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Panorama dos partidos na Câmara dos Deputados

Confira a atual situação dos partidos políticos, pós-eleições de 2006.

PT (83 deputados)

O resultado da eleição do ano passado foi revigorante para o PT. Para um partido que passou um ano e meio na lama, eleger o presidente da República, cinco governadores, mais de 80 deputados federais, manter a bancada de senadores e eleger bancadas expressivas nas Assembléias Legislativas dos principais colégios eleitorais do país não é pouca coisa. Apesar das disputas internas, que devem chegar à temperatura máxima no III Congresso Nacional do partido, marcado para julho, o PT teve coesão para formar uma aliança estratégica com o PMDB, atraindo por gravidade os partidos conservadores que compõe a base de sustentação do governo. Conseguindo arregimentar um bloco de oito partidos (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB) que abrigam 280 deputados para eleger o presidente da Câmara e enfraquecer o bloco dos partidos de esquerda que vem se consolidando para disputar a base petista abalada pela crise política. A aliança do PSB com o PCdoB e o PDT é percebida como uma ameaça à hegemonia do partido nesse campo, pois os aliados históricos têm como trunfos o fato de não terem se maculado nos escândalos da Legislatura passada e contarem com a perspectiva futura de poder, representada pela virtual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), um ex-governador e ex-ministro de dois governos, que já disputou duas eleições para a Presidência da República, com votações expressivas. O PT conseguiu, também, formar um bloco de 25 senadores, ampliando seu espaço de poder no Senado com o Comando da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a segunda mais importante da Casa. Além disso, o bloco pode representar a legitimidade necessária para o partido reivindicar a Presidência do Senado em 2009, alegando a necessidade de equilíbrio de forças, já que o PMDB terá apoio do PT para presidir a Câmara, conforme acordo que abriu caminho para a eleição de Arlindo Chinaglia.

PMDB (90 deputados)

A coesão do PMDB, que deu apoio institucional e majoritário à eleição na Câmara e assegurou ampla vantagem na reeleição de Renan Calheiros para presidir o Senado, tem como amálgama a cobiça pela partilha do governo. Há também a perspectiva de uma aliança estratégica com o PT para as eleições de 2010. Mas isso está em plano secundário. A reforma ministerial é que vai determinar se a coesão do PMDB foi eventual ou pode ser duradoura. Na Câmara, o que prevaleceu foi a constatação de que a cisão da bancada ao longo do primeiro mandato do presidente Lula fortaleceu as lideranças do partido no Senado. “A bancada percebeu que dividida perde força aqui na Câmara”, explica o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), um ex-opositor do governo, beneficiado pela coesão peemedebista com a eleição para a Terceira Secretaria da Mesa. Com a eleição de Arlindo, o grupo dos ex-opositores se fortaleceu no PMDB. Isso só se transformará em um problema se esse fortalecimento significar um avanço sobre a fatia do governo que hoje pertence aos aliados antigos comandados pelo ex-presidente José Sarney, por Renan Calheiros e pelos deputados Jader Barbalho e Eunício Oliveira. O quadro no PMDB ficará mais definido após a eleição da nova direção, prevista para março. A eleição de Arlindo revigorou a liderança do atual presidente Michel Temer. Eunício é um nome mencionado como possível líder do governo, uma forma de compensar a ala do PMDB derrota na eleição da Câmara. A dificuldade é que o presidente Lula não tem muito apreço por ele. Quando a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, procurou o então presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB) para saber se havia um “plano B” que evitasse o confronto entre dois blocos de aliados, este lhe disse que a única alternativa seria a retirada das duas candidaturas em favor do peemedebista Eunício. Resposta do presidente Lula: “nem que a vaca tussa”.

Bloco PSB/PDT/PCdoB/PAN/PMN (71 deputados)

A formalização desse bloco parlamentar, que conta com 71 deputados, foi considerada pelos adversários como um tiro no pé, pois teria mostrado o tamanho da candidatura de Aldo Rebelo, deixando claro que era ilegítima, uma vez que não respeitava a prerrogativa que a Constituição dá ao maior partido ou bloco de indicar os presidentes da Câmara e do Senado. Além disso, incitou a demonstração de força do grupo adversário e fustigou possíveis aliados ao ameaçar a mudança na ordem de escolha dos cargos da Mesa Diretora e das Comissões Temáticas. Parlamentares experientes, como o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) não acreditam que esse bloco tenha futuro. Ele avalia que a personalidade de líderes como Miro Teixeira (PDT-RJ) e Márcio França (PSB-SP) levará a um rompimento na primeira divergência. Obviamente, a opinião não é compartilhada pelos integrantes do bloco, formado para ser um contraponto ao PT dentro da aliança governista.

