Fotógrafo foi ameaçado e dirigentes sindicais foram detidos em ato pacífico durante greve no CAT Itaú Porque?
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São Paulo – Se não bastasse os bancários terem que conviver com o artifício jurídico do interdito proibitório, que tenta impedir os trabalhadores de exercer o direito de greve, agora é a liberdade de imprensa e de atuação sindical que correm perigo, com a concordância da Polícia Militar.
Durante a greve dos bancários do CAT Itaú nesta quinta-feira, dia 9, a polícia foi chamada pelo banco, com objetivo de intimidar o Sindicato e os trabalhadores, que realizavam uma manifestação pacífica.
O primeiro ato de desrespeito foi com o profissional que fotografava para a Folha Bancária e registrava a chegada das cinco viaturas, quando um dos policiais, que não tinha identificação na farda, ameaçou o profissional com prisão, caso ele fizesse as imagens. Os policias atuam no 8º batalhão da PM 6ª Cia.
O profissional de imprensa argumentou que só estava registrando a entrega do interdito feito pelo advogado do banco ao tenente responsável pela ocorrência. O policial insistiu e disse que aquilo era proibido e exigiu que o fotógrafo se identificasse, além de pedir para apagar as imagens. Ao ser questionado sobre o impedimento à liberdade de expressão, o soldado disse que os policiais não podem ser expostos e que para qualquer registro deve-se pedir autorização à corporação.
A brutalidade da polícia não parou por aí. Representantes dos trabalhadores dialogavam com os funcionários do Itaú explicando a importância da mobilização para arrancar uma proposta dos banqueiros quando foram detidos pelos policiais sob alegação de descumprirem a liminar do interdito. O diretor do Sindicato Paulo Rogério rebate a acusação e afirma que foi o contrário. “Nós cumprimos a liminar. O que não podíamos aceitar é o advogado do banco e o oficial de justiça assediarem os trabalhadores para que eles furassem a greve”, afirma o dirigente.
O Itaú utilizou o aparelho do Estado de forma inadequada. “Os acontecimentos de hoje no CAT reforçam a importância do lançamento da nossa campanha sobre o interdito que tem como objetivo denunciar para a sociedade a censura que está sendo imposta pelos bancos aos trabalhadores”, afirma o presidente do Sindicato Luiz Cláudio Marcolino.
O Sindicato condena a atitude da polícia e reafirma que tanto o direito de greve quanto a liberdade de expressão precisam ser respeitados.
Fonte: Sitio spbancarios