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A Carta Maior e os cabeças de planilha

Flávio Aguiar assina um editorial na Agência Carta Maior em que, de maneira direta, diz que a publicação está no limite, prestes a fechar. Imagino o quanto não foi sofrido para ele escrever esse texto. E tenho certeza de que antes de publicá-lo deve tê-lo submetido a muitos colegas que têm apostado anos de suas trajetórias jornalísticas na perspectiva de sedimentar aquele espaço diferenciado de comunicação.

Carta Maior não vive esse drama sozinha. Fórum, há alguns meses, está se equilibrando numa corda quase inexistente para, como se costuma dizer no popular, não abrir o bico.

Fórum tem uma venda em banca bastante significativa e um número de assinantes coletivos e individuais que lhe dão independência suficiente para não se tornar refém do sistema financeiro nem das teles, que hoje tem acordos comerciais-institucionais com muitas publicações. Mas Fórum, e defendo que Carta Maior, Carta Capital e Caros Amigos, por exemplo, precisam ser respeitadas como veículos que dão (um pingo de) diversidade informativa ao espectro jornalístico brasileiro.

Só por esse motivo deveriam receber campanhas realizadas por empresas públicas que investem dinheiro público em comunicação. E isso não vem ocorrendo há um bom tempo, ao menos no caso da Fórum.

E continuo achando que a melhor forma de discutir essas coisas é de forma transparente e clara. Nunca nas sombras. Entendo que governos têm obrigação de apoiar projetos diferenciados de comunicação no Brasil e em qualquer parte do mundo. No mínimo para garantir pluralidade. Isso deveria ser uma política de Estado. Como não é, ao menos que funcione no limite do atual estágio da democracia brasileira.

Governos progressistas podem e devem investir em publicações progressistas, respeitando critérios técnicos e transparentes. Governos liberais e de direita podem e devem fazer o mesmo com veículos, como por exemplo, Primeira Leitura, que fechou por falta de recursos.

É possível fazer isso de forma aberta e limpa, sem joguinho de favores. Por isso, ao ser entrevistado pela Revista Imprensa da ocasião em que a revista Primeira Leitura, que era o avesso editorial de Fórum, foi denunciada como beneficiada por publicidades da Nossa Caixa pela Folha de S. Paulo, não concordei em tratá-la da mesma maneira que outros veículos de comunicação que faziam parte daquela lista. Primeira Leitura tinha leitores, jornalistas profissionais, um projeto claro e qualidade técnica. Tinha credenciais para receber publicidade. E pelo seu toque editorial, mesmo que apoiando idéias que se aproximavam muito mais do anunciante privado do que as de Fórum, por exemplo, deveria ser quase que tão descriminada como nós. Há um preconceito tosco nas agências de publicidade a respeito de produtos que têm como seu prato principal a política.

A crise que enfrenta (e espero que supere) a Agência Carta Maior neste momento é um sintoma também desse preconceito. Não fosse, pela audiência que tem, estaria com logomarcas de diversas empresas na sua página. E a carta de Flavio Aguiar de algum jeito é um sintoma de como vamos muito mal neste debate da comunicação no Brasil. E como se avançou quase nada nesta área nos últimos anos.

E isso acontece, entre outras coisas, porque meia dúzia de burocratas cabeças de planilha continuam decidindo se a Rádio Heliópolis deve ou não ter seu transmissor cassado ou se a Carta Maior se enquadra ou não no “padrão técnico da publicidade x ou y”. Estamos muito mal.

A garantia de um mínimo de diversidade informativa passa pela sobrevivência de veículos como Carta Maior, Carta Capital, Caros Amigos e um pouco também por esta Fórum. Passa por ampliar esse universo de veículos. E fazer isso de forma clara, respeitando os princípios técnicos.

Isso mesmo, digo técnico. Querem ver uma coisa: sabem quantos professores lêem a Fórum? Mais de cinco mil. Temos 13 entidades de educação que compram assinaturas coletivas e enviam para seus filiados. Sem contar assinantes individuais e leitores de banca que também trabalham na área.

Sabem quantos anúncios de secretarias e do Ministério da Educação Fórum já teve? Isso mesmo, leitor, nenhum. Assim fica difícil para os cabeças de planilha dizerem que o problema é só técnico, certo? Mas eles dizem. E botam publicidade na Veja.

A mudança dessa política tem de ser rápida. Porque anteontem foi o Pasquim. Ontem, a Reportagem. E agora a Carta Maior está em risco. E os grandes grupos de comunicação? Bem, estão todos pimpões.

PS: Não conversei com nenhum colega da Carta Maior para escrever este texto. Toda responsabilidade em relação a ele é única e exclusivamente minha.

Por Renato Rovai.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.revistaforum.com.br.