No lado do PSB (27 deputados), o interesse é manter uma bancada expressiva que atue de forma coesa para demarcar um terreno à esquerda na coalizão. O objetivo é ter uma opção caso o PT consolide a aliança com o PMDB e despreze os aliados históricos. “O partido tem que estar preparado para a guerra. Estamos nos preparando para ter projeto em 2010. As contingências vão dizer se teremos ou não”, explica o senador Renato Casagrande (PSB-DF), ex-líder do partido na Câmara. A eleição na Câmara foi uma batalha perdida, mas os 243 votos de Aldo Rebelo no segundo turno (47,4% do colegiado) apontam para uma correlação de forças equilibrada. O bloco tem perspectiva de poder com Ciro Gomes e também com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que sucedeu o avô Miguel Arraes na presidência do PSB, e tem DNA, liderança e habilidade política para estar bem posicionado na disputa de 2010. Como dissidência interna, ele tem apenas a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que já tentou tomar o comando do partido de Arraes junto com o ex-governador do Amapá João Capiberibe. Mas ela não tem forças para criar maiores embaraços e estará sempre disposta a fazer um contraponto à esquerda e disputar a base do PT.

No PDT (23 deputados), o espólio do ex-governador Leonel Brizola está em disputa. Na virada do primeiro para o segundo turno da eleição presidencial do ano passado, quem levou a melhor foi o líder do partido na Câmara, Miro Teixeira (RJ), que conseguiu evitar o apoio ao candidato tucano Geraldo Alckmin, desejado pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical. Na disputa pela presidência da Câmara, quem levou a melhor foi Paulinho, que defendeu a formação do bloco e o apoio a Aldo Rebelo. Mas Miro conseguiu manter a liderança da bancada pelos próximos dois anos, deixando para Paulinho a vice-liderança do bloco. No ano passado, Miro conseguiu manter o partido relativamente unido com o discurso de que a base dessa união era as teses trabalhistas. Paulinho vai acumular forças para enfrentar Miro. Dentro do partido busca o apoio dos 15 novos deputados que são maioria entre os 23. Fora, ele aposta na formação de uma frente de sindicalistas, que pode se formar a partir de um jantar que está sendo organizados pelas Centrais Sindicais. Na medida em que o bloco se consolida, aumenta a influência de Paulinho sobre a bancada. Se fracassar, Miro se fortalece, levando o partido para mais próximo da aliança PT/PMDB.

O PCdoB (13 deputados) tem na liderança conquistada por Aldo seu ponto forte. O partido é pragmático, mas a eleição da Câmara deixou mágoas que podem afasta-lo tanto de Lula quanto do PT em projetos futuros. Não será surpresa se o partido confrontar candidatos petistas em diversas capitais do país em 2008, aliando-se taticamente até com PFL e PSDB.

Bloco PP/PR/PTB (87 deputados)

PP, PR e PTB não possuem projeto próprio de poder. Portanto, são integrados por parlamentares que, na avaliação de seus líderes, “esfarelam” na oposição. Suas bancadas sempre darão um jeito de permanecer na base de qualquer governo, pois a maioria de seus integrantes sobrevive politicamente apenas como despachantes de prefeitos e de empresas dependentes de contratos públicos. São, também, desaguadouros de parlamentares sem identidade ideológica com os partidos de esquerda, que não integram os principais partidos conservadores por causa de desavenças políticas regionais. Enquanto o presidente Lula mantiver a popularidade alta e a liberação de verbas orçamentárias das emendas paroquiais, serão fiéis ao seu governo.

