(São Paulo) Ano Novo. Comitê de Política Monetária no ritmo do ano que se foi. Especulação em alta. O mercado financeiro se agita nesta terça-feira a espera de uma alta na taxa básica de juros da economia, a Selic, de 0,5% passando, portanto, para 18,25%. Os mecanismos de controle da inflação continuam desestimulando o acesso ao crédito e favorecendo os agentes do mercado.
Quem acaba ganhando mais com a alta da Selic são os bancos. São eles que praticam taxas de empréstimo altas, pouco acessíveis para a maioria da população – ansiosa por juros mais baixos e maior prazo para pagamento. Para o presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas, os bancos são pouco transparentes quando tratam de divulgar os índices que compõem essas taxas. “Que indicadores compõem os juros cobrados dos clientes? Com base em quais índices?”, questiona.
Para o economista do Dieese da subseção CNB/CUT, Murilo Barella, o valor estimado para o risco de empréstimo contido nos juros bancários é ainda mais intrigante do que a classificação do risco país pelas agências internacionais. “Não sabemos como os bancos fazem essa avaliação”, argumenta.
Quando o assunto é política de Recursos Humanos e Balanço, os bancos também pecam na falta de transparência. “Somente técnicos podem avaliar um balanço de banco com clareza. O ramo que mais lucra no país tem obrigações com a sociedade. Mostrar com mais eficiência como trabalha é somente umas delas”, explica o presidente da CNB/CUT.
Já as demissões e o remanejamento de funcionários acabam sendo comunicados após a implementação de políticas de reestruturação dos bancos, sem qualquer tipo de punição.
A transparência é pré-requisito também quando o assunto é responsabilidade social. “A transparência levaria a um controle social”, afirma Vagner Freitas. A partir daí poderia haver começar a haver responsabilidade social, tão anunciada pelas campanhas publicitárias milionárias das instituições financeiras.
Fonte: CNB/CUT – Carolina Coronel
Deixe um comentário