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Por 11:43 Notícias

Paraná terá zoneamento para disciplinar a expansão do plantio de cana-de-açúcar no Estado

Requião determina criação de zoneamento para expansão da cana-de-açúcar no Paraná
O Paraná terá um zoneamento para disciplinar a expansão do plantio de cana-de-açúcar no Estado. O plano está sendo elaborado pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, a pedido do governador Roberto Requião. “A idéia é que a cultura da cana possa se expandir para áreas degradadas, sem invadir outras áreas de cultivo ou eliminar pequenas propriedades rurais, matas ou bosques”, explicou o governador, na reunião semanal da Escola de Governo, realizada nesta terça-feira (10) no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Requião informou que o Governo do Paraná obteve R$ 2,5 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a implantação de novas usinas no Estado. “Estamos acompanhando e ajudando o setor sucroalcooleiro, mas temos que analisar com cautela a ilusão da substituição do petróleo pelo biocombustível”, disse. “O etanol, se preserva o meio ambiente numa ponta, reduzindo a poluição da atmosfera, o degrada na outra, devastando a natureza.”
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini reforçou a posição do governador, em disciplinar o plantio da cana-de-açúcar, a fim de não prejudicar outras culturas e nem o meio ambiente. “Pretendemos orientar os avanços do plantio da cana-de-açúcar para evitar que uma expansão desordenada ocupe áreas de cultivo de alimentos”. Bianchini ressaltou que as ações terão sempre “a ótica do desenvolvimento sustentável”.
Segundo o secretário, a cana-de-açúcar ocupa, atualmente, 500 mil hectares, o que corresponde a 6% ou 7% da área cultivável do Estado e a expansão da cultura está ocorrendo sobre áreas degradadas de pastagens. “Estamos elaborando uma nova matriz produtiva que compatibilize a agroenergia, com a produção de biodiesel, a produção de etanol, a diversificação sem a dependência excessiva de insumos.”
Procura – O governador propôs um estudo comparando o consumo de combustíveis derivados de petróleo nos EUA e a capacidade de produção de álcool brasileira. “Não creio que teríamos a menor condição de produzir essa quantidade de etanol, mesmo que plantássemos em toda a área disponível no País”, argumentou.
“Há algum tempo, dizia-se que a soja seria a salvação do Brasil na produção de biocombustível. Mas isso foi inviabilizado pelo preço desse grão, que ficou alto demais”, afirmou Requião. “E o que aconteceu no passado com a produção de álcool? Num determinado momento, o açúcar valorizou-se muito no mercado internacional, e as usinas deixaram de produzir o combustível”, lembrou o governador.
“Atualmente, o mundo quer comprar álcool do Brasil. Recebi, nos últimos quatro anos, cerca de 20 missões internacionais, a maioria japonesa, à procura do etanol. Mas eles querem garantia de fornecimento, que tal garantia seja dada por uma instituição como a Petrobras, que armazenaria um estoque regulador. Isso não é tão fácil como parece”, disse Requião.
Apesar das ressalvas, o governador considera fundamental o avanço da tecnologia de biocombustíveis, e vê grandes possibilidades para sua aplicação num estado agroindustrial como o Paraná. “O Tecpar está trabalhando em uma usina padrão, que pode converter, de resíduos animais a plantas oleaginosas, em biodiesel. Se conseguirmos distribuir pequenas usinas como essa, daremos aos produtores rurais a condição de produzir seu próprio combustível”, explicou.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.aenoticias.pr.gov.br.
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Controlar a América Latina é fundamental para EUA manterem hegemonia
Para a socióloga Ana Esther Cecenã, região tem importância central na manutenção do poderio estadunidense; estratégia dos EUA tem um braço política-econômico e outro militar
Engana-se quem pensa que George W. Bush, por causa do caos no Iraque, tem se descuidado da América Latina. Para a socióloga mexicana Ana Esther Ceceña, o continente é fundamental para que os Estados Unidos mantenham sua posição de grande potência mundial. “A América Latina é uma fonte abundante e variada de recursos que, em conjunto, garante a reprodução das relações hegemônicas, uma vez que nenhuma outra região do mundo, e muito menos outra potência, conta com uma situação similar”, diz, em entrevista ao Brasil de Fato por correio eletrônico.