Descendente da Arena, o partido do governo durante o regime militar, o PP (42 deputados) vem definhando junto com o projeto político do ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, deputado federal mais votado do país pela segunda vez nesta eleição (a outra foi em 1982). Como o PMDB, o partido esteve rachado durante o primeiro mandato do presidente Lula. Formalizou o ingresso na base governista depois da ascensão de Severino Cavalcanti (PP-PE) à Presidência da Câmara e José Janene (PP-PR) à liderança, com a indicação de Márcio Fortes para comandar o Ministério das Cidades no lugar do petista Olívio Dutra. Sob o comando da dupla de deputados baianos Mário Negromonte (líder da bancada de deputados) e José Leão (vice-líder do governo na Comissão de Orçamento) e do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), conseguiu unidade para formalizar novamente a adesão ao governo. Desta vez com uma bancada governista mais coesa. Existem divergências internas, mas não uma dissidência explícita. Adversário histórico de Maluf no partido, o veterano deputado Gerson Peres (PP-PA), que volta à Câmara para exercer o sexto mandato, depois de uma tentativa frustrada de se eleger senador, em 2002, não anda satisfeito com a conduta do comando partidário. Já protestou publicamente contra a recondução do líder por indicação escrita da bancada ao invés da eleição anual, como prevê o estatuto do PP. Também protestou contra a prorrogação indefinida da interinidade do primeiro-vice-presidente do partido, Nélio Dias, no exercício da Presidência. Vai cobrar da direção o compromisso assumido em carta enviada aos parlamentares eleitos de convocar uma Convenção para eleger nova Comissão Executiva em abril. Peres defende uma espécie de refundação do PP, também abalado com os escândalos de mensaleiros e sanguessugas. Apesar de contar com a simpatia de alguns deputados novatos, ele não tem disposição para cindir o partido nem prega oposição ao governo.

Com a filiação dos governadores Blairo Maggi (MT) e Ivo Cassol (RO), o PR conseguiu esticar sua bancada para 34 deputados federais. Foi o partido que mais cresceu, proporcionalmente, entre a eleição e a posse dos parlamentares para a nova Legislatura do Congresso. O partido vem buscando uma nova face, depois que seu presidente Valdemar Costa Neto teve de renunciar para evitar o processo de cassação dos mensaleiros. Ele voltou ao Congresso, mas já não domina o partido. O ex-prefeito de Manaus (AM) e ex-ministros dos Transportes Alfredo Nascimento, eleito senador pelo Amazonas, é quem dá as cartas, hoje, como presidente de honra do antigo PL e um acesso privilegiado ao presidente Lula. Embora Costa Neto ainda seja o presidente oficial, quem está exercendo o cargo é o professor Sergio Tamer, um procurador federal, que ingressou no PL em 1986 pelas mãos do fundador do partido Álvaro Valle, morto há seis anos em decorrência de câncer no intestino. Na semana passada, o líder da bancada na Câmara, Luciano Castro (RR), foi reconduzido depois de demonstrar força com o apadrinhamento de dez deputados recém filiados na reunião que decidiria também o posicionamento na eleição para a Mesa Diretora. O antigo líder Sandro Mabel (GO) desistiu de disputar o cargo e a bancada se unificou no apoio a Arlindo Chinaglia e na indicação de Inocêncio Oliveira (PE) para a segunda-vice-presidência. Inocêncio, que nos últimos 20 anos só se afastou da direção da Câmara no período em que liderou a bancada do PFL, começou a disputa apoiando Aldo Rebelo, mas mudou de lado ao perceber que poderia ficar fora da elite do Congresso pela primeira vez em oito Legislaturas consecutivas. Inconformado com a decisão, o deputado Damião Feliciano (PB), que quase enfrentou processo de cassação do mandato ao ser denunciado por achaque a donos de empreiteiras arroladas na CPI das Obras Inacabadas presidida por ele, decidiu enfrentar o colega de partido no plenário, como candidato avulso. Ao saber do registro da candidatura subversiva, Tamer consultou a assessoria jurídica do PR e convocou uma reunião extraordinária da Executiva, que decidiu expulsar o deputado do partido. Protocolou a decisão no Tribunal Superior Eleitoral na manhã seguinte e comunicou a exclusão à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara menos de 24 horas depois do registro da candidatura. Foi a expulsão mais rápida por indisciplina partidária da história do Parlamento brasileiro.

Estopim do escândalo do “mensalão”, o deputado cassado Roberto Jefferson retornou ao comando do PTB (21 deputados), mas não tem controle algum sobre a bancada. Ao contrário da Legislatura passada, quando o partido dobrou de tamanho na Câmara no início do governo Lula, neste segundo mandato o PTB encolheu entre a eleição e a posse. Resultado das intervenções de Jefferson, que não quer ver o partido participando da coalizão lulista. Se o grupo liderado pelo ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, não conseguir tirar logo o comando das mãos dele, o PTB corre o risco de definhar até o estado vegetativo nesta Legislatura. Não fossem as brigas regionais, a maioria dos parlamentares do PTB já estaria integrando outros partidos conservadores da base governista. O novo líder, Jovair Arantes (GO), tem menos envergadura política do que o anterior, José Múcio Monteiro (PE). Este é mencionado nas cogitações para líder do governo. Mesmo tendo sido um dos apoiadores de primeira hora de Arlindo, é pouco provável que seja designado para a função. Não só pelo litígio interno do partido, mas também pelo tamanho da bancada, que agrega pouco à base governista.

