As mulheres sempre encontraram muitas barreiras no mercado de trabalho. Na antiguidade o trabalho era considerado indigno dos cidadãos, era reservado às mulheres e aos escravos, porque estes se sujeitavam às necessidades, o trabalho exercido por mulheres e escravos não tinha valor, portanto não remunerado. Estas construções sociais da concepção e valorização do trabalho ainda continuam presentes hoje, gênero e raça, constituem diferenças no espaço e na remuneração do trabalho.
Com inicio da industrialização principalmente têxtil eram as mulheres e crianças o maior número de contingente de mão de obra nas fábricas brasileiras. Trabalhando em lugares insalubres, com jornadas extensas, trabalho repetitivo e pouco remunerado as mulheres enfrentavam ainda o assédio sexual, o assédio moral e, a resistência dos homens que consideravam que a inserção das mulheres no mercado de trabalho reduziam os empregos masculinos e baixavam a remuneração, já que as mulheres eram contratadas por salários inferiores. A luta pela participação nos espaços sociais continua nada fáceis para as mulheres, o direito ao voto feminino foi uma conquista árdua de mulheres em todo o mundo, o direito e a valorização ao trabalho são uma luta constante das mulheres.
No setor bancário as mulheres foram se inserindo aos poucos, contratadas como datilógrafas, escriturárias exerciam os trabalhos mais rotineiros. O antigo Banespa por exemplo só permitiu o ingresso de mulheres em 1968 e para o cargo de auxiliar de escrita inferior ao de escriturário, no Banco do Brasil o ingresso das mulheres só foi permitido em 1971. Segnini (1994) e Jinkings (2002) observam o processo de feminização na força de trabalho nos bancos a medida que se aprofundavam as mudanças tecnológicas e organizacionais do trabalho bancário. Em 1979 as mulheres representavam 36% da força de trabalho bancária no estado de São Paulo, na década de 1980 chegaram a representar quase a metade da categoria 47,5%. O período de declínio pode ser constatado no inicio de 1990 reduzindo de 46,5% em 1992 para 44,5% em 1993 e 41% em 1996. Fato justificado pelo processo de reestruturação dos bancos que enxugaram vários quadros intermediários principalmente de escriturários onde concentrava grande parcela de mão de obra nos bancos, com forte presença feminina, que passaram de 58% em 1979 para 27% em 1993.
Os novos modelos de gestão diminuíram os trabalhadores nos locais de trabalho, o processo produtivo passou a exigir trabalhadores polivalentes, dispostos a cumprir metas e vendas de produtos e serviços, incorporando a remuneração variável. A exigência na excelência do atendimento, a polivalência, fator de qualidade cada vez mais valorizado no setor financeiro levou um aumento da participação das mulheres nos bancos.
Com maior exigência na qualificação e nível de escolaridade as mulheres passam a ocupar mais espaços nos bancos. Porém esta participação como demonstra vários estudos ficou reduzida a um papel secundário, com a exploração das habilidades e competências das mulheres, em trabalhos repetitivos, nos postos intermediários onde predomina a venda de produtos a habilidade das mulheres no trato com clientes, sem a devida valorização do seu trabalho, limitando os espaços na hierarquia e remuneração dos bancos.
Dados da pesquisa realizada pelo DIEESE (2001), intitulada: Os Rostos dos Bancários: Mapa de gênero e raça no setor bancário brasileiro, realizada em seis regiões metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal, revelou:
– As mulheres representam mais de 45% da categoria, constituindo um dos setores que mais emprega mulheres proporcionalmente;
Embora as mulheres tenham tido certa ascensão nos postos intermediários, isto não repercutiu em igualdade de remuneração;
O maior nível de escolaridade também não refletiu em maior salário.
Dados do DIEESE de 2004 revelam que somente 11,60% das mulheres bancárias ganham mais de 20 salários mínimos, contra 20,79% dos homens. Cargos de diretoria são ocupados somente por 5% das mulheres contra 95% dos homens. As discriminações sexistas no setor bancário são visíveis: baixa remuneração, segmentação da ocupação em trabalhos repetitivos mais suscetíveis a doenças ocupacionais, evidenciando a perversidade a que são submetidas às mulheres bancárias. São ainda as que mais sofrem com a violência dos chefes, sendo as principais vítimas do assédio moral e sexual. Mais acometidas pelas LERs/DORT – Lesões por esforços repetitivos e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, as mulheres acabam sendo vítimas de piadinhas e desconsideração. O controle pela produção faz com que as ausências por conta de tratamentos sejam desqualificadas e injustificadas. Até mesmo a ida ao banheiro acaba sendo controlada, além do que as mulheres casadas e mães geralmente são penalizadas no setor, com grande limitação de ascensão.
