Dois acontecimentos tingiram de sangue protestos pacíficos de movimentos sociais na tarde desta quinta-feira em frente aos palácios de governo dos estados de São Paulo (Bandeirantes) e Rio Grande do Sul (Piratini).
Ao transformarem a Polícia Militar em guarda pretoriana de seus desgovernos, os tucanos José Serra e Ieda Crusius quase provocaram a morte de pais e mães de família que protestavam contra a intransigência e defendiam o atendimento às ruas reivindicações.
Diante do ocorrido nas capitais paulista e gaúcha, a CUT repudia o “autoritarismo, a falta de diálogo, o desrespeito, a truculência fascista e a irresponsabilidade criminosa desses dois governos tucanos” que, promoveram uma verdadeira guerra contra os manifestantes, com bombas, brucutus, cavalaria, tiros e gás pimenta, deixando vários feridos, inclusive à bala.
De acordo com o secretário geral da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, “o comportamento irresponsável do governador José Serra e do secretário estadual de Segurança Pública por pouco não provocaram mortes”. O movimento une investigadores, delegados, escrivães e peritos da Polícia Civil, que estão em luta por melhores condições de trabalho e salário desde meados do mês passado. “Por um lado, provocaram a categoria dos Policiais Civis em greve ao abandonar a segurança pública, não dar as mínimas condições de trabalho, manter equipamentos defasados, salários arrochados e, pior, não atender solicitações, se negar a negociar e ainda criticar o comportamento de quem tem preocupação com a segurança dos cidadãos”, denunciou Adi.
Conforme relatou o dirigente cutista, os manifestantes se aproximavam do Palácio dos Bandeirantes quando foram surpreendidos pela formação de “cerca de dois mil policiais militares e uma tropa de choque armada até os dentes, que iniciaram uma verdadeira guerra”. Diante da brutalidade da agressão tucana, o GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil, que apenas fazia a segurança dos manifestantes, se somou ao protesto. “Serra não quer diálogo, somente imposição. Eu vi uma guerra civil, o conflito quase gerou mortes na porta do Palácio”, ressaltou Adi.Representantes das seis centrais sindicais acompanharam o protesto e repudiaram a covardia de Serra. Agora, lembrou Adi, “a mobilização vai crescer ainda mais, porque ninguém vai baixar a cabeça para este tipo de comportamento”.
Marcha dos Sem
Em Porto Alegre (RS), a tradicional Marcha dos Sem, manifestação organizada pela CUT e pela CMS – Coordenação dos Movimentos Sociais, também foi alvo da truculência do governo tucano. Segundo Quintino Severo, secretário geral da CUT Nacional, que participou da mobilização na capital gaúcha, “a governadora mais uma vez demonstrou seu desprepara para conviver com a democracia”.
Segundo Quintino, “Yeda transformou o Estado do Rio Grande do Sul em um palco de escândalos de corrupção e de truculência contra os movimentos sociais”. Militantes se concentraram a partir das 14h30 no Parque da Redenção e seguiram em passeata em direção ao Centro Administrativo do Estado – Palácio Piratini, no centro da capital gaúcha.
A 13ª Marcha reuniu cerca de 10 mil pessoas e trouxe como tema “a defesa da dignidade humana” – publicamente desrespeitada pelo governo Yeda, que ordenou a Polícia Militar usar e abusar da violência contra os trabalhadores. A repressão tucana teve início por volta das 16h na esquina da Rua Espírito Santo com a Duque de Caxias em frente à Catedral – Praça da Matriz – quando a PM avançou sobre os participantes da passeata que tentavam ultrapassar a barreira formada pelos soldados que trancavam o acesso do carro de som em direção ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado.
Os militantes estavam a sessenta metros do Palácio e foram impedidos com o uso da violência policial que lançaram bombas de efeito moral e balas de borracha, ferindo de forma covarde cerca de 17 manifestantes feridos, que foram levados ao Hospital do Pronto Socorro (HPS).
Após muita pressão dos movimentos sociais e uma difícil negociação com a Polícia, os militantes conseguiram avançar e finalmente, por volta das 16h30, parar em frente ao Palácio Piratini para o encerramento do ato.
Por Leonardo Severo e Paula Brandão.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.
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Greve paralisa agência Central do Banrisul e banco usa tropa de choque da BM para reprimir
Os bancários foram vítimas da ação truculenta da Brigada Militar na manhã desta quinta-feira, dia 16, durante manifestação que fechou a agência central do Banrisul, na Praça da Alfândega, Centro da Capital. Mais de 200 bancários, reunidos no local num ato de mobilização para para exigir a reabertura das negociações com a direção do banco, foram dispersados com violência pelos policiais. Às custas da violência e com vários bancários feridos, a Brigada conseguiu reabrir a agência.
Os bancários querem ter o direito democrático da greve e de se manifestar livremente para cobrar dos bancos as reivindicações da Campanha Nacional. Só que agora, além da luta pela pauta da categoria, há um componente fora da pauta que preocupa muito a categoria: ter o direito de se manifestar sem a repressão da Brigada Militar.
É inacreditável, mas o Rio Grande do Sul voltou aos anos de chumbo. Assim como acontecia na época da ditadura, coibir manifestações legítimas de trabalhadores é uma das prioridades do comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, que já deixou claro: as barreiras da BM só serão desativadas quando houver uma ação de movimentos sociais. Prova disso é a utilização da violência para coibir o protesto dos bancários, que foi alvo da ação da tropa de choque da Brigada sob o argumento pífio de desobstruir a rua e garantir a ordem pública.
Em vez de perseguir o cidadão, que têm o direito constitucional de se manifestar, o papel da polícia é o de combater a violência e prender os bandidos. Enquanto se preocupa em agir de maneira truculenta para acabar com os movimentos sociais, os criminosos seguem soltos. Somente no setor bancário, foram registrados mais de 110 ataques contra agências e postos espalhados pelo Estado. Perseguição se faz para prender assaltantes. E cadeia é para quem suga o povo.
A greve no Banrisul
Os trabalhadores do Banrisul estão em greve desde o dia 10 de outubro e segue paralisada por tempo intederminado até que a pauta de reivindicações específicas seja negociada
com o banco.
O ato desta quinta-feira também reforça a pressão para que a Fenaban apresente avanços na negociação, que está em pleno andamento em São Paulo. O Comando Nacional dos
Bancários está reunido com os representantes dos bancos desde as 10h desta quinta, 16, por determinação do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
No dia 24 de setembro, a Fenaban apresentou proposta de reajuste de 7,5%, rejeitada pela categoria, que reivindica 13,23% de reajuste, o que inclui a reposição da inflação mais 5% de aumento real.Os bancários também esperam que os bancos apresentem uma proposta satisfatória de PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
A greve está cada vez mais forte e consolidada. Em assembléia realizada nesta quarta-feira, dia 15, bancários do Banrisul decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado. É com a mobilização que os trabalhadores conseguem arrancar que as negociações prossigam. Ao todo, 35 agências da base do SindBancários (Porto Alegre e Região) estão paralisadas, o que mostra a importante adesão dos banrisulenses ao movimento. A pressão é grande para que também haja a retomada das negociações da pauta específicas com os bancos públicos. Nova assembléia ocorre nesta quinta, às 17h, na Casa dos Bancários.
Fonte: Imprensa/SindBancários.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.sindbancarios.org.br.