Se não houver alterações de última hora, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) anuncia nos próximos dias a nova configuração do Banco do Brasil. Uma troca já foi decidida: o presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães, será substituído pelo petista derrotado ao governo do Distrito Federal Geraldo Magela. Guimarães permanece no cargo somente até o dia 20 deste mês, segundo apurou a Folha.
Palocci efetivará ainda no cargo Rossano Maranhão, hoje presidente interino da instituição, e vai destituir Edson Monteiro, vice-presidente de Varejo e Distribuição (segundo mais importante na hierarquia do banco). O ministro pode também separar a área de governo da de agronegócios, para criar uma nova vice-presidência.
Parece não haver ainda definição sobre o substituto de Monteiro.
Magela assume a presidência do BPB numa jogada política definida pelo presidente Lula já de olho nas eleições de 2006. Ao dar o cargo a Magela, Lula o tira da corrida para o governo do Distrito Federal, fortalecendo o ex-governador do DF pelo PT Cristovam Buarque, hoje senador. Haveria também a possibilidade de o PT apoiar um candidato do atual governador do DF, o peemedebista Joaquim Roriz -o senador Paulo Octávio (PFL-DF) é o nome mais forte no momento.
Palocci está para fazer as mudanças na instituição desde que o ex-presidente do BB Cássio Casseb pediu demissão, em novembro do ano passado, quando Maranhão, então vice-presidente da área Internacional, assumiu o comando do banco. Palocci aguardava definição de Lula sobre a reforma ministerial, suspensa no mês passado.
O ministro da Fazenda queria evitar a “partidarização” do banco, por isso escolheu Maranhão, um funcionário de carreira da instituição com perfil técnico. Mas decidiu fazer algumas concessões às alas petistas ligadas ao sindicalismo bancário, que defendem a saída de Edson Monteiro e apóiam a escolha de Magela para o Banco Popular do Brasil.
Os petistas esperam que Magela mude o perfil do BPB, braço do BB para microcrédito. Acreditam que o foco da instituição, hoje mais voltado para a bancarização da população carente, seja direcionado para o crédito destinado a microempreendedores.
A relação de Monteiro (funcionário de carreira e há 28 anos no banco) com outros vice-presidentes e diretores se deteriorou muito nos últimos meses. Os escalões inferiores têm boicotado os prepostos de Monteiro para atingi-lo.
Palocci precisa encontrar ainda um lugar para Ivan Guimarães, ex-diretor do BRB no governo de Cristovam Buarque. Guimarães tem bom trânsito no governo e é muito próximo de Delúbio Soares, tesoureiro do PT.
Ricardo Conceição comanda atualmente duas das áreas mais importantes do banco, a de Agronegócios e a de Governo, concentradas numa mesma vice-presidência e que poderiam ser divididas. Segundo a Folha apurou, a área de governo seria de grande interesse do PMDB.
Fonte: Folha de São Paulo – Leonardo Souza
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