Brasília, 10/3/2005 * Nada menos que 88% dos brasileiros acreditam que o
país irá enfrentar problemas de abastecimento de água a médio ou longo
prazos, em razão da forma como a água é utilizada. Entre os jovens, este
número cresce para 94%. A maioria dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos
conhece, em parte, os problemas relacionados aos recursos hídricos e acha
importante não desperdiçar água. Cerca de 73% deles acham que o consumo em
sua casa poderia ser menor. Entretanto, 64% gastam de 6 a 15 minutos no
banho.
Cerca de 74% da população concorda com um projeto de lei que estipula o
pagamento de um a dois centavos para cada mil litros de água consumida, para
quem gasta mais ou polui, desde que estes recursos sejam utilizados para
conscientizar as pessoas sobre o uso da água e para custear a recuperação e
proteção das bacias hidrográficas.
Estas e diversas outras informações sobre os hábitos de consumo e a
percepção da questão dos recursos hídricos no Brasil foram reveladas por uma
pesquisa encomendada pelo Programa Água para a Vida, do WWF-Brasil, ao
Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião Pública e Estatística (Ibope).
O resultado foi anunciado hoje (10/3), na sede do WWF-Brasil, em Brasília
(DF), pela secretária-geral da ONG, Denise Hamú, e pelo coordenador do
Programa, Samuel Barreto. “Esta pesquisa é importante não apenas para
avaliar o grau de conhecimento do brasileiro sobre a questão da água, mas
principalmente para que possamos medir o grau de impacto do nosso programa
sobre a população”, disse Denise Hamú.
O Ibope entrevistou mil pessoas em todo o país, na faixa etária de 16 anos
em diante, em todas as faixas salariais, de todos os níveis escolares, para
avaliar o grau de conhecimento sobre os problemas que afetam os recursos
hídricos no Brasil e seu engajamento na solução destes problemas. Os
resultados foram divididos, ainda, por região e condição de capital ou
interior, centro ou periferia.
A pesquisa tem por objetivo balizar as ações da Campanha Água para a Vida,
Água para Todos, do WWF-Brasil com apoio do HSBC, que tem, entre suas metas
principais, conscientizar o grande público, governos e o setor privado sobre
a importância de conservar e gerir os recursos hídricos ao mesmo tempo em
que sejam otimizados seus diversos usos.
Desperdício * Entre os principais problemas que podem afetar o abastecimento
de água no Brasil, o desperdício foi apontado por 44% da população em geral,
enquanto outros 13% apontam a poluição e a agressão às reservas.
Para evitar o desperdício, 50% propõem fechar as torneiras durante a
escovação dos dentes e reduzir o tempo do banho. Entre os habitantes do Rio
de Janeiro, 25% não souberam ou não opinaram sobre como evitar o
desperdício. A média nacional dos que não sabem é de 12%.
A pesquisa revelou, também, que a população tem uma percepção equivocada
sobre quem é o grande “vilão” do consumo e da poluição de água no país.
Nada menos que 41% apontaram a indústria, quando, na realidade, a
agricultura consome cerca de 70% dos recursos hídricos utilizados no Brasil.
O consumo doméstico foi apontado por 34% dos entrevistados * também acima da
agricultura, que ficou com apenas 18% das indicações.
Comitês de bacia e participação * Embora existam, atualmente, 100 comitês de
bacias hidrográficas e mais de 40 consórcios intermunicipais de bacias, 70%
dos brasileiros dizem jamais ter ouvido falar dos comitês. Apenas 29%
afirmaram ter ouvido falar. Entre estes, 92% não conhecem ninguém que
participe de um comitê de bacia. “Estes dados são extremamente
perturbadores, tendo em vista que os comitês de bacias, além de não serem
poucos, são a forma de a sociedade participar da gestão e conservação dos
recursos hídricos”, disse Samuel Barreto.
E não é por falta de interesse: 65% dos entrevistados declararam estar
dispostos a “participar de um grupo para decidir sobre o uso da água no
local onde mora, ou fazer trabalho voluntário para proteção da água”, e 76%
participariam de campanhas e abaixo-assinados para recuperação de mananciais
e uso responsável da água.
Fonte:Ibope/WWF-Brasil
Mais informações: Gadelha Neto, Ass.Com/WWF-Brasil, 61 8122-8770, 61 364-7482
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