fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 09:35 Sem categoria

Lucro dos sete maiores bancos equivale ao orçamento anual do PR

Ganhos estão diretamente ligados às altas taxas de juros cobradas nas operações
O ano de 2004 foi excepcional para as instituições financeiras do Brasil, que obtiveram ganhos históricos, conforme mostram os balanços que estão sendo divulgados nas últimas semanas. O lucro dos sete maiores bancos do Brasil em 2004, que deve chegar a R$ 15 bilhões, equivale ao valor de todo o orçamento do estado do Paraná previsto para este ano. Considerando os gastos do Paraná em 2004, que totalizaram R$ 12,8 bilhões, a lucratividade das sete maiores instituições financeiras analisadas é superior em 17% ao que os paranaenses gastaram com educação, saúde, segurança, obras, custeio, pagamento do funcionalismo, investimentos, entre outras despesas. Só o Banco Itaú, conforme dados divulgados ontem, lucrou R$ 3,8 bilhões, um recorde absoluto na história do sistema financeiro brasileiro.

Economistas apontam o juro alto como o principal fator de sustentação do lucro bancário. “O que sustenta o lucro é a taxa de juro. Como a inflação está na casa de 7% ao ano e a taxa Selic em 18,75%, o ganho está na diferença. Este ganho fica ainda maior, quando se compara a inflação com uma operação de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que não sai por menos de 60% ao ano (três vezes a mais que a Selic), ou do cheque especial, que passa dos 150% anuais”, explica o economista e secretário da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec/PR), José Altair Monteiro Sampaio.

Para o economista da GRC Visão, Alex Agostini, quanto maiores forem as taxas de juros, melhores serão os ganhos dos bancos. Como não há qualquer perspectiva de redução das taxas para os próximos meses, os altos níveis de lucratividade das instituições financeiras deverão continuar.

O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Roberto Troster, destaca que a análise do lucro dos bancos deve levar em conta que em 2004 o crédito para pessoa física cresceu 28,9%, e o incremento para pessoas jurídicas foi de 26,3%, enquanto o número de transações bancárias aumentou em mais de 20%. “É razoável que o lucro bancário cresça na mesma proporção”, afirma Troster, ao admitir que o lucro dos bancos brasileiros em 2004 será superior ao do ano anterior. Segundo Troster, de cada R$ 100 que um banco cobra, R$ 7,50 viram lucro e R$ 92,50 são custos referentes principalmente ao pagamento de tributos e inadimplência.

Segundo Monteiro Sampaio, da Fetec/PR, os bancos dizem cobrar juros altos porque além do spread (diferença entre a taxa de captação e a de empréstimo) têm custo administrativo e precisam manter margem para sustentar a inadimplência. “Esta última alegação acaba não fazendo sentido, já que a inadimplência está caindo, mas as taxas de juros não estão cedendo na mesma proporção”, enfatiza.

De acordo com Alex Agostini, o lucro dos bancos torna-se prejudicial à economia brasileira na medida em que outros segmentos econômicos não têm seu crescimento alavancados. “Eles fazem apenas a intermediação financeira. A indústria automobilística quando cresce, por exemplo, alavanca os demais setores da cadeia produtiva, ou seja, tem um grande fator de multiplicação”, complementa.

De 1994 (início do Plano Real) a 2003 o aumento da concentração no setor bancário, com a compra e a fusão de várias instituições, também contribuiu para que o lucro dos dez maiores bancos do país crescesse mais de 1.000%. Já as receitas provenientes de serviços bancários sofreram incremento positivo de 560%, conforme dados da ABM Consulting.

Fonte: Gazeta do Povo – Mirian Gasparin

Por 09:35 Notícias, Sem categoria

Lucro dos sete maiores bancos equivale ao orçamento anual do PR

Ganhos estão diretamente ligados às altas taxas de juros cobradas nas operações
O ano de 2004 foi excepcional para as instituições financeiras do Brasil, que obtiveram ganhos históricos, conforme mostram os balanços que estão sendo divulgados nas últimas semanas. O lucro dos sete maiores bancos do Brasil em 2004, que deve chegar a R$ 15 bilhões, equivale ao valor de todo o orçamento do estado do Paraná previsto para este ano. Considerando os gastos do Paraná em 2004, que totalizaram R$ 12,8 bilhões, a lucratividade das sete maiores instituições financeiras analisadas é superior em 17% ao que os paranaenses gastaram com educação, saúde, segurança, obras, custeio, pagamento do funcionalismo, investimentos, entre outras despesas. Só o Banco Itaú, conforme dados divulgados ontem, lucrou R$ 3,8 bilhões, um recorde absoluto na história do sistema financeiro brasileiro.
Economistas apontam o juro alto como o principal fator de sustentação do lucro bancário. “O que sustenta o lucro é a taxa de juro. Como a inflação está na casa de 7% ao ano e a taxa Selic em 18,75%, o ganho está na diferença. Este ganho fica ainda maior, quando se compara a inflação com uma operação de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que não sai por menos de 60% ao ano (três vezes a mais que a Selic), ou do cheque especial, que passa dos 150% anuais”, explica o economista e secretário da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec/PR), José Altair Monteiro Sampaio.
Para o economista da GRC Visão, Alex Agostini, quanto maiores forem as taxas de juros, melhores serão os ganhos dos bancos. Como não há qualquer perspectiva de redução das taxas para os próximos meses, os altos níveis de lucratividade das instituições financeiras deverão continuar.
O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Roberto Troster, destaca que a análise do lucro dos bancos deve levar em conta que em 2004 o crédito para pessoa física cresceu 28,9%, e o incremento para pessoas jurídicas foi de 26,3%, enquanto o número de transações bancárias aumentou em mais de 20%. “É razoável que o lucro bancário cresça na mesma proporção”, afirma Troster, ao admitir que o lucro dos bancos brasileiros em 2004 será superior ao do ano anterior. Segundo Troster, de cada R$ 100 que um banco cobra, R$ 7,50 viram lucro e R$ 92,50 são custos referentes principalmente ao pagamento de tributos e inadimplência.
Segundo Monteiro Sampaio, da Fetec/PR, os bancos dizem cobrar juros altos porque além do spread (diferença entre a taxa de captação e a de empréstimo) têm custo administrativo e precisam manter margem para sustentar a inadimplência. “Esta última alegação acaba não fazendo sentido, já que a inadimplência está caindo, mas as taxas de juros não estão cedendo na mesma proporção”, enfatiza.
De acordo com Alex Agostini, o lucro dos bancos torna-se prejudicial à economia brasileira na medida em que outros segmentos econômicos não têm seu crescimento alavancados. “Eles fazem apenas a intermediação financeira. A indústria automobilística quando cresce, por exemplo, alavanca os demais setores da cadeia produtiva, ou seja, tem um grande fator de multiplicação”, complementa.
De 1994 (início do Plano Real) a 2003 o aumento da concentração no setor bancário, com a compra e a fusão de várias instituições, também contribuiu para que o lucro dos dez maiores bancos do país crescesse mais de 1.000%. Já as receitas provenientes de serviços bancários sofreram incremento positivo de 560%, conforme dados da ABM Consulting.
Fonte: Gazeta do Povo – Mirian Gasparin

Close