Alta da Selic faz taxa média mensal cobrada pelos bancos ir a 8,10%; especialista recomenda evitar uso
A taxa média mensal de juros do cheque especial voltou a subir nos primeiros dias de janeiro, saindo de 8,06%, em dezembro, para 8,10%. É a maior taxa desde dezembro de 2003. Ao ano, essa taxa é de 154,5%. Segundo o Procon, que monitora as taxas praticadas por dez grandes bancos, o movimento revela uma tendência de alta e é resultado dos aumentos da Selic, o juro básico da economia, pelo Copom ( Comitê de Política Monetária do Banco Central).
Amanhã o Copom decide, novamente, se mantém ou sobe a Selic. O mercado já aposta em uma alta de 0,5 ponto percentual, segundo analistas. A Selic está hoje em 17,75% ao ano. “Historicamente, sempre que o Copom sobe a taxa básica, os juros no cheque especial aumentam; quando ele corta a taxa, os juros caem, e quando ele mantém, os bancos estabilizam os juros nesse produto”, observa Vinícius Zwarg, chefe de gabinete do Procon.
Segundo Roberto Luís Troster, economista-chefe da Febraban, “há uma correlação entre todas as taxas de juros do mercado, inclusive com a Selic”, a taxa básica de curto prazo. Se o Copom aumentar a taxa na reunião de amanhã, gerará um aumento do custo do dinheiro e “alguma coisa será repassada pelos bancos às diversas modalidades de crédito”, diz ele.
Segundo Troster, as modalidades de prazo mais curto, como o cheque especial, são mais afetadas quando sobe a taxa básica. Ele lembra que o comportamento da Selic influencia a curva de juros – a taxa para todos os prazos-, que não necessariamente segue a mesma direção da taxa básica. “Às vezes, a Selic sobe de repente e a curva de juros inverte, pois juro mais alto significa inflação menor. Aí os juros de longo prazo caem e a curva de juros fica invertida”, diz ele.
Troster diz que “o cheque especial é dos produtos bancários mais caros e não é um instrumento de crédito, mas uma comodidade para o cliente que ficar com saldo devedor por alguns dias”. Segundo Troster, para a concessão de crédito o juro relevante é o de longo prazo. “O ideal é não usar o cheque especial e ir para um produto de crédito”, sugere.
Também Zwarg, do Procon, diz que o cliente de banco que estiver girando dívida no cheque especial deve buscar um empréstimo pessoal para quitar o débito, pois o juro nessa modalidade é menor. “Quem tiver vínculo empregatício deve buscar o crédito consignado [com desconto em folha de pagamento pela empresa], que tem juros inferiores ao do crédito pessoal”, diz ele. Nessa modalidade, a taxa é de cerca de 2% ao mês.
Segundo a pesquisa mensal do Procon, a taxa média nos empréstimos pessoais encontrada no dia 3 de janeiro nos dez grandes bancos foi de 5,22% ao mês. Em dezembro, havia sido encontrada uma taxa média de 5,21% pelo Procon. Ao ano, a taxa nos empréstimos pessoais equivale a 84,13%.
A pesquisa mensal do Procon foi realizada junto a HSBC, Banespa, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Santander, Nossa Caixa, Real e Unibanco. Dessas dez instituições, apenas três não aumentaram o juro no cheque especial em janeiro e só uma aumentou o do crédito pessoal.
O maior aumento no cheque especial foi do Itaú, que subiu o juro de 8,25% para 8,40% ao mês – alta de 1,82%. Em seguida ficou a CEF, cuja taxa aumentou de 7,33% para 7,45% ao mês, com alta de 1,64%. O HSBC alterou de 8,25% para 8,37% ao mês – alta de 1,45%.
Fonte: Folha de S.Paulo – SANDRA BALBI
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