É preciso identificar os fatores que levam a valorização diferenciada em que cada sexo e raça têm um peso distinto. Alguns estudos mostram diferenças de remuneração entre raça e gênero em funções iguais. Criam-se alguns mecanismos para justificar estas diferenças, como adotadas por alguns bancos, com letras de ascensão na função. Via de regra as desigualdades passam despercebidas, tendência em considerar diferenças biológicas, qualidades pessoais ou opções individuais as responsáveis pelas diferenças. O mito da democracia racial fortalece a resistência em reconhecer desigualdades de gênero e particularmente de raça.
No processo de divisão sexual do trabalho, a técnica e as habilidades constituem mecanismos importantes na valorização da força de trabalho. No caso das mulheres as habilidades consideradas femininas, inatas, naturais são apropriadas pelo sistema de produção capitalista e desvalorizadas, pois parte do pressuposto de como são naturais, não houve o esforço de aprendizagem, portanto não há que considera-las como valor de trabalho agregado, qualificado. Não há como negar a segmentação do trabalho feminino, estreitamente ligado a extensão das atividades privadas, o da responsabilidade pelo trabalhado doméstico, educação, saúde, alimentação, assistência social, atendimento, cuidado com crianças e idosos, entre outros onde a predominância é feminina e de menor remuneração.
Pauta feminista na categoria bancária
A luta contra opressão de gênero tem encontrado forte eco na organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, este acumulo foi conseguido pela contribuição do movimento feminista. Que colocou em xeque principalmente ao movimento sindical que a classe trabalhadora tem dois sexos, e que as mulheres são exploradas de forma mais intensa pelo capitalismo, além do que a responsabilidade pela reprodução social, o “capital social” é exercido quase exclusivamente pelas mulheres sem nenhuma valorização. Entende-se por reprodução social as tarefas exercidas para manutenção da força de trabalho, que se resumem às tarefas domésticas, a limpeza das roupas, da casa, a alimentação, o cuidado da família, da criança, entre outras. Tarefas estas que chegam a consumir até vinte horas semanais, conforme estudos realizados por DEDECCA (2004).
Neste contexto o movimento feminista contribuiu profundamente para que a licença paternidade fosse incluída na Constituição de 1988. Colocando o debate para a sociedade e para o movimento sindical sobre a responsabilidade paterna. O que suscitou avanços nas negociações coletivas, com discussão sobre o direito à creche, a licenças e faltas para acompanhamento dos filhos em tratamento de saúde, entre outros. Na categoria bancária o tema foi trabalhado de forma mais incisiva em 2002 quando a Confederação dos Bancários lançou a campanha: “Relações compartilhadas”.
A luta pela valorização e divisão das tarefas doméstica representa um debate fundamental para discutir o peso e o valor das funções. Não é justo que as mulheres respondam exclusivamente pela reprodução social e que sejam penalizadas no mercado de trabalho pelo fato de serem ou poderem ser mães. O fato da mulher gerar filhos não quer dizer que ela seja a única responsável por eles, algumas funções são insubstituíveis, mas outras podem e devem ser divididas com os companheiros, com o Estado e também com o capital. A responsabilidade pela maternidade não pode ser motivo para discriminação e limitação no setor produtivo, ao contrário devia sim ser reconhecido e valorizado, afinal de contas as mulheres são as responsáveis pela geração da mão de obra para o mercado.
Outro elemento que envolve este debate também trazido pelo movimento feminista é a segmentação do mercado de trabalho, em que as atividades executadas pelas mulheres funcionam como extensão do trabalho doméstico, de arrumação, organização, ou seja, tarefas subordinadas, sem prestígio, sem poder de decisão. Como se as tarefas relacionadas ao poder, direção e execução e de maior prestígio fosse de competência dos homens. Vinculou-se razão como competência masculina e emoção como competência feminina, e a distribuição de cargos segue um perfil predeterminado em que estas competências limitam a participação dos sexos em determinada função. É preciso desconstruir estes estereotipos, pensar em seres humanos completos, capazes de desenvolverem razão e emoção, repensar os espaços de homens e mulheres na sociedade, e principalmente em que tipo de sociedade queremos.