Investigadora titular do Instituto de Investigações Econômicas da Universidade Autônoma do México (Unam), a mexicana Ana Esther Ceceña é membro do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), coordenadora do Observatório Latino-americano de Geopolítica e integrante da Campanha pela Desmilitarização das Américas (Cada). Leia, a seguir, sua opinião a respeito da visita do presidente estadunidense ao continente, entre os dias 8 e 14:
Brasil de Fato – O que busca o presidente dos EUA George W. Bush com seu giro pela América Latina?
Ana Esther Ceceña – A América Latina é fundamental para que os EUA consigam manter a posição de invulnerabilidade relativa que lhes permitam seguir atuando como hegemônico. Sua superioridade se assenta na condição de continentalidade que lhes permitem ter uma margem de manobra muito ampla em relação ao resto do mundo. A América Latina é uma fonte abundante e variada de recursos que, em conjunto, garantem a reprodução das relações hegemônicas, uma vez que nenhuma outra região do mundo, e muito menos outra potência, conta com uma situação similar. Dessa forma, para os EUA é indispensável assegurar o controle político, os fluxos comerciais, a permissibilidade para seus investimentos e o livre trânsito pelo continente, onde se encontra a rota comercial de passagem mais importante do mundo: o Canal do Panamá.
BF – Quais são as estratégias atuais dos EUA para manterem sua influência sobre nosso continente?
Ana Esther – A estratégia geral tem dois grandes braços. Um é econômico e tem suas expressão concreta nos tratados de livre comércio (TLCs) binacionais, regionais ou continentais; na generalização de normas referentes ao tratamento dos investimentos estrangeiros, à privatização de recursos estratégicos, ao manejo das políticas monetárias; no impulso a projetos de infra-estrutura como o oleoduto mesoamericano ou a Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que propiciam tanto o saque de recursos como a internação nas áreas centrais da massa territorial continental.
O outro braço é o militar e se desenvolve como capas envolventes, todas elas protetoras das iniciativas econômicas mencionadas, mas cujos propósitos não se restringem ao asseguramento do acesso aos recursos e que também colocaram o enfrentamento da insurgência (de qualquer tipo, inclusive a hipotética) como o outro objetivo prioritário declarado desta estratégia. Estas capas envolventes vão desde:
1) a modificação jurídica que introduz leis antiterroristas nas legislações locais,
2) os exercícios e treinamentos às tropas que auspiciam os recorridos de efetivos estadunidenses pela América Latina, a cumplicidade entre Forças Armadas, o reconhecimento do terreno e a generalização dos códigos de comportamento militar desenhados pelos EUA;
3) o uso dos exércitos na segurança interna e seu envolvimento com as polícias;
4) a instalação de bases militares de diferentes tipos, propósitos e alcances, até o estabelecimento de uma espécie de fronteira virtual nos oceanos circundantes, com o direito de interceptar, deter e até afundar qualquer tipo de embarcação que tente cruzar desde terra para águas internacionais.
BF – Alguns estadunidenses criticam a falta de atenção de Bush com a América Latina. O que você pensa disso?
Ana Esther – Existe uma confusão. Muita gente pensa que desde que Bush embarcou na aventura da Ásia Central, ele descuidou de outras regiões do mundo. É preciso que se saiba que as Forças Armadas dos EUA vêm se capacitando para poder enfrentar cinco conflitos armados simultâneos em cinco regiões do mundo distantes umas das outras (correspondendo aproximadamente aos cinco continentes), e para enfrentar simultaneamente guerras convencionais, simétricas e assimétricas. Ou seja, para além de que sejam capazes de conseguirem um controle do mundo como o que pretendem, o que não parece de nenhum modo possível, eles vêm se empenhando em um desenho estratégico global em que nenhuma parte faz com que se descuidem das outras.
