O Brasil é um país com 175 milhões de idiotas e apenas oito sabichões. Talvez isso explique, em parte, seu subdesenvolvimento. Os oito sabichões são os diretores do Banco Central que compõem o Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do BC que se reúne mensalmente para fixar a taxa básica de juros da economia, a Selic.
Nesta semana, o Copom elevou os juros em 0,5 ponto percentual. A taxa passou de 17,75% ao ano para 18,25%. O país inteiro chiou. No próprio governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, acharam um disparate, apesar das cansativas defesas de praxe.
Só os oito sabichões do BC estão certos. Será?
Após a quinta alta consecutiva dos juros, o BC conquistou o campeonato mundial de maior taxa do planeta. Com a decisão, os juros reais (descontando-se a inflação futura nos próximos 12 meses) já passam dos 12% ao ano. A taxa já estava num patamar alto. Elevá-la ainda mais deverá impor um sacrifício econômico desnecessário ao país.
A alegação de sempre é o combate a uma suposta ameaça inflacionária, o que seria mais prejudicial ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Aliás, cabe refrescar um pouco a memória do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, que ao defender o Copom disse que a decisão de elevar os juros “reage a um mal maior, que se chama inflação”.
Ora, o ministro não se lembra de ter dito em cadeia nacional de rádio e TV que a batalha da inflação já havia sido vencida? Em 24 de outubro de 2003, Palocci sentenciou, literalmente: “A inflação está finalmente controlada”. E emendou que o país estava “pronto agora para voltar a crescer”.
Por educação, o Copom e Palocci deveriam enviar uma cartinha ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em jantar com senadores em dezembro, disse que havia chegado ao fim o atual processo de elevação dos juros. Como o presidente não tirou essa idéia da cartola, mas a ouviu da boca do ministro da Fazenda, urge que seja alertado.
Pega muito mal presidente da República falar uma coisa e ser desautorizado depois.
Tem mais. O BC sinaliza que novas altas poderão vir. Não quer correr o risco de perder o título de campeão mundial de juros. O negócio é abrir uma dianteira, ter um confortável saldo de gols. Afinal, futebol e juro alto são com o Brasil mesmo.
Kennedy Alencar – Repórter especial da Sucursal de Brasília da Folha
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