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Por 19:14 Sem categoria

Não diga bobagem, Fernando Henrique.

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande economista”. Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

A psiquiatria define obsessão como