A nova regra de segurança do Itaú para entrada de pessoas nas agências passa para os bancários a responsabilidade de julgar se um indivíduo é ou não suspeito. O departamento de Segurança do banco está instruindo os vigilantes a não liberarem a porta caso a mesma pessoa fique presa após três tentativas de entrar na agência. Caso isso aconteça, qualquer funcionário, independente da função ou das responsabilidades do cargo, poderá se dirigir à entrada da unidade para determinar se a porta pode ser destravada para a pessoa entrar. Antes, somente quem tinha função de gerência tinha poder para dar esta autorização. Toda vez que a porta é liberada por ordem de um bancário, o vigilante é obrigado a fazer um relatório, que será enviado ao departamento de Segurança, relatando a situação e informando o nome do funcionário que autorizou a entrada da pessoa detida na porta giratória.
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E a sensibilidade da porta está cada vez maior. “Esta aqui pega até quem está carregando mais de quatro moedas”, relatou o vigilante de uma unidade no Centro. A medida foi tomada para evitar que bandidos entrem com armas fabricadas em fibra de carbono, que têm quantidades tão baixas de metal que passam por muitos detectores. E uma nova regra do banco também determina que, para evitar processos por constrangimento, nenhum vigilante pode obrigar clientes e usuários a exibirem o conteúdo de suas bolsas, sacolas e mochilas. Os seguranças são instruídos a pedir que as pessoas deixem no compartimento apropriado chaves, moedas, guarda-chuvas, bijuterias e acessórios, aparelhos eletrônicos como celulares e carregadores, MP3 e MP4 e outros. Após a terceira tentativa, se a porta travar, só um funcionário do banco pode dar a ordem para liberá-la.
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Estas novas orientações retiram dos vigilantes e passam para os bancários a responsabilidade de julgar quem tem “cara de bandido” e que não tem. Quando somente gerentes podiam dar a ordem para liberar pessoas presas na porta giratória, pelo menos o nível de autoridade era próximo da responsabilidade que a liberação da porta acarreta. E, já que o segurança faz um relatório para reportar a autorização para destravar o equipamento, o nome do bancário que liberou a porta fica sempre associado a um eventual assalto na agência. “O Itaú está tratando a segurança bancária com amadorismo”, avalia Adriana Nalesso, dirigente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.
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As novas regras do Itaú surgem num momento em que as discussões sobre Segurança Bancária estão tomando algum corpo nas negociações com a Fenaban. A responsabilização de bancários em situações que envolvem segurança bancária vai na contramão de algumas manifestações de apoio às reivindicações do movimento sindical bancário. Este ano, os banqueiros admitiram incluir o assunto nas negociações da Campanha Salarial e foi criada uma mesa temática. Pela primeira vez, os patrões admitiram discutir neste grupo a proibição do transporte de numerário por bancários.
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Assalto recorrente e reprimenda
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Um assalto ocorrido na agência do Bradesco em Piratininga, em Niterói, no último dia 26, foi a prova de que os bancos não dão importância à segurança. Em julho deste ano, a mesma agência foi assaltada, em circunstâncias muito semelhantes: um bando de cinco homens entrou na unidade no momento em que um dos vigilantes estava fora de seu posto, em horário de almoço. Em julho, o assalto foi por volta das 14h e na última semana, pouco depois das 13h. Quando houve o primeiro roubo, policiais que foram ao local após a ocorrência apontaram a falta de porta giratória e de circuito interno de vídeo, que teriam facilitado a ação dos bandidos. Quando o segundo roubo aconteceu, foi constatado que as falhas não foram sanadas e policiais chegaram a criticar a política de segurança do banco, segundo noticiou o jornal O Fluminense.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosrjes.org.br.