Bloco da oposição PSDB/PFL/PPS (141 deputados)

O bloco da oposição foi formado às pressas depois de avisado que o PT e o PMDB fariam um ajuntamento com outros seis partidos para se contrapor ao bloco da esquerda formado para apoiar a candidatura de Aldo Rebelo. Com isso, PSDB e PFL conseguiram preservar a ordem de escolha da indicação para compor a Mesa Diretora. Depois da formação das Comissões Temáticas, o grupo deverá se dissolver. Apesar das afinidades, suas lideranças desejam demarcar posições diferenciadas na oposição, uma vez que disputam o mesmo segmento do eleitorado. O PSDB tem opções de candidaturas fortes para a Presidência em 2010 e precisa consolida-las. O PFL começa novamente do zero, depois das derrotas para os governos da Bahia e Pernambuco, principalmente, além da aposta fracassada do prefeito do Rio de Janeiro César Maia na candidatura da juíza Denise Frossard, do PPS.

Depois de duas derrotas consecutivas e com três candidatos potenciais à Presidência a quatro anos da disputa, o PSDB é um partido à beira de um ataque de nervos. O ex-presidente Fernando Henrique se esforça, mas não consegue dar uma linha ideológica para os tucanos. Nem o candidato Geraldo Alckmin conseguiu se encaixar no figurino enxugamento do Estado defendido pelo sociólogo. O governador José Serra ensaia um discurso intervencionista para capturar parte do eleitorado de esquerda. E o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, treina para um concurso de mister simpatia, confiando na força do DNA herdado do avô, Tancredo Neves, que morreu em circunstâncias nacionalmente trágicas antes de tomar posse como o primeiro presidente civil a suceder a ditadura militar de 20 anos. Na disputa da Câmara, o grupo de Serra, sob a liderança do ex-líder Jutahy Junior (BA) e do atual, Antonio Carlos Pannunzzio (SP), foi decisivo para a vitória de Arlindo. A turma de Aécio subiu no muro no discurso, mas também colaborou para cumprir o acordo com o PT, que assegurou o cardo de primeiro-vice-presidente para Narcio Rodrigues (MG). A turma de Alckmin e FHC ficou com Aldo, assim como a maioria dos tucanos que não são de ninguém e buscam espaço de interlocução com o governo ao largo da intermediação do PT. Para o ex-líder do governo FHC na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), como todo partido de oposição, o PSDB está sem rumo. O caminho para encontra-lo, segundo ele, é ter e seguir com convicção um bom programa. Para Madeira, um bom programa, no mundo moderno, é o que defende Estado menor, estabilidade jurídica, educação de qualidade e sistema político com voto distrital puro.

Desde a morte do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães, filho de ACM, o PFL (61 deputados) não encontrou mais o seu projeto de poder do “liberalismo no século XXI”. Foi arrasado na eleição, ficando apenas com o governo do Distrito Federal. O atual presidente Jorge Bornhausen mostrou que ainda tem força, colocando seus aliados nos cargos chave para a oposição. O sergipano Machado na Mesa Diretora e o gaúcho Ônix Lorenzoni na liderança da bancada na Câmara. A ala carlista ficou muito enfraquecida com a derrota para o governo da Bahia, assim como o grupo do ex-vice-presidente Marco Maciel, com a derrota em Pernambuco. Mesmo assim, o deputado ACM Neto poderá ser testado como líder da bancada no próximo ano, dando-lhe visibilidade para disputar alguma prefeitura de destaque na Bahia em 2008.

No PPS (17 deputados), reina o dilema ser ou não ser governo. Enquanto o presidente Roberto Freire dar as cartas no partido, ficará fazendo meia-oposição. Freire já não consegue se eleger deputado em Pernambuco, mas graças à generosidade do ex-governador Jarbas Vasconcelos, ainda terá alguns momentos de estrelato quando assumir o mandato de senador do qual é suplente. Pela proximidade com o governador José Serra, a tendência de Freire é levar o PPS para perto do PSDB. Mas, há um grupo forte na bancada que gostaria muito de integrar o bloco governista de esquerda, sustentando a perspectiva de poder representada pelo ex-correligionário Ciro Gomes.

Por Nelson Breve.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.