A organização das mulheres no movimento sindical se torna fundamental, é preciso participar dos espaços de decisão incluindo pauta de igualdade de oportunidades. No caso do setor financeiro esta discussão está presente há pelo menos duas décadas. O primeiro tema tratado pelas sindicalistas bancárias foi o combate ao assédio sexual no setor financeiro, no início de 1990. Em 1997 foi criado a CGROS – Comissão Nacional de Gênero, Raça e Orientação Sexual da Confederação Nacional dos Bancários, várias campanhas foram realizadas: campanha de sindicalização das mulheres bancárias – 1998, “igualdade de oportunidades: todo mundo sai ganhando com a adoção de novas práticas” – 2000; “prevenção e combate ao assédio sexual no trabalho” -2001 e “relações compartilhadas: um outro mundo é possível” – 2001. E em 2006 junto com a comissão nacional de saúde foi lançada a campanha de combate ao assédio moral no trabalho.
A temática da igualdade de oportunidades está tendo reflexos na categoria, houve avanços nas negociações coletivas com a inclusão de várias cláusulas de gênero. O Banco do Brasil e Caixa adotaram programas de equidade de gênero e promoção da diversidade. Alguns bancos privados têm adotado programas de diversidade mas, é preciso avançar além da moeda social, adotar programas não é apenas incluir pessoas e sim dar condições de oportunidades de trabalho e ascensão profissional, é adotar políticas com metas bem definidas. A diversidade deve ser tratada para além da “inclusão” do diferente, discutindo como ponto central a extinção dos mecanismos sociais culturais que transformam as diferenças em desigualdades.
Por Eliana Maria dos Santos, que é secretária de Formação da FETEC-CUT-PR e integrante da secretaria das Mulheres da CUT/PR.
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Por Mhais• 5 de março de 2007• 17:50• Sem categoria
Feminismo em movimento, reflexos na luta das bancárias
As mulheres sempre encontraram muitas barreiras no mercado de trabalho. Na antiguidade o trabalho era considerado indigno dos cidadãos, era reservado às mulheres e aos escravos, porque estes se sujeitavam às necessidades, o trabalho exercido por mulheres e escravos não tinha valor, portanto não remunerado. Estas construções sociais da concepção e valorização do trabalho ainda continuam presentes hoje, gênero e raça, constituem diferenças no espaço e na remuneração do trabalho.
Com inicio da industrialização principalmente têxtil eram as mulheres e crianças o maior número de contingente de mão de obra nas fábricas brasileiras. Trabalhando em lugares insalubres, com jornadas extensas, trabalho repetitivo e pouco remunerado as mulheres enfrentavam ainda o assédio sexual, o assédio moral e, a resistência dos homens que consideravam que a inserção das mulheres no mercado de trabalho reduziam os empregos masculinos e baixavam a remuneração, já que as mulheres eram contratadas por salários inferiores. A luta pela participação nos espaços sociais continua nada fáceis para as mulheres, o direito ao voto feminino foi uma conquista árdua de mulheres em todo o mundo, o direito e a valorização ao trabalho são uma luta constante das mulheres.
No setor bancário as mulheres foram se inserindo aos poucos, contratadas como datilógrafas, escriturárias exerciam os trabalhos mais rotineiros. O antigo Banespa por exemplo só permitiu o ingresso de mulheres em 1968 e para o cargo de auxiliar de escrita inferior ao de escriturário, no Banco do Brasil o ingresso das mulheres só foi permitido em 1971. Segnini (1994) e Jinkings (2002) observam o processo de feminização na força de trabalho nos bancos a medida que se aprofundavam as mudanças tecnológicas e organizacionais do trabalho bancário. Em 1979 as mulheres representavam 36% da força de trabalho bancária no estado de São Paulo, na década de 1980 chegaram a representar quase a metade da categoria 47,5%. O período de declínio pode ser constatado no inicio de 1990 reduzindo de 46,5% em 1992 para 44,5% em 1993 e 41% em 1996. Fato justificado pelo processo de reestruturação dos bancos que enxugaram vários quadros intermediários principalmente de escriturários onde concentrava grande parcela de mão de obra nos bancos, com forte presença feminina, que passaram de 58% em 1979 para 27% em 1993.
