(São Paulo) Duas agências da cidade de São Gotardo, noroeste de Minas Gerais, foram palco de um dramático assalto encadeado por uma mesma quadrilha entre a tarde de terça-feira e a manhã de quarta-feira (9 e 10 de janeiro). A cidade, localizada na região do Alto Parnaíba, a 250 quilômetros da capital mineira, viu a agência do Banco do Brasil e do Itau serem assaltadas em uma mesma tarde. Os gerentes do banco Itaú e outros funcionários, feitos de refém, foram usados como escudo humano para permitir a fuga dos assaltantes.
Os bancários e outros reféns foram libertados em troca de policiais militares em cercos promovidos pela PM. Além deles, dois delegados e um juiz ficaram sob poder do grupo. A única vítima fatal foi um policial militar; outros três ficaram feridos, segundo informações da corporação. Uma loja de eletrodomésticos também foi alvo da onda de ataques.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) irá acompanhar o tratamento dado aos funcionários que sofreram o assalto e os procedimentos relacionados às agências. Os bancos do Brasil e Itaú vêm sendo alvo freqüente de assaltantes em todo país.
As empresas devem oferecer apoio às vítimas por meio de psicólogos e assistentes sociais, além de registrar a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) junto à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e INSS, fornecendo cópias aos funcionários e ao sindicato local. Este procedimento deve ser realizado para todos os funcionários presentes durante a ocorrência, mesmo que não tenha havido ferimentos físicos. Isso porque o trauma sofrido em um assalto ou qualquer outras formas de ameaça de agressão, como o ocorrido em São Gotardo, pode provocar graves seqüelas, como síndrome do pânico, depressão, entre outros.
As agências devem permanecer fechadas até que haja condições de segurança adequadas, com vigilantes devidamente equipados e armados, bem como sistemas monitoramento e de segurança operantes.
Segurança urgente
Casos como o do noroeste de Minas Gerais, mostram que os bancos, que lucram bilhões, continuam deixando a segurança dos trabalhadores e clientes de lado. Preocupam-se apenas com seguros para seu patrimônio, deixando a vida humana em segundo plano.
A necessidade de mais atenção com a segurança das agências é um dos motivos por que a Contraf-CUT reivindicou a instalação de uma comissão específica, junto à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para discutir segurança bancária. A abertura das negociações sobre o tema ocorreu no dia 15 de dezembro de 2006.
A segurança bancária foi um dos eixos da Campanha Nacional da categoria no ano passado. O crescente número de assaltos às agências, os seqüestros de funcionários e as mortes que têm ocorrido nos bancos se transformaram numa das principais preocupações da categoria e das entidades sindicais.
Fonte: Contraf-CUT
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