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Por 18:04 Sem categoria

Mesmo com ação do Banco Central, câmbio gera incertezas para 2007

Para o economista a Unicamp Mariano Laplane, o aumento da participação dos países em desenvolvimento nas exportações brasileiras acompanha tendência mundial. O crescimento econômico mais acelerado amplia a participação desses países no comércio mundial.

Ele afirma ainda que a ação do Banco Central de comprar dólares para compor suas reservas é necessária, mas não resolve a pressão cambial. O cenário é resultado do superávit comercial e das taxas de juros elevadas para os padrões internacionais. A aceleração da queda do juros seria a saída mais eficiente para reduzir essas pressões cambiais. Sem isso, há dúvidas sobre a manutenção do ritmo de exportação, fato já sentido nos últimos meses de 2006.

FÓRUM – Como o senhor avalia o balanço das exportações brasileiras em 2006 com o crescimento acentuado das vendas para países em desenvolvimento?

LAPLANE – O lado bom da mudança na composição das exportações é que ela é bastante compatível com o que ocorre no comércio mundial. A participação dos países em desenvolvimento vem crescendo e o Brasil vai na mesma direção. Outro lado bom é que entre os países em desenvolvimento, o principal parceiro tenha sido a Argentina. Mostra que a economia está se recuperando definitivamente da crise de quatro anos atrás ao voltar a ser compradora. É bom para o Brasil também, porque o conteúdo do comércio é diferente do praticado com outros países em desenvolvimento. Enquanto a Argentina compra muito produto manufaturado, sofisticado, a China adquire basicamente matéria-prima ou produtos primários. E é importante para os dois que o comércio intramercosul, que passou por um periodo bem desfavorável, volte a crescer. Além disso, os países em desenvolvimento são os principais parceiros, mas sem redução das vendas para países desenvolvidos. A relação com os primeiros aumentou mais rápido do que com os outros.

FÓRUM – Qual o motivo desse crescimento?

LAPLANE – O principal é que eles têm mais demanda por importações, porque crescem mais rapidamente. De outro lado, porque o Brasil tem diversificado seus mercados. As exportações chegam a mais partes do mundo. Há parceiros comerciais em todos os continentes, exceto a África, pelo fato de as economias serem menores. Na América Latina, Argentina e Mexico são fortes parceiros e na Ásia, a China também é. O desempenho conta com um leque bem amplo.

FÓRUM – Com o real valorizado, a tendência muda?

LAPLANE – Os dados são de 2006, totalizados. Se a análise for sobre os últimos meses do ano passado – já que deste ano só poderíamos ter os dados de janeiro – há uma desaceleração do crescimento das exportações. A causa é, basicamente, o câmbio que compromete a competitividade das exportações. Não de maneira absoluta, mas cada vez mais seriamente para muitos exportadores. Outras questões são as limitações de logística que criam gargalos. Juntos, esses fatores geram dúvidas para 2007.

FÓRUM – Como o sr. avalia a atuação do Banco Central na compra de dólares no mercado financeiro em janeiro e início de fevereiro?

LAPLANE – O superávit da balança comercial puxa o dólar para baixo. A taxa de juros elevada acaba atraindo investidores. Somados, criam uma pressão muito grande, porque há oferta elevada de dólar. Ao compor reservas, o Banco Central faz o que tem de ser feito. Para tornar seu esforço mais eficaz, precisa segurar entrada de capital especulativo, com redução de juros.

FÓRUM – Um tema que passou despercebido no perfil da dívida interna brasileira foi o crescimento da participação de investidores estrangeiros na dívida interna. Embora baixa, menos de 3%, teve elevação de três vezes em 2006. Num cenário de pressão cambial, essa opção do Tesouro é uma boa opção?

LAPLANE – Na escala em que está atualmente não é problema, porque é pequena. Mas depende muito do tipo de papel e dos títulos da dívida oferecidos. Se for possível vender para aplicadores estrangeiros com prazos mais longos, o balanço é positivo, porque há entrada de recursos estrangeiros, pressiona o dólar, mas contribui com a melhora do perfil da dívida, alongando prazos. Isso também auxilia na queda de juros. O que não valeria a pena é para aplicações de curtíssimo prazo que não resolvem problemas da dívida e só criam a pressão cambial.

Por Anselmo Massad.

ENTREVISTA COLHIDA NO SÍTIO www.revistaforum.com.br.