Por 19:15 Notícias

A Carta Maior e os cabeças de planilha

Flávio Aguiar assina um editorial na Agência Carta Maior em que, de maneira direta, diz que a publicação está no limite, prestes a fechar. Imagino o quanto não foi sofrido para ele escrever esse texto. E tenho certeza de que antes de publicá-lo deve tê-lo submetido a muitos colegas que têm apostado anos de suas trajetórias jornalísticas na perspectiva de sedimentar aquele espaço diferenciado de comunicação.
Carta Maior não vive esse drama sozinha. Fórum, há alguns meses, está se equilibrando numa corda quase inexistente para, como se costuma dizer no popular, não abrir o bico.
Fórum tem uma venda em banca bastante significativa e um número de assinantes coletivos e individuais que lhe dão independência suficiente para não se tornar refém do sistema financeiro nem das teles, que hoje tem acordos comerciais-institucionais com muitas publicações. Mas Fórum, e defendo que Carta Maior, Carta Capital e Caros Amigos, por exemplo, precisam ser respeitadas como veículos que dão (um pingo de) diversidade informativa ao espectro jornalístico brasileiro.
Só por esse motivo deveriam receber campanhas realizadas por empresas públicas que investem dinheiro público em comunicação. E isso não vem ocorrendo há um bom tempo, ao menos no caso da Fórum.
E continuo achando que a melhor forma de discutir essas coisas é de forma transparente e clara. Nunca nas sombras. Entendo que governos têm obrigação de apoiar projetos diferenciados de comunicação no Brasil e em qualquer parte do mundo. No mínimo para garantir pluralidade. Isso deveria ser uma política de Estado. Como não é, ao menos que funcione no limite do atual estágio da democracia brasileira.
Governos progressistas podem e devem investir em publicações progressistas, respeitando critérios técnicos e transparentes. Governos liberais e de direita podem e devem fazer o mesmo com veículos, como por exemplo, Primeira Leitura, que fechou por falta de recursos.
É possível fazer isso de forma aberta e limpa, sem joguinho de favores. Por isso, ao ser entrevistado pela Revista Imprensa da ocasião em que a revista Primeira Leitura, que era o avesso editorial de Fórum, foi denunciada como beneficiada por publicidades da Nossa Caixa pela Folha de S. Paulo, não concordei em tratá-la da mesma maneira que outros veículos de comunicação que faziam parte daquela lista. Primeira Leitura tinha leitores, jornalistas profissionais, um projeto claro e qualidade técnica. Tinha credenciais para receber publicidade. E pelo seu toque editorial, mesmo que apoiando idéias que se aproximavam muito mais do anunciante privado do que as de Fórum, por exemplo, deveria ser quase que tão descriminada como nós. Há um preconceito tosco nas agências de publicidade a respeito de produtos que têm como seu prato principal a política.
A crise que enfrenta (e espero que supere) a Agência Carta Maior neste momento é um sintoma também desse preconceito. Não fosse, pela audiência que tem, estaria com logomarcas de diversas empresas na sua página. E a carta de Flavio Aguiar de algum jeito é um sintoma de como vamos muito mal neste debate da comunicação no Brasil. E como se avançou quase nada nesta área nos últimos anos.
E isso acontece, entre outras coisas, porque meia dúzia de burocratas cabeças de planilha continuam decidindo se a Rádio Heliópolis deve ou não ter seu transmissor cassado ou se a Carta Maior se enquadra ou não no “padrão técnico da publicidade x ou y”. Estamos muito mal.
A garantia de um mínimo de diversidade informativa passa pela sobrevivência de veículos como Carta Maior, Carta Capital, Caros Amigos e um pouco também por esta Fórum. Passa por ampliar esse universo de veículos. E fazer isso de forma clara, respeitando os princípios técnicos.
Isso mesmo, digo técnico. Querem ver uma coisa: sabem quantos professores lêem a Fórum? Mais de cinco mil. Temos 13 entidades de educação que compram assinaturas coletivas e enviam para seus filiados. Sem contar assinantes individuais e leitores de banca que também trabalham na área.
Sabem quantos anúncios de secretarias e do Ministério da Educação Fórum já teve? Isso mesmo, leitor, nenhum. Assim fica difícil para os cabeças de planilha dizerem que o problema é só técnico, certo? Mas eles dizem. E botam publicidade na Veja.
A mudança dessa política tem de ser rápida. Porque anteontem foi o Pasquim. Ontem, a Reportagem. E agora a Carta Maior está em risco. E os grandes grupos de comunicação? Bem, estão todos pimpões.
PS: Não conversei com nenhum colega da Carta Maior para escrever este texto. Toda responsabilidade em relação a ele é única e exclusivamente minha.
Por Renato Rovai.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.revistaforum.com.br.

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