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Panorama dos partidos na Câmara dos Deputados

Confira a atual situação dos partidos políticos, pós-eleições de 2006.
PT (83 deputados)
O resultado da eleição do ano passado foi revigorante para o PT. Para um partido que passou um ano e meio na lama, eleger o presidente da República, cinco governadores, mais de 80 deputados federais, manter a bancada de senadores e eleger bancadas expressivas nas Assembléias Legislativas dos principais colégios eleitorais do país não é pouca coisa. Apesar das disputas internas, que devem chegar à temperatura máxima no III Congresso Nacional do partido, marcado para julho, o PT teve coesão para formar uma aliança estratégica com o PMDB, atraindo por gravidade os partidos conservadores que compõe a base de sustentação do governo. Conseguindo arregimentar um bloco de oito partidos (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB) que abrigam 280 deputados para eleger o presidente da Câmara e enfraquecer o bloco dos partidos de esquerda que vem se consolidando para disputar a base petista abalada pela crise política. A aliança do PSB com o PCdoB e o PDT é percebida como uma ameaça à hegemonia do partido nesse campo, pois os aliados históricos têm como trunfos o fato de não terem se maculado nos escândalos da Legislatura passada e contarem com a perspectiva futura de poder, representada pela virtual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), um ex-governador e ex-ministro de dois governos, que já disputou duas eleições para a Presidência da República, com votações expressivas. O PT conseguiu, também, formar um bloco de 25 senadores, ampliando seu espaço de poder no Senado com o Comando da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a segunda mais importante da Casa. Além disso, o bloco pode representar a legitimidade necessária para o partido reivindicar a Presidência do Senado em 2009, alegando a necessidade de equilíbrio de forças, já que o PMDB terá apoio do PT para presidir a Câmara, conforme acordo que abriu caminho para a eleição de Arlindo Chinaglia.
PMDB (90 deputados)
A coesão do PMDB, que deu apoio institucional e majoritário à eleição na Câmara e assegurou ampla vantagem na reeleição de Renan Calheiros para presidir o Senado, tem como amálgama a cobiça pela partilha do governo. Há também a perspectiva de uma aliança estratégica com o PT para as eleições de 2010. Mas isso está em plano secundário. A reforma ministerial é que vai determinar se a coesão do PMDB foi eventual ou pode ser duradoura. Na Câmara, o que prevaleceu foi a constatação de que a cisão da bancada ao longo do primeiro mandato do presidente Lula fortaleceu as lideranças do partido no Senado. “A bancada percebeu que dividida perde força aqui na Câmara”, explica o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), um ex-opositor do governo, beneficiado pela coesão peemedebista com a eleição para a Terceira Secretaria da Mesa. Com a eleição de Arlindo, o grupo dos ex-opositores se fortaleceu no PMDB. Isso só se transformará em um problema se esse fortalecimento significar um avanço sobre a fatia do governo que hoje pertence aos aliados antigos comandados pelo ex-presidente José Sarney, por Renan Calheiros e pelos deputados Jader Barbalho e Eunício Oliveira. O quadro no PMDB ficará mais definido após a eleição da nova direção, prevista para março. A eleição de Arlindo revigorou a liderança do atual presidente Michel Temer. Eunício é um nome mencionado como possível líder do governo, uma forma de compensar a ala do PMDB derrota na eleição da Câmara. A dificuldade é que o presidente Lula não tem muito apreço por ele. Quando a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, procurou o então presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB) para saber se havia um “plano B” que evitasse o confronto entre dois blocos de aliados, este lhe disse que a única alternativa seria a retirada das duas candidaturas em favor do peemedebista Eunício. Resposta do presidente Lula: “nem que a vaca tussa”.
Bloco PSB/PDT/PCdoB/PAN/PMN (71 deputados)
A formalização desse bloco parlamentar, que conta com 71 deputados, foi considerada pelos adversários como um tiro no pé, pois teria mostrado o tamanho da candidatura de Aldo Rebelo, deixando claro que era ilegítima, uma vez que não respeitava a prerrogativa que a Constituição dá ao maior partido ou bloco de indicar os presidentes da Câmara e do Senado. Além disso, incitou a demonstração de força do grupo adversário e fustigou possíveis aliados ao ameaçar a mudança na ordem de escolha dos cargos da Mesa Diretora e das Comissões Temáticas. Parlamentares experientes, como o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) não acreditam que esse bloco tenha futuro. Ele avalia que a personalidade de líderes como Miro Teixeira (PDT-RJ) e Márcio França (PSB-SP) levará a um rompimento na primeira divergência. Obviamente, a opinião não é compartilhada pelos integrantes do bloco, formado para ser um contraponto ao PT dentro da aliança governista.