Por 18:04 Notícias

Mesmo com ação do Banco Central, câmbio gera incertezas para 2007

Para o economista a Unicamp Mariano Laplane, o aumento da participação dos países em desenvolvimento nas exportações brasileiras acompanha tendência mundial. O crescimento econômico mais acelerado amplia a participação desses países no comércio mundial.
Ele afirma ainda que a ação do Banco Central de comprar dólares para compor suas reservas é necessária, mas não resolve a pressão cambial. O cenário é resultado do superávit comercial e das taxas de juros elevadas para os padrões internacionais. A aceleração da queda do juros seria a saída mais eficiente para reduzir essas pressões cambiais. Sem isso, há dúvidas sobre a manutenção do ritmo de exportação, fato já sentido nos últimos meses de 2006.
FÓRUM – Como o senhor avalia o balanço das exportações brasileiras em 2006 com o crescimento acentuado das vendas para países em desenvolvimento?
LAPLANE – O lado bom da mudança na composição das exportações é que ela é bastante compatível com o que ocorre no comércio mundial. A participação dos países em desenvolvimento vem crescendo e o Brasil vai na mesma direção. Outro lado bom é que entre os países em desenvolvimento, o principal parceiro tenha sido a Argentina. Mostra que a economia está se recuperando definitivamente da crise de quatro anos atrás ao voltar a ser compradora. É bom para o Brasil também, porque o conteúdo do comércio é diferente do praticado com outros países em desenvolvimento. Enquanto a Argentina compra muito produto manufaturado, sofisticado, a China adquire basicamente matéria-prima ou produtos primários. E é importante para os dois que o comércio intramercosul, que passou por um periodo bem desfavorável, volte a crescer. Além disso, os países em desenvolvimento são os principais parceiros, mas sem redução das vendas para países desenvolvidos. A relação com os primeiros aumentou mais rápido do que com os outros.
FÓRUM – Qual o motivo desse crescimento?
LAPLANE – O principal é que eles têm mais demanda por importações, porque crescem mais rapidamente. De outro lado, porque o Brasil tem diversificado seus mercados. As exportações chegam a mais partes do mundo. Há parceiros comerciais em todos os continentes, exceto a África, pelo fato de as economias serem menores. Na América Latina, Argentina e Mexico são fortes parceiros e na Ásia, a China também é. O desempenho conta com um leque bem amplo.
FÓRUM – Com o real valorizado, a tendência muda?
LAPLANE – Os dados são de 2006, totalizados. Se a análise for sobre os últimos meses do ano passado – já que deste ano só poderíamos ter os dados de janeiro – há uma desaceleração do crescimento das exportações. A causa é, basicamente, o câmbio que compromete a competitividade das exportações. Não de maneira absoluta, mas cada vez mais seriamente para muitos exportadores. Outras questões são as limitações de logística que criam gargalos. Juntos, esses fatores geram dúvidas para 2007.
FÓRUM – Como o sr. avalia a atuação do Banco Central na compra de dólares no mercado financeiro em janeiro e início de fevereiro?
LAPLANE – O superávit da balança comercial puxa o dólar para baixo. A taxa de juros elevada acaba atraindo investidores. Somados, criam uma pressão muito grande, porque há oferta elevada de dólar. Ao compor reservas, o Banco Central faz o que tem de ser feito. Para tornar seu esforço mais eficaz, precisa segurar entrada de capital especulativo, com redução de juros.
FÓRUM – Um tema que passou despercebido no perfil da dívida interna brasileira foi o crescimento da participação de investidores estrangeiros na dívida interna. Embora baixa, menos de 3%, teve elevação de três vezes em 2006. Num cenário de pressão cambial, essa opção do Tesouro é uma boa opção?
LAPLANE – Na escala em que está atualmente não é problema, porque é pequena. Mas depende muito do tipo de papel e dos títulos da dívida oferecidos. Se for possível vender para aplicadores estrangeiros com prazos mais longos, o balanço é positivo, porque há entrada de recursos estrangeiros, pressiona o dólar, mas contribui com a melhora do perfil da dívida, alongando prazos. Isso também auxilia na queda de juros. O que não valeria a pena é para aplicações de curtíssimo prazo que não resolvem problemas da dívida e só criam a pressão cambial.
Por Anselmo Massad.
ENTREVISTA COLHIDA NO SÍTIO www.revistaforum.com.br.

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