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Emir Sader: “Veja é a pior revista do Brasil”

“Veja é a pior revista do Brasil. Ela se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de `guerra fria` com que defende as cores do bushismo no Brasil”. A afirmação é de Emir Sader, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor da Universidade de São Paulo (USP). Em artigo publicado na revista Carta Maior, afirma que a Veja “mente desesperadamente” porque “representa o que de pior o capitalismo brasileiro já produziu”. Em entrevista ao Informes, Emir Sader comenta uma matéria publicada pela revista esta semana. A publicação afirma que campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002, teria recebido dinheiro de Cuba. Confira a íntegra da entrevista:
Por que o senhor afirma que a Veja mente?
Mente porque tenta passar teses totalmente falsas. Para dar fundamento a isso, ela só pode apelar para mentiras: ou a mentira do silêncio ou a mentira do engano. Se ela tivesse que provar as mentiras que tem dito ao longo do tempo, já seria uma revista fechada. Não têm nenhuma credibilidade as coisas que ela diz. Eles têm um monopólio: algumas poucas famílias brasileiras têm o monopólio da formação de opinião pública através da grande mídia privada. Na verdade, há impunidade para se contar mentiras, para se deturpar e para se denegrir o nome das pessoas.
Há algum paralelo entre o que a Veja faz e o que a imprensa venezuelana fez, na tentativa de golpe para derrubar o presidente Hugo Chaves?
Vocês podem retomar a capa da Veja, festejando a queda de Hugo Chaves. Foi até uma “barriga” de imprensa (informação falsa). Hugo Chaves já tinha retomado o poder, levado pelo povo venezuelano, e eles continuavam gozando na primeira página. Isso dá idéia não só da similaridade quanto da empatia e identificação e de um projeto que eles têm, que, aliás, é de toda a imprensa brasileira. Toda ela foi aliada e solidária com o golpe na Venezuela.
A sociedade brasileira percebe esse tipo de jornalismo?
Não percebe. Não percebe porque há poucos jornais independentes – Carta Capital, Carta Maior, Brasil de Fato e Caros Amigos. A política do governo em relação a isso foi desastrosa. Foi uma política de continuar com o mesmo tipo de apoio a esse tipo de imprensa mercantilizada, monopólica e golpista, que evidentemente tem seus queridinhos, que não são o governo atual. É uma imprensa que tem seus queridinhos em Tasso Jereissati (senador [PSDB-CE]) , José Serra (prefeito São Paulo [PSDB]), Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente da República [PSDB]), Jorge Bornhausen (senador [PFL-SC]). O governo foi totalmente equivocado. Ainda há tempo para contornar isso, mas hoje eu diria que não: não há um sentimento crítico suficiente. Tanto assim, que houve essa manipulação que triunfou no referendo (sobre a proibição do comércio de armas no país).
O senhor vê algum vínculo com os anti-castristas que têm interesse na Venezuela?
Pode haver vínculo direto ou não. Mas o que os vincula é a mesma ideologia e o mesmo gozo do monopólio privado de formação de opinião pública. Na verdade, o partido da grande burguesia brasileira é a grande mídia privada.
O presidente George W. Bush chega ao Brasil esta semana. O senhor acha apenas uma coincidência a Veja publicar esta matéria sobre a suposta remessa de dinheiro de Cuba? Ou a revista estaria tentando dificultar o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos com uma matéria como essa?
A Veja é a representante oficial do bushismo no Brasil, do fundamentalismo republicano de direita. Não seria estranho. Mas as teses que ela defende – com seus vários colunistas, editoriais e, sobretudo, as reportagens editorializadas – já correspondem ao bushismo. Apesar de eles mentirem que a política externa brasileira é um fracasso, a política externa brasileira é um sucesso. É isso o que os chateia muito. Essa é que seria a grande mudança no Brasil, caso voltassem os tucanos e pefelistas. A política externa brasileira afirmou uma linha de solidariedade internacional e de integração. Isso os importuna muito.
Como conciliar democracia, como temos no Brasil, e jornalismo como esse da Veja?
O jornalismo da Veja poderia existir. O que é incompatível com a democracia é monopólio privado da formação de opinião pública. Não teremos democracia no Brasil enquanto não tiver uma grande mídia plural, democrática, crítica e independente. Há necessidade de fortalecer essa mídia alternativa, crítica e independente. Da existência e do fortalecimento desses canais vai depender o resultado da campanha eleitoral do ano que vem.
Paulo Paiva e Dante Accioly.
ENTREVISTA COLHIDA NO SÍTIO www.informes.org.br.