No lado do PSB (27 deputados), o interesse é manter uma bancada expressiva que atue de forma coesa para demarcar um terreno à esquerda na coalizão. O objetivo é ter uma opção caso o PT consolide a aliança com o PMDB e despreze os aliados históricos. “O partido tem que estar preparado para a guerra. Estamos nos preparando para ter projeto em 2010. As contingências vão dizer se teremos ou não”, explica o senador Renato Casagrande (PSB-DF), ex-líder do partido na Câmara. A eleição na Câmara foi uma batalha perdida, mas os 243 votos de Aldo Rebelo no segundo turno (47,4% do colegiado) apontam para uma correlação de forças equilibrada. O bloco tem perspectiva de poder com Ciro Gomes e também com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que sucedeu o avô Miguel Arraes na presidência do PSB, e tem DNA, liderança e habilidade política para estar bem posicionado na disputa de 2010. Como dissidência interna, ele tem apenas a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que já tentou tomar o comando do partido de Arraes junto com o ex-governador do Amapá João Capiberibe. Mas ela não tem forças para criar maiores embaraços e estará sempre disposta a fazer um contraponto à esquerda e disputar a base do PT.
No PDT (23 deputados), o espólio do ex-governador Leonel Brizola está em disputa. Na virada do primeiro para o segundo turno da eleição presidencial do ano passado, quem levou a melhor foi o líder do partido na Câmara, Miro Teixeira (RJ), que conseguiu evitar o apoio ao candidato tucano Geraldo Alckmin, desejado pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical. Na disputa pela presidência da Câmara, quem levou a melhor foi Paulinho, que defendeu a formação do bloco e o apoio a Aldo Rebelo. Mas Miro conseguiu manter a liderança da bancada pelos próximos dois anos, deixando para Paulinho a vice-liderança do bloco. No ano passado, Miro conseguiu manter o partido relativamente unido com o discurso de que a base dessa união era as teses trabalhistas. Paulinho vai acumular forças para enfrentar Miro. Dentro do partido busca o apoio dos 15 novos deputados que são maioria entre os 23. Fora, ele aposta na formação de uma frente de sindicalistas, que pode se formar a partir de um jantar que está sendo organizados pelas Centrais Sindicais. Na medida em que o bloco se consolida, aumenta a influência de Paulinho sobre a bancada. Se fracassar, Miro se fortalece, levando o partido para mais próximo da aliança PT/PMDB.
O PCdoB (13 deputados) tem na liderança conquistada por Aldo seu ponto forte. O partido é pragmático, mas a eleição da Câmara deixou mágoas que podem afasta-lo tanto de Lula quanto do PT em projetos futuros. Não será surpresa se o partido confrontar candidatos petistas em diversas capitais do país em 2008, aliando-se taticamente até com PFL e PSDB.
Bloco PP/PR/PTB (87 deputados)
PP, PR e PTB não possuem projeto próprio de poder. Portanto, são integrados por parlamentares que, na avaliação de seus líderes, “esfarelam” na oposição. Suas bancadas sempre darão um jeito de permanecer na base de qualquer governo, pois a maioria de seus integrantes sobrevive politicamente apenas como despachantes de prefeitos e de empresas dependentes de contratos públicos. São, também, desaguadouros de parlamentares sem identidade ideológica com os partidos de esquerda, que não integram os principais partidos conservadores por causa de desavenças políticas regionais. Enquanto o presidente Lula mantiver a popularidade alta e a liberação de verbas orçamentárias das emendas paroquiais, serão fiéis ao seu governo.