Os novos modelos de gestão diminuíram os trabalhadores nos locais de trabalho, o processo produtivo passou a exigir trabalhadores polivalentes, dispostos a cumprir metas e vendas de produtos e serviços, incorporando a remuneração variável. A exigência na excelência do atendimento, a polivalência, fator de qualidade cada vez mais valorizado no setor financeiro levou um aumento da participação das mulheres nos bancos.
Com maior exigência na qualificação e nível de escolaridade as mulheres passam a ocupar mais espaços nos bancos. Porém esta participação como demonstra vários estudos ficou reduzida a um papel secundário, com a exploração das habilidades e competências das mulheres, em trabalhos repetitivos, nos postos intermediários onde predomina a venda de produtos a habilidade das mulheres no trato com clientes, sem a devida valorização do seu trabalho, limitando os espaços na hierarquia e remuneração dos bancos.
Dados da pesquisa realizada pelo DIEESE (2001), intitulada: Os Rostos dos Bancários: Mapa de gênero e raça no setor bancário brasileiro, realizada em seis regiões metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal, revelou:
– As mulheres representam mais de 45% da categoria, constituindo um dos setores que mais emprega mulheres proporcionalmente;
Embora as mulheres tenham tido certa ascensão nos postos intermediários, isto não repercutiu em igualdade de remuneração;
O maior nível de escolaridade também não refletiu em maior salário.
Dados do DIEESE de 2004 revelam que somente 11,60% das mulheres bancárias ganham mais de 20 salários mínimos, contra 20,79% dos homens. Cargos de diretoria são ocupados somente por 5% das mulheres contra 95% dos homens. As discriminações sexistas no setor bancário são visíveis: baixa remuneração, segmentação da ocupação em trabalhos repetitivos mais suscetíveis a doenças ocupacionais, evidenciando a perversidade a que são submetidas às mulheres bancárias. São ainda as que mais sofrem com a violência dos chefes, sendo as principais vítimas do assédio moral e sexual. Mais acometidas pelas LERs/DORT – Lesões por esforços repetitivos e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, as mulheres acabam sendo vítimas de piadinhas e desconsideração. O controle pela produção faz com que as ausências por conta de tratamentos sejam desqualificadas e injustificadas. Até mesmo a ida ao banheiro acaba sendo controlada, além do que as mulheres casadas e mães geralmente são penalizadas no setor, com grande limitação de ascensão.
É preciso identificar os fatores que levam a valorização diferenciada em que cada sexo e raça têm um peso distinto. Alguns estudos mostram diferenças de remuneração entre raça e gênero em funções iguais. Criam-se alguns mecanismos para justificar estas diferenças, como adotadas por alguns bancos, com letras de ascensão na função. Via de regra as desigualdades passam despercebidas, tendência em considerar diferenças biológicas, qualidades pessoais ou opções individuais as responsáveis pelas diferenças. O mito da democracia racial fortalece a resistência em reconhecer desigualdades de gênero e particularmente de raça.
No processo de divisão sexual do trabalho, a técnica e as habilidades constituem mecanismos importantes na valorização da força de trabalho. No caso das mulheres as habilidades consideradas femininas, inatas, naturais são apropriadas pelo sistema de produção capitalista e desvalorizadas, pois parte do pressuposto de como são naturais, não houve o esforço de aprendizagem, portanto não há que considera-las como valor de trabalho agregado, qualificado. Não há como negar a segmentação do trabalho feminino, estreitamente ligado a extensão das atividades privadas, o da responsabilidade pelo trabalhado doméstico, educação, saúde, alimentação, assistência social, atendimento, cuidado com crianças e idosos, entre outros onde a predominância é feminina e de menor remuneração.