BF – Você acredita que a visita de Bush ao Brasil tem também como objetivo exigir uma posição mais firme do governo brasileiro em relação à influência de Chávez na região?
Ana Esther – Por um lado, atendendo a suas condições regionais, o Brasil é uma subpotência com a qual é necessário marchar com cumplicidade. Ruy Mauro Marini (cientista social brasileiro) já falava dessa situação quando aludia ao subimperialismo brasileiro. O Brasil é o sócio que deveria permitir aos EUA voltarem a incorporar a Venezuela de Chávez e a Bolívia de Evo ao marco geral de relações e margens estabelecidos através dos organismos internacionais que eles controlam.
BF – Bush visitará também o México. Quais são seus interesses no país? O que poderá resultar dessa visita?
Ana Esther – Com o México, há uma fronteira comum de três mil quiômetros, muito conflitiva para ambos países por diferentes razões, e há uma longa história de usurpações (o México perdeu a metade de seu território) e prejuízos. Particularmente, desde o ano 2000, quando se iniciam os governos do PAN (com a eleição de Vicente Fox), os critérios de política exterior e, em especial, os da relação com EUA se modificam e a cumplicidade aumenta no terreno da “segurança nacional”, sob a definição dos EUA.
O México é o elo entre os EUA e a Amérca Latina e, nesse sentido, é um sócio muito útil, que parece disposto ao exercer o papel do “fura-greve”. Mas também México é um abastecedor muito importante de petróleo (o terceiro) e seu papel nesse terreno vem permitindo aos EUA um jogo flexível frente à OPEP em seu conjunto, e frente ao Oriente Médio e Venezuela em separado.
Consolidar o Acordo para a Segurança e Prosperidade da América do Norte (Aspan), que permite estender as fronteiras dos EUA em termos de segurança até a Guatemala, enquanto mantém uma área de amortecimento de conflitos migratórios e sociais em todo o território mexicano, é hoje uma das prioridades da administração Bush, porque isso lhe permite fechar o círculo da bacia do Golfo do México, onde se encontram as maiores jazidas de petróleo da região, e ter controlada a outra passagem comercial interoceânica no istmo de Tehuantepec.
O Aspan parece significar o avanço deste disciplinamento e da ingerência estadunidense rumo ao campo da segurança, do cuidado do território, e dos setores econômicos deixados de lado pelos TLCs. O acordo inclui, nesse nível, a integração energética que não se pôde conseguir com o Tratado de Livre Comércio do Atlântico Norte (Nafta, na sigla em inglês) e a liberdade para transitar com recursos biológicos pela região, ou seja, o tráfico de espécies, de códigos genéticos e de transgênicos Uma vez conseguido no México, isso poderia ser o modelo para toda a América Latina.
Por Igor Ojeda, da redação.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.brasildefato.com.br.
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Chávez quer minar acordo de etanol entre EUA e Brasil
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu minar o acordo entre Brasil e EUA sobre etanol, mas negou qualquer conflito com o Brasil. Em um discurso televisionado, Chávez disse que planeja acabar com a proposta de acordo sobre o etanol da mesma maneira com que fez campanha contra um acordo de livre comércio na América. “Nós estamos trabalhando em uma proposta alternativa”, disse Chávez, acrescentando que “da mesma maneira que nós derrotamos a Alca, nós vamos derrotar agora o acordo do etanol.
Os presidentes dos EUA, George W. Bush, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram no mês passado um acordo para promover o uso e produção internacional do etanol. Chávez acusou os EUA de tentarem formar um cartel do etanol para dividir a região e alertou que a produção do combustível irá acabar por destruir o meio ambiente se tentar substituir o consumo norte-americano de gasolina por etanol.
No entanto, o presidente venezuelano negou qualquer conflito com Lula e acusou Washington de tentar criar um confronto na região. “Há uma estratégia para tentar criar uma disputa com o Brasil”, disse Chávez. “Nós nunca iremos lutar contra Lula, nós nunca iremos lutar contra o Brasil”, afirmou, acrescentando que o “inimigo” da Venezuela são os EUA.
Por Agência Estado.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.parana-online.com.br.

