O grupo Unibanco encerrou 2004 com lucro líquido de R$ 1,283 bilhão, volume 22% superior ao resultado de R$ 1,052 bilhão registrado no ano anterior.
Segundo a consultoria Economática, esse é o segundo melhor resultado da história do banco. O maior lucro foi registrado em 2001 (R$ 1,286 bilhões, segundo dados corrigidos pelo IPCA).
No quarto trimestre, o banco obteve lucro de R$ 375 milhões, contra R$ 291 milhões em igual período de 2003 e R$ 327 milhões no terceiro trimestre de 2004.
O Unibanco é o segundo entre os grandes bancos brasileiros a divulgar resultados referentes a 2004. O primeiro foi o Bradesco, que registrou lucro recorde de R$ 3,06 bilhões no ano.
A receita total de prestação de serviços –o que inclui os ganhos com tarifas bancárias– atingiu R$ 851 milhões no quarto trimestre e R$ 3,241 bilhões no ano, apresentando crescimento de 14% frente a 2003. Esse dinheiro foi suficiente para bancar 64,1% das despesas administrativas e dos salários, ante 62,1% em 2003.
As despesas de pessoal e administrativas apresentaram crescimento de 4,4% no trimestre e 10,5% no ano.
O índice de Basiléia do Unibanco –limite de exposição dos bancos a riscos– ficou em 16,3 %, acima do mínimo exigido pelo Banco Central (11%).
Os ativos totais do Unibanco atingiram R$ 79,350 bilhões, aumento de 14%. Do total, R$ 31,796 bilhões eram representados por operações de crédito; R$ 16,604 bilhões por títulos e valores mobiliários e instrumentos financeiros derivativos; e R$ 14,377 bilhões por aplicações interfinanceiras de liquidez.
Captação
A captação do Unibanco atingiu R$ 95,636 bilhões, incluindo R$ 32,979 bilhões em fundos de investimento e carteiras administradas.
Em dezembro de 2004, a companhia passou a incluir na sua carteira as operações de créditos parcelados dos cartões de crédito da Unicard e Fininvest.
O total das operações de crédito atingiu o montante de R$ 31,796 bilhões em dezembro de 2004, com crescimento de 7% no trimestre e de 14,7% no ano. O total das operações de crédito para pessoa física apresentou um crescimento de 23,2% no ano e 9,6% no trimestre. A carteira de crédito para pessoa jurídica apresentou uma evolução de 5,5% e 10,3% no trimestre e no ano, respectivamente.
O resultado da venda de participações societárias da Credicard e Orbitall foi integralmente absorvido no resultado. A transação foi paga em dinheiro, o que representou a entrada de caixa de R$ 1,7 bilhão.
Os próximos a divulgarem resultados devem ser o Banco do Brasil (21/02), o Itaú (22/02) e o Banespa (25/02).
Lucros
Os grandes bancos brasileiros vêm registrando lucros expressivos nos últimos anos. Segundo o analista financeiro da consultoria Austin Rating, Rodrigo Indiani, isso se deve ao movimento de concentração bancária.
“Algumas instituições pequenas foram adquiridas por grandes bancos, o que reduziu o número de participantes no sistema”, disse.
Além das privatizações feitas pelo governo, muitas instituições privadas de pequeno e médio porte foram adquiridas por outros bancos.
Em junho do ano passado, por exemplo, o Unibanco anunciou a aquisição da filial brasileira do BNL (Banca Nazionale del Lavoro). O banco comprou também financeiras que atuam no varejo como a HiperCard e a Creditec.
As aquisições acabam tendo um custo para os bancos no primeiro momento, mas, depois de incorporadas, aumentam o número de clientes das instituições.
O juro básico da economia alto é outro fator que pode influenciar positivamente os resultados dos bancos, embora iniba o crédito.
Na avaliação de Indiani, o avanço do juro básico (Selic) pode influenciar no aumento das taxas e tarifas cobradas pelos grandes bancos. Além disso, aumenta os rendimentos das instituições que têm títulos públicos atrelados à variação da Selic.
Fonte: Folha Online – EDUARDO CUCOLO / Colaborou Ivone Portes
Deixe um comentário