Pauta feminista na categoria bancária
A luta contra opressão de gênero tem encontrado forte eco na organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, este acumulo foi conseguido pela contribuição do movimento feminista. Que colocou em xeque principalmente ao movimento sindical que a classe trabalhadora tem dois sexos, e que as mulheres são exploradas de forma mais intensa pelo capitalismo, além do que a responsabilidade pela reprodução social, o “capital social” é exercido quase exclusivamente pelas mulheres sem nenhuma valorização. Entende-se por reprodução social as tarefas exercidas para manutenção da força de trabalho, que se resumem às tarefas domésticas, a limpeza das roupas, da casa, a alimentação, o cuidado da família, da criança, entre outras. Tarefas estas que chegam a consumir até vinte horas semanais, conforme estudos realizados por DEDECCA (2004).
Neste contexto o movimento feminista contribuiu profundamente para que a licença paternidade fosse incluída na Constituição de 1988. Colocando o debate para a sociedade e para o movimento sindical sobre a responsabilidade paterna. O que suscitou avanços nas negociações coletivas, com discussão sobre o direito à creche, a licenças e faltas para acompanhamento dos filhos em tratamento de saúde, entre outros. Na categoria bancária o tema foi trabalhado de forma mais incisiva em 2002 quando a Confederação dos Bancários lançou a campanha: “Relações compartilhadas”.
A luta pela valorização e divisão das tarefas doméstica representa um debate fundamental para discutir o peso e o valor das funções. Não é justo que as mulheres respondam exclusivamente pela reprodução social e que sejam penalizadas no mercado de trabalho pelo fato de serem ou poderem ser mães. O fato da mulher gerar filhos não quer dizer que ela seja a única responsável por eles, algumas funções são insubstituíveis, mas outras podem e devem ser divididas com os companheiros, com o Estado e também com o capital. A responsabilidade pela maternidade não pode ser motivo para discriminação e limitação no setor produtivo, ao contrário devia sim ser reconhecido e valorizado, afinal de contas as mulheres são as responsáveis pela geração da mão de obra para o mercado.
Outro elemento que envolve este debate também trazido pelo movimento feminista é a segmentação do mercado de trabalho, em que as atividades executadas pelas mulheres funcionam como extensão do trabalho doméstico, de arrumação, organização, ou seja, tarefas subordinadas, sem prestígio, sem poder de decisão. Como se as tarefas relacionadas ao poder, direção e execução e de maior prestígio fosse de competência dos homens. Vinculou-se razão como competência masculina e emoção como competência feminina, e a distribuição de cargos segue um perfil predeterminado em que estas competências limitam a participação dos sexos em determinada função. É preciso desconstruir estes estereotipos, pensar em seres humanos completos, capazes de desenvolverem razão e emoção, repensar os espaços de homens e mulheres na sociedade, e principalmente em que tipo de sociedade queremos.
A organização das mulheres no movimento sindical se torna fundamental, é preciso participar dos espaços de decisão incluindo pauta de igualdade de oportunidades. No caso do setor financeiro esta discussão está presente há pelo menos duas décadas. O primeiro tema tratado pelas sindicalistas bancárias foi o combate ao assédio sexual no setor financeiro, no início de 1990. Em 1997 foi criado a CGROS – Comissão Nacional de Gênero, Raça e Orientação Sexual da Confederação Nacional dos Bancários, várias campanhas foram realizadas: campanha de sindicalização das mulheres bancárias – 1998, “igualdade de oportunidades: todo mundo sai ganhando com a adoção de novas práticas” – 2000; “prevenção e combate ao assédio sexual no trabalho” -2001 e “relações compartilhadas: um outro mundo é possível” – 2001. E em 2006 junto com a comissão nacional de saúde foi lançada a campanha de combate ao assédio moral no trabalho.
A temática da igualdade de oportunidades está tendo reflexos na categoria, houve avanços nas negociações coletivas com a inclusão de várias cláusulas de gênero. O Banco do Brasil e Caixa adotaram programas de equidade de gênero e promoção da diversidade. Alguns bancos privados têm adotado programas de diversidade mas, é preciso avançar além da moeda social, adotar programas não é apenas incluir pessoas e sim dar condições de oportunidades de trabalho e ascensão profissional, é adotar políticas com metas bem definidas. A diversidade deve ser tratada para além da “inclusão” do diferente, discutindo como ponto central a extinção dos mecanismos sociais culturais que transformam as diferenças em desigualdades.
Por Eliana Maria dos Santos, que é secretária de Formação da FETEC-CUT-PR e integrante da secretaria das Mulheres da CUT/PR.
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