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Paraná terá zoneamento para disciplinar a expansão do plantio de cana-de-açúcar no Estado

Requião determina criação de zoneamento para expansão da cana-de-açúcar no Paraná

O Paraná terá um zoneamento para disciplinar a expansão do plantio de cana-de-açúcar no Estado. O plano está sendo elaborado pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, a pedido do governador Roberto Requião. “A idéia é que a cultura da cana possa se expandir para áreas degradadas, sem invadir outras áreas de cultivo ou eliminar pequenas propriedades rurais, matas ou bosques”, explicou o governador, na reunião semanal da Escola de Governo, realizada nesta terça-feira (10) no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

Requião informou que o Governo do Paraná obteve R$ 2,5 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a implantação de novas usinas no Estado. “Estamos acompanhando e ajudando o setor sucroalcooleiro, mas temos que analisar com cautela a ilusão da substituição do petróleo pelo biocombustível”, disse. “O etanol, se preserva o meio ambiente numa ponta, reduzindo a poluição da atmosfera, o degrada na outra, devastando a natureza.”

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini reforçou a posição do governador, em disciplinar o plantio da cana-de-açúcar, a fim de não prejudicar outras culturas e nem o meio ambiente. “Pretendemos orientar os avanços do plantio da cana-de-açúcar para evitar que uma expansão desordenada ocupe áreas de cultivo de alimentos”. Bianchini ressaltou que as ações terão sempre “a ótica do desenvolvimento sustentável”.

Segundo o secretário, a cana-de-açúcar ocupa, atualmente, 500 mil hectares, o que corresponde a 6% ou 7% da área cultivável do Estado e a expansão da cultura está ocorrendo sobre áreas degradadas de pastagens. “Estamos elaborando uma nova matriz produtiva que compatibilize a agroenergia, com a produção de biodiesel, a produção de etanol, a diversificação sem a dependência excessiva de insumos.”

Procura – O governador propôs um estudo comparando o consumo de combustíveis derivados de petróleo nos EUA e a capacidade de produção de álcool brasileira. “Não creio que teríamos a menor condição de produzir essa quantidade de etanol, mesmo que plantássemos em toda a área disponível no País”, argumentou.

“Há algum tempo, dizia-se que a soja seria a salvação do Brasil na produção de biocombustível. Mas isso foi inviabilizado pelo preço desse grão, que ficou alto demais”, afirmou Requião. “E o que aconteceu no passado com a produção de álcool? Num determinado momento, o açúcar valorizou-se muito no mercado internacional, e as usinas deixaram de produzir o combustível”, lembrou o governador.

“Atualmente, o mundo quer comprar álcool do Brasil. Recebi, nos últimos quatro anos, cerca de 20 missões internacionais, a maioria japonesa, à procura do etanol. Mas eles querem garantia de fornecimento, que tal garantia seja dada por uma instituição como a Petrobras, que armazenaria um estoque regulador. Isso não é tão fácil como parece”, disse Requião.

Apesar das ressalvas, o governador considera fundamental o avanço da tecnologia de biocombustíveis, e vê grandes possibilidades para sua aplicação num estado agroindustrial como o Paraná. “O Tecpar está trabalhando em uma usina padrão, que pode converter, de resíduos animais a plantas oleaginosas, em biodiesel. Se conseguirmos distribuir pequenas usinas como essa, daremos aos produtores rurais a condição de produzir seu próprio combustível”, explicou.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.aenoticias.pr.gov.br.
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Controlar a América Latina é fundamental para EUA manterem hegemonia

Para a socióloga Ana Esther Cecenã, região tem importância central na manutenção do poderio estadunidense; estratégia dos EUA tem um braço política-econômico e outro militar

Engana-se quem pensa que George W. Bush, por causa do caos no Iraque, tem se descuidado da América Latina. Para a socióloga mexicana Ana Esther Ceceña, o continente é fundamental para que os Estados Unidos mantenham sua posição de grande potência mundial. “A América Latina é uma fonte abundante e variada de recursos que, em conjunto, garante a reprodução das relações hegemônicas, uma vez que nenhuma outra região do mundo, e muito menos outra potência, conta com uma situação similar”, diz, em entrevista ao Brasil de Fato por correio eletrônico.