Descendente da Arena, o partido do governo durante o regime militar, o PP (42 deputados) vem definhando junto com o projeto político do ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, deputado federal mais votado do país pela segunda vez nesta eleição (a outra foi em 1982). Como o PMDB, o partido esteve rachado durante o primeiro mandato do presidente Lula. Formalizou o ingresso na base governista depois da ascensão de Severino Cavalcanti (PP-PE) à Presidência da Câmara e José Janene (PP-PR) à liderança, com a indicação de Márcio Fortes para comandar o Ministério das Cidades no lugar do petista Olívio Dutra. Sob o comando da dupla de deputados baianos Mário Negromonte (líder da bancada de deputados) e José Leão (vice-líder do governo na Comissão de Orçamento) e do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), conseguiu unidade para formalizar novamente a adesão ao governo. Desta vez com uma bancada governista mais coesa. Existem divergências internas, mas não uma dissidência explícita. Adversário histórico de Maluf no partido, o veterano deputado Gerson Peres (PP-PA), que volta à Câmara para exercer o sexto mandato, depois de uma tentativa frustrada de se eleger senador, em 2002, não anda satisfeito com a conduta do comando partidário. Já protestou publicamente contra a recondução do líder por indicação escrita da bancada ao invés da eleição anual, como prevê o estatuto do PP. Também protestou contra a prorrogação indefinida da interinidade do primeiro-vice-presidente do partido, Nélio Dias, no exercício da Presidência. Vai cobrar da direção o compromisso assumido em carta enviada aos parlamentares eleitos de convocar uma Convenção para eleger nova Comissão Executiva em abril. Peres defende uma espécie de refundação do PP, também abalado com os escândalos de mensaleiros e sanguessugas. Apesar de contar com a simpatia de alguns deputados novatos, ele não tem disposição para cindir o partido nem prega oposição ao governo.
Com a filiação dos governadores Blairo Maggi (MT) e Ivo Cassol (RO), o PR conseguiu esticar sua bancada para 34 deputados federais. Foi o partido que mais cresceu, proporcionalmente, entre a eleição e a posse dos parlamentares para a nova Legislatura do Congresso. O partido vem buscando uma nova face, depois que seu presidente Valdemar Costa Neto teve de renunciar para evitar o processo de cassação dos mensaleiros. Ele voltou ao Congresso, mas já não domina o partido. O ex-prefeito de Manaus (AM) e ex-ministros dos Transportes Alfredo Nascimento, eleito senador pelo Amazonas, é quem dá as cartas, hoje, como presidente de honra do antigo PL e um acesso privilegiado ao presidente Lula. Embora Costa Neto ainda seja o presidente oficial, quem está exercendo o cargo é o professor Sergio Tamer, um procurador federal, que ingressou no PL em 1986 pelas mãos do fundador do partido Álvaro Valle, morto há seis anos em decorrência de câncer no intestino. Na semana passada, o líder da bancada na Câmara, Luciano Castro (RR), foi reconduzido depois de demonstrar força com o apadrinhamento de dez deputados recém filiados na reunião que decidiria também o posicionamento na eleição para a Mesa Diretora. O antigo líder Sandro Mabel (GO) desistiu de disputar o cargo e a bancada se unificou no apoio a Arlindo Chinaglia e na indicação de Inocêncio Oliveira (PE) para a segunda-vice-presidência. Inocêncio, que nos últimos 20 anos só se afastou da direção da Câmara no período em que liderou a bancada do PFL, começou a disputa apoiando Aldo Rebelo, mas mudou de lado ao perceber que poderia ficar fora da elite do Congresso pela primeira vez em oito Legislaturas consecutivas. Inconformado com a decisão, o deputado Damião Feliciano (PB), que quase enfrentou processo de cassação do mandato ao ser denunciado por achaque a donos de empreiteiras arroladas na CPI das Obras Inacabadas presidida por ele, decidiu enfrentar o colega de partido no plenário, como candidato avulso. Ao saber do registro da candidatura subversiva, Tamer consultou a assessoria jurídica do PR e convocou uma reunião extraordinária da Executiva, que decidiu expulsar o deputado do partido. Protocolou a decisão no Tribunal Superior Eleitoral na manhã seguinte e comunicou a exclusão à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara menos de 24 horas depois do registro da candidatura. Foi a expulsão mais rápida por indisciplina partidária da história do Parlamento brasileiro.
Estopim do escândalo do “mensalão”, o deputado cassado Roberto Jefferson retornou ao comando do PTB (21 deputados), mas não tem controle algum sobre a bancada. Ao contrário da Legislatura passada, quando o partido dobrou de tamanho na Câmara no início do governo Lula, neste segundo mandato o PTB encolheu entre a eleição e a posse. Resultado das intervenções de Jefferson, que não quer ver o partido participando da coalizão lulista. Se o grupo liderado pelo ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, não conseguir tirar logo o comando das mãos dele, o PTB corre o risco de definhar até o estado vegetativo nesta Legislatura. Não fossem as brigas regionais, a maioria dos parlamentares do PTB já estaria integrando outros partidos conservadores da base governista. O novo líder, Jovair Arantes (GO), tem menos envergadura política do que o anterior, José Múcio Monteiro (PE). Este é mencionado nas cogitações para líder do governo. Mesmo tendo sido um dos apoiadores de primeira hora de Arlindo, é pouco provável que seja designado para a função. Não só pelo litígio interno do partido, mas também pelo tamanho da bancada, que agrega pouco à base governista.
