uma das razões pelas quais a economia mundial hoje oferece menos risco é o ajuste feito por alguns emergentes. ? ? O Brasil é fator importante hoje no maior equilibrio da economia mundial ? ? , disse.
(Assis Moreira | Valor Econômico)
Deixe um comentário