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Emir Sader: “Veja é a pior revista do Brasil”

“Veja é a pior revista do Brasil. Ela se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de `guerra fria` com que defende as cores do bushismo no Brasil”. A afirmação é de Emir Sader, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor da Universidade de São Paulo (USP). Em artigo publicado na revista Carta Maior, afirma que a Veja “mente desesperadamente” porque “representa o que de pior o capitalismo brasileiro já produziu”. Em entrevista ao Informes, Emir Sader comenta uma matéria publicada pela revista esta semana. A publicação afirma que campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002, teria recebido dinheiro de Cuba. Confira a íntegra da entrevista:

Por que o senhor afirma que a Veja mente?

Mente porque tenta passar teses totalmente falsas. Para dar fundamento a isso, ela só pode apelar para mentiras: ou a mentira do silêncio ou a mentira do engano. Se ela tivesse que provar as mentiras que tem dito ao longo do tempo, já seria uma revista fechada. Não têm nenhuma credibilidade as coisas que ela diz. Eles têm um monopólio: algumas poucas famílias brasileiras têm o monopólio da formação de opinião pública através da grande mídia privada. Na verdade, há impunidade para se contar mentiras, para se deturpar e para se denegrir o nome das pessoas.

Há algum paralelo entre o que a Veja faz e o que a imprensa venezuelana fez, na tentativa de golpe para derrubar o presidente Hugo Chaves?

Vocês podem retomar a capa da Veja, festejando a queda de Hugo Chaves. Foi até uma “barriga” de imprensa (informação falsa). Hugo Chaves já tinha retomado o poder, levado pelo povo venezuelano, e eles continuavam gozando na primeira página. Isso dá idéia não só da similaridade quanto da empatia e identificação e de um projeto que eles têm, que, aliás, é de toda a imprensa brasileira. Toda ela foi aliada e solidária com o golpe na Venezuela.

A sociedade brasileira percebe esse tipo de jornalismo?

Não percebe. Não percebe porque há poucos jornais independentes – Carta Capital, Carta Maior, Brasil de Fato e Caros Amigos. A política do governo em relação a isso foi desastrosa. Foi uma política de continuar com o mesmo tipo de apoio a esse tipo de imprensa mercantilizada, monopólica e golpista, que evidentemente tem seus queridinhos, que não são o governo atual. É uma imprensa que tem seus queridinhos em Tasso Jereissati (senador [PSDB-CE]) , José Serra (prefeito São Paulo [PSDB]), Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente da República [PSDB]), Jorge Bornhausen (senador [PFL-SC]). O governo foi totalmente equivocado. Ainda há tempo para contornar isso, mas hoje eu diria que não: não há um sentimento crítico suficiente. Tanto assim, que houve essa manipulação que triunfou no referendo (sobre a proibição do comércio de armas no país).

O senhor vê algum vínculo com os anti-castristas que têm interesse na Venezuela?

Pode haver vínculo direto ou não. Mas o que os vincula é a mesma ideologia e o mesmo gozo do monopólio privado de formação de opinião pública. Na verdade, o partido da grande burguesia brasileira é a grande mídia privada.

O presidente George W. Bush chega ao Brasil esta semana. O senhor acha apenas uma coincidência a Veja publicar esta matéria sobre a suposta remessa de dinheiro de Cuba? Ou a revista estaria tentando dificultar o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos com uma matéria como essa?

A Veja é a representante oficial do bushismo no Brasil, do fundamentalismo republicano de direita. Não seria estranho. Mas as teses que ela defende – com seus vários colunistas, editoriais e, sobretudo, as reportagens editorializadas – já correspondem ao bushismo. Apesar de eles mentirem que a política externa brasileira é um fracasso, a política externa brasileira é um sucesso. É isso o que os chateia muito. Essa é que seria a grande mudança no Brasil, caso voltassem os tucanos e pefelistas. A política externa brasileira afirmou uma linha de solidariedade internacional e de integração. Isso os importuna muito.

Como conciliar democracia, como temos no Brasil, e jornalismo como esse da Veja?

O jornalismo da Veja poderia existir. O que é incompatível com a democracia é monopólio privado da formação de opinião pública. Não teremos democracia no Brasil enquanto não tiver uma grande mídia plural, democrática, crítica e independente. Há necessidade de fortalecer essa mídia alternativa, crítica e independente. Da existência e do fortalecimento desses canais vai depender o resultado da campanha eleitoral do ano que vem.

Paulo Paiva e Dante Accioly.

ENTREVISTA COLHIDA NO SÍTIO www.informes.org.br.

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