HSBC anuncia abertura de agências aos sábados sem falar em contratar funcionários, em cumprir a convenção coletiva da categoria e sem consultar os sindicatos de bancários
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Em matéria publicada pelo O Estado de S. Paulo do dia 19/1, o presidente do HSBC no Brasil, Emílson Alonso, é entrevistado divulgando um projeto piloto para abrir de 18 a 20 agências aos sábados. O banco já mantém várias agências no país funcionando para o público em horários diferenciados.
A nota não esclarece o óbvio: quando Alonso pretende convocar o Sindicato e a Confederação Nacional dos Bancários para apresentar o projeto e anunciar como vai respeitar a convenção coletiva e quantos bancários vai contratar para atender a nova demanda.
“Fazer marketing com o sacrifício dos funcionários é fácil. O HSBC não pode simplesmente dizer que vai abrir agências aos sábados, sem antes esclarecer como vai fazê-lo”, afirma a secretária-geral do Sindicato, Juvandia Moreira.
Ela avisa que, da maneira como o banco está fazendo, a abertura de agências aos sábados é ilegal. “O Sindicato não vai permitir sequer o início de um projeto experimental desse tipo, sem que estejam devidamente acertadas as questões do emprego no HSBC e do cumprimento da convenção coletiva (horas extras etc.), que têm conseqüências diretas na qualidade de vida dos funcionários, que já estão submetidos a uma pressão absurda e não podem ser convocados para trabalhar inclusive aos sábados”, continua.
Juvandia completa dizendo que o Sindicato vai tomar todas as medidas judiciais cabíveis para barrar as intenções de Alonso, enquanto o respeito aos trabalhadores não for devidamente estabelecido e o HSBC falar apenas em aumentar o trabalho, sem assumir as devidas responsabilidades sociais.
Só problemas – A Comissão dos Empregados do HSBC se reúne com o banco na próxima semana, em Curitiba, para discutir o horário diferenciado de atendimento aos clientes em algumas agências. Em 164 delas (principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte), os bancários recebem o público por oito horas diárias, com uma hora de intervalo para o almoço.
O Sindicato luta pela ampliação do horário bancário com a criação de um novo turno de trabalho, como forma de gerar empregos e estabilidade social no país. Diferente do que o HSBC impõe aos seus bancários. “O expediente foi ampliado, mas não se contratou mais pessoas e agora os funcionários estão sobrecarregados”, protesta o diretor do Sindicato Paulo Rogério Alves.
A situação tornou-se mais preocupante depois que Emílson Alonso declarou que pretende conquistar 100 mil novas contas em 2005, algo em torno de 400 novos clientes por dia. “Isso é assédio moral. É inaceitável que se aumentem as metas mas não se fale sobre ampliar o número de bancários capacitados para oferecer um atendimento de nível. Vamos à Curitiba reivindicar condições humanas de trabalho no HSBC” alerta o diretor.
Na reunião com o banco, a comissão também vai negociar o enquadramento dos ex-funcionários da financeira Losango, hoje tratados como promotores de vendas, à categoria de bancários.
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