Investigadora titular do Instituto de Investigações Econômicas da Universidade Autônoma do México (Unam), a mexicana Ana Esther Ceceña é membro do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), coordenadora do Observatório Latino-americano de Geopolítica e integrante da Campanha pela Desmilitarização das Américas (Cada). Leia, a seguir, sua opinião a respeito da visita do presidente estadunidense ao continente, entre os dias 8 e 14:

Brasil de Fato – O que busca o presidente dos EUA George W. Bush com seu giro pela América Latina?

Ana Esther Ceceña – A América Latina é fundamental para que os EUA consigam manter a posição de invulnerabilidade relativa que lhes permitam seguir atuando como hegemônico. Sua superioridade se assenta na condição de continentalidade que lhes permitem ter uma margem de manobra muito ampla em relação ao resto do mundo. A América Latina é uma fonte abundante e variada de recursos que, em conjunto, garantem a reprodução das relações hegemônicas, uma vez que nenhuma outra região do mundo, e muito menos outra potência, conta com uma situação similar. Dessa forma, para os EUA é indispensável assegurar o controle político, os fluxos comerciais, a permissibilidade para seus investimentos e o livre trânsito pelo continente, onde se encontra a rota comercial de passagem mais importante do mundo: o Canal do Panamá.

BF – Quais são as estratégias atuais dos EUA para manterem sua influência sobre nosso continente?

Ana Esther – A estratégia geral tem dois grandes braços. Um é econômico e tem suas expressão concreta nos tratados de livre comércio (TLCs) binacionais, regionais ou continentais; na generalização de normas referentes ao tratamento dos investimentos estrangeiros, à privatização de recursos estratégicos, ao manejo das políticas monetárias; no impulso a projetos de infra-estrutura como o oleoduto mesoamericano ou a Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que propiciam tanto o saque de recursos como a internação nas áreas centrais da massa territorial continental.

O outro braço é o militar e se desenvolve como capas envolventes, todas elas protetoras das iniciativas econômicas mencionadas, mas cujos propósitos não se restringem ao asseguramento do acesso aos recursos e que também colocaram o enfrentamento da insurgência (de qualquer tipo, inclusive a hipotética) como o outro objetivo prioritário declarado desta estratégia. Estas capas envolventes vão desde:

1) a modificação jurídica que introduz leis antiterroristas nas legislações locais,
2) os exercícios e treinamentos às tropas que auspiciam os recorridos de efetivos estadunidenses pela América Latina, a cumplicidade entre Forças Armadas, o reconhecimento do terreno e a generalização dos códigos de comportamento militar desenhados pelos EUA;
3) o uso dos exércitos na segurança interna e seu envolvimento com as polícias;
4) a instalação de bases militares de diferentes tipos, propósitos e alcances, até o estabelecimento de uma espécie de fronteira virtual nos oceanos circundantes, com o direito de interceptar, deter e até afundar qualquer tipo de embarcação que tente cruzar desde terra para águas internacionais.

BF – Alguns estadunidenses criticam a falta de atenção de Bush com a América Latina. O que você pensa disso?

Ana Esther – Existe uma confusão. Muita gente pensa que desde que Bush embarcou na aventura da Ásia Central, ele descuidou de outras regiões do mundo. É preciso que se saiba que as Forças Armadas dos EUA vêm se capacitando para poder enfrentar cinco conflitos armados simultâneos em cinco regiões do mundo distantes umas das outras (correspondendo aproximadamente aos cinco continentes), e para enfrentar simultaneamente guerras convencionais, simétricas e assimétricas. Ou seja, para além de que sejam capazes de conseguirem um controle do mundo como o que pretendem, o que não parece de nenhum modo possível, eles vêm se empenhando em um desenho estratégico global em que nenhuma parte faz com que se descuidem das outras.

BF – Você acredita que a visita de Bush ao Brasil tem também como objetivo exigir uma posição mais firme do governo brasileiro em relação à influência de Chávez na região?

Ana Esther – Por um lado, atendendo a suas condições regionais, o Brasil é uma subpotência com a qual é necessário marchar com cumplicidade. Ruy Mauro Marini (cientista social brasileiro) já falava dessa situação quando aludia ao subimperialismo brasileiro. O Brasil é o sócio que deveria permitir aos EUA voltarem a incorporar a Venezuela de Chávez e a Bolívia de Evo ao marco geral de relações e margens estabelecidos através dos organismos internacionais que eles controlam.

BF – Bush visitará também o México. Quais são seus interesses no país? O que poderá resultar dessa visita?

Ana Esther – Com o México, há uma fronteira comum de três mil quiômetros, muito conflitiva para ambos países por diferentes razões, e há uma longa história de usurpações (o México perdeu a metade de seu território) e prejuízos. Particularmente, desde o ano 2000, quando se iniciam os governos do PAN (com a eleição de Vicente Fox), os critérios de política exterior e, em especial, os da relação com EUA se modificam e a cumplicidade aumenta no terreno da “segurança nacional”, sob a definição dos EUA.

O México é o elo entre os EUA e a Amérca Latina e, nesse sentido, é um sócio muito útil, que parece disposto ao exercer o papel do “fura-greve”. Mas também México é um abastecedor muito importante de petróleo (o terceiro) e seu papel nesse terreno vem permitindo aos EUA um jogo flexível frente à OPEP em seu conjunto, e frente ao Oriente Médio e Venezuela em separado.

Consolidar o Acordo para a Segurança e Prosperidade da América do Norte (Aspan), que permite estender as fronteiras dos EUA em termos de segurança até a Guatemala, enquanto mantém uma área de amortecimento de conflitos migratórios e sociais em todo o território mexicano, é hoje uma das prioridades da administração Bush, porque isso lhe permite fechar o círculo da bacia do Golfo do México, onde se encontram as maiores jazidas de petróleo da região, e ter controlada a outra passagem comercial interoceânica no istmo de Tehuantepec.

O Aspan parece significar o avanço deste disciplinamento e da ingerência estadunidense rumo ao campo da segurança, do cuidado do território, e dos setores econômicos deixados de lado pelos TLCs. O acordo inclui, nesse nível, a integração energética que não se pôde conseguir com o Tratado de Livre Comércio do Atlântico Norte (Nafta, na sigla em inglês) e a liberdade para transitar com recursos biológicos pela região, ou seja, o tráfico de espécies, de códigos genéticos e de transgênicos Uma vez conseguido no México, isso poderia ser o modelo para toda a América Latina.

Por Igor Ojeda, da redação.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.brasildefato.com.br.
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Chávez quer minar acordo de etanol entre EUA e Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu minar o acordo entre Brasil e EUA sobre etanol, mas negou qualquer conflito com o Brasil. Em um discurso televisionado, Chávez disse que planeja acabar com a proposta de acordo sobre o etanol da mesma maneira com que fez campanha contra um acordo de livre comércio na América. “Nós estamos trabalhando em uma proposta alternativa”, disse Chávez, acrescentando que “da mesma maneira que nós derrotamos a Alca, nós vamos derrotar agora o acordo do etanol.

Os presidentes dos EUA, George W. Bush, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram no mês passado um acordo para promover o uso e produção internacional do etanol. Chávez acusou os EUA de tentarem formar um cartel do etanol para dividir a região e alertou que a produção do combustível irá acabar por destruir o meio ambiente se tentar substituir o consumo norte-americano de gasolina por etanol.

No entanto, o presidente venezuelano negou qualquer conflito com Lula e acusou Washington de tentar criar um confronto na região. “Há uma estratégia para tentar criar uma disputa com o Brasil”, disse Chávez. “Nós nunca iremos lutar contra Lula, nós nunca iremos lutar contra o Brasil”, afirmou, acrescentando que o “inimigo” da Venezuela são os EUA.

Por Agência Estado.

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