Bloco da oposição PSDB/PFL/PPS (141 deputados)
O bloco da oposição foi formado às pressas depois de avisado que o PT e o PMDB fariam um ajuntamento com outros seis partidos para se contrapor ao bloco da esquerda formado para apoiar a candidatura de Aldo Rebelo. Com isso, PSDB e PFL conseguiram preservar a ordem de escolha da indicação para compor a Mesa Diretora. Depois da formação das Comissões Temáticas, o grupo deverá se dissolver. Apesar das afinidades, suas lideranças desejam demarcar posições diferenciadas na oposição, uma vez que disputam o mesmo segmento do eleitorado. O PSDB tem opções de candidaturas fortes para a Presidência em 2010 e precisa consolida-las. O PFL começa novamente do zero, depois das derrotas para os governos da Bahia e Pernambuco, principalmente, além da aposta fracassada do prefeito do Rio de Janeiro César Maia na candidatura da juíza Denise Frossard, do PPS.
Depois de duas derrotas consecutivas e com três candidatos potenciais à Presidência a quatro anos da disputa, o PSDB é um partido à beira de um ataque de nervos. O ex-presidente Fernando Henrique se esforça, mas não consegue dar uma linha ideológica para os tucanos. Nem o candidato Geraldo Alckmin conseguiu se encaixar no figurino enxugamento do Estado defendido pelo sociólogo. O governador José Serra ensaia um discurso intervencionista para capturar parte do eleitorado de esquerda. E o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, treina para um concurso de mister simpatia, confiando na força do DNA herdado do avô, Tancredo Neves, que morreu em circunstâncias nacionalmente trágicas antes de tomar posse como o primeiro presidente civil a suceder a ditadura militar de 20 anos. Na disputa da Câmara, o grupo de Serra, sob a liderança do ex-líder Jutahy Junior (BA) e do atual, Antonio Carlos Pannunzzio (SP), foi decisivo para a vitória de Arlindo. A turma de Aécio subiu no muro no discurso, mas também colaborou para cumprir o acordo com o PT, que assegurou o cardo de primeiro-vice-presidente para Narcio Rodrigues (MG). A turma de Alckmin e FHC ficou com Aldo, assim como a maioria dos tucanos que não são de ninguém e buscam espaço de interlocução com o governo ao largo da intermediação do PT. Para o ex-líder do governo FHC na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), como todo partido de oposição, o PSDB está sem rumo. O caminho para encontra-lo, segundo ele, é ter e seguir com convicção um bom programa. Para Madeira, um bom programa, no mundo moderno, é o que defende Estado menor, estabilidade jurídica, educação de qualidade e sistema político com voto distrital puro.
Desde a morte do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães, filho de ACM, o PFL (61 deputados) não encontrou mais o seu projeto de poder do “liberalismo no século XXI”. Foi arrasado na eleição, ficando apenas com o governo do Distrito Federal. O atual presidente Jorge Bornhausen mostrou que ainda tem força, colocando seus aliados nos cargos chave para a oposição. O sergipano Machado na Mesa Diretora e o gaúcho Ônix Lorenzoni na liderança da bancada na Câmara. A ala carlista ficou muito enfraquecida com a derrota para o governo da Bahia, assim como o grupo do ex-vice-presidente Marco Maciel, com a derrota em Pernambuco. Mesmo assim, o deputado ACM Neto poderá ser testado como líder da bancada no próximo ano, dando-lhe visibilidade para disputar alguma prefeitura de destaque na Bahia em 2008.
No PPS (17 deputados), reina o dilema ser ou não ser governo. Enquanto o presidente Roberto Freire dar as cartas no partido, ficará fazendo meia-oposição. Freire já não consegue se eleger deputado em Pernambuco, mas graças à generosidade do ex-governador Jarbas Vasconcelos, ainda terá alguns momentos de estrelato quando assumir o mandato de senador do qual é suplente. Pela proximidade com o governador José Serra, a tendência de Freire é levar o PPS para perto do PSDB. Mas, há um grupo forte na bancada que gostaria muito de integrar o bloco governista de esquerda, sustentando a perspectiva de poder representada pelo ex-correligionário Ciro Gomes.
Por Nelson Breve.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.

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