Em entrevista na TV, Lula disse que o Brasil quer a Bolívia em paz para que ela cresça
Em entrevista à TV Brasil, na última quarta-feira, o presidente Lula anunciou que o Brasil vai apoiar a Bolívia com a presença da Polícia Federal na fronteira e com a venda de caminhões e ônibus ao Exército boliviano. “O presidente Evo pediu e eu orientei o ministro Tarso a ligar para o ministro da Justiça da Bolívia para tentar estabelecer uma ação conjunta da Polícia Federal na fronteira para evitar trânsito de pessoas, de gente com armas, evitar contrabando, evitar o narcotráfico”, disse Lula, acrescentando ainda que vai ver “se a indústria automobilística brasileira pode produzir, com rapidez, alguns caminhões para a Bolívia”.
As declarações foram feitas na estréia do programa de entrevistas “3 a 1” da Rede Brasil, onde o presidente anunciou o apoio ao governo boliviano e o respaldo à decisão de Evo Morales de expulsar o embaixador americano, Philip Goldberg, por seu envolvimento na tentativa de golpe conduzida por grupos fascistas da Bolívia. “Não é de hoje e é famosa a interferência das embaixadas americanas em vários momentos da história do continente americano. Então, eu acho que houve um incidente diplomático, se o embaixador estava tendo ingerência na política lá, o Evo está correto”, afirmou Lula.
“O papel de embaixador não é fazer política dentro do país. Ele está como representante do seu país, em uma relação de Estado com Estado, ele representa o Estado”, afirmou. “Aqui no Brasil, uma vez, uma embaixadora americana, em um jornal brasileiro, respondeu uma crítica que eu tinha feito ao Bush. Eu mandei o Celso Amorim chamá-la e dizer que não era admissível ela dar palpite sobre a entrevista do presidente da República”, relatou.
Lula ressaltou a importância da decisão tomada na reunião da União Sul-Americana de Nações (Unasul), realizada na segunda-feira no Chile para apoiar Evo Morales. A reunião rechaçou qualquer tentativa de golpe na Bolívia e exigiu respeito ao governo eleito democraticamente e confirmado por quase 70% dos bolivianos, em recente referendo revogatório. “O que nós acertamos com o Evo Morales, e foi uma coisa extremamente importante porque foi a primeira grande decisão da União Sul-Americana de Nações, foi uma decisão, na minha opinião, histórica”, avaliou. “A expectativa é de que o povo boliviano, através de seu governo e de sua oposição, acate as orientações e a gente possa voltar à normalidade na Bolívia” prosseguiu.
Perguntado se esse tipo de ajuda, como a venda de caminhões para o Exército boliviano, não poderia ser encarado como uma interferência do Brasil em assuntos de um país vizinho, Lula disse que não. “Se fosse assim, você não poderia vender nada para ninguém. Nós estamos fazendo uma relação comercial”, disse. “O Evo estava na reunião e depois que eu ouvi alguns discursos de alguns presidentes, quando chegou minha vez de falar, eu falei à presidenta do Chile: ‘Eu, ao invés de falar, eu queria perguntar ao Evo Morales o que ele acha que nós precisamos falar para ajudá-lo, ele é quem tem que dizer’”, completou.
“Ou seja, no fundo, no fundo”, disse Lula, “o Brasil precisa fazer um esforço muito grande porque nós temos mais de 3 mil quilômetros de fronteira com a Bolívia e nós queremos que ela esteja em paz porque em paz ela vai crescer; em guerra não.
A entrevista tratou de diversos outros temas, entre eles o pré-sal. O presidente voltou a afirmar que, depois da descoberta pela Petrobrás da gigantesca reserva de petróleo localizada no fundo do mar, o país deve mudar a legislação que regula a exploração de petróleo desde 1994. Questionado se o governo não deveria manter a lei já que ela “teria tornado a Petrobrás mais competitiva”, Lula defendeu a mudança. “Agora não existem mais os contratos de risco”, argumentou. “Todos os países que descobriram grandes quantidades de petróleo mudaram sua legislação para garantir a propriedade da União sobre essa riqueza”, prosseguiu Lula. Ele disse que o governo deverá fortalecer a Petrobrás e apontou como uma das hipóteses o uso do petróleo para aumentar a participação da União na empresa e também para capitalizá-la.
Outro assunto tratado foi a crise dos EUA. Lula avaliou que o Brasil está em boas condições para enfrentar a crise econômica norte-americana e disse que o fato de estar havendo uma alta taxa de investimentos no país, além do crescimento do mercado interno e do nível de emprego, é a garantia de que o Brasil não sofrerá as conseqüências de uma possível contração dos créditos internacionais. “Estamos tendo todo o cuidado, mas estamos investindo, já temos muitos contratos assinados e estamos crescendo e distribuindo renda”, lembrou. “Além disso”, disse Lula, “temos hoje mais de 200 bilhões de dólares de reserva e esperamos nem precisar usá-la”. Ele defendeu uma política econômica que garanta um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 4 a 6% ao ano por um longo período de tempo. Reafirmou que sua prioridade é o crescimento econômico.
O programa foi apresentado pelo jornalista Luis Carlos Azedo. Também participaram da entrevista a diretora de jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Helena Chagas, e o jornalista convidado Cristiano Romero, do jornal Valor Econômico. Muitas das perguntas foram coletadas nas ruas e feitas por telespectadores de várias capitais brasileiras. Um deles, do Acre, perguntou por que o salário mínimo é tão baixo. Lula concordou que o salário mínimo é baixo, mas lembrou que seu governo já deu um aumento real de mais de 40% e que, mantendo um bom entendimento com o movimento sindical, garantiu aumentos relacionados não só à inflação, mas também ao crescimento do PIB.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.