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Por 19:57 Sem categoria

Clientes do sistema financeiro se unem à luta dos trabalhadores bancários por valorização

Chegou a hora de o bancário dizer não, e a população, que quer mais e melhores serviços, deve apoiar a luta dos trabalhadores

São Paulo – A população quer agências com mais funcionários, para ter atendimento melhor e não enfrentar filas tão longas. O pedido foi feito por vários clientes que circulavam pelas ruas do centro velho de São Paulo na quinta-feira, 2 de outubro, a seis dias do início da greve dos bancários. Os cidadãos – que já vêm sendo informados sobre a paralisação – demonstram preocupação com as dificuldades decorrentes da mobilização, fruto do “festival de não” dos banqueiros, que oferecem reajuste salarial de 7,5%, mal repondo a inflação do último ano.

“A greve é válida. Se existe participação nos lucros, quem participa mais, deve receber mais. E sempre quem participa mais nesse processo é quem sua pra vender, não é? Na teoria é, mas infelizmente o que os bancários ganham ou o que trabalhadores de qualquer outra categoria ganham de participação nos lucros é o que representa a distribuição de renda absurda do país”, diz o educador e produtor cultural Adriano Zanetti.

José Lino, dono de uma livraria na Praça do Patriarca, tem a mesma visão que o Sindicato em relação ao tratamento que um trabalhador deve receber de seu patrão. “Aqui na livraria quem extrapola seu horário ganha hora-extra. Vejo muitos funcionários de banco trabalhando muito e muitos banqueiros lucrando bilhões todo ano, isso precisa ser dividido justamente. É preciso mais funcionários nas agências. E como os bancários vão conseguir isso? Só reclamar para o patrão não adianta, tem que fazer greve, não tem outro jeito”, diz o comerciante. “Eu vejo banco quebrar por falcatruas, mas, não vejo banqueiro ficar pobre”, conclui.

Dono de uma banca de revista da Rua 15 de Novembro, Ovídio Casetta é a favor de uma negociação. Quando informado sobre as sete rodadas que já aconteceram e o “festival de não” dos banqueiros, Ovídio diz ser a favor da mobilização desde que o bolso dos banqueiros seja atingido e não apenas a população pague pelas agências fechadas. “Tem que fechar também os locais onde o banco realiza compensação, serviços administrativos. Tem que mexer no bolso deles, é dinheiro demais que eles não querem dividir e agora a população acha que a greve é culpa do bancário”, diz Casetta referindo-se às concentrações das instituições financeiras.

Dinheiro não falta para os banqueiros apresentarem uma proposta melhor de reajuste. Os trabalhadores fizeram várias advertências antes de partir para a greve. O protesto nas concentrações dos bancos (23 de setembro), o Dia de Luta (25 de setembro) e a paralisação de 24 horas realizada na última terça-feira, em São Paulo e outras 22 capitais do país, mostram a força da categoria.

Dicas – Os bancários não têm qualquer interesse em prejudicar a população com sua manifestação. Por isso, o atendimento eletrônico (os caixas eletrônicos) dos bancos continuará funcionando normalmente para reduzir o possível incômodo aos clientes. Uma carta aberta com informações sobre os motivos que levam os trabalhadores a protestar será entregue à população. É preciso ficar atento à data da greve (8 de outubro) e tentar antecipar os pagamentos.

“Os banqueiros que tiveram bons resultados seja em lucro, rentabilidade e ativos se recusam a retribuir aos bancários na mesma proporção que o trabalho empenhado. O mesmo tratamento recebe os clientes que pagam tarifas e spread elevados, mas não têm contrapartidas como atendimento sem filas e mais segurança”, diz o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.

Por Gisele Coutinho – 02/10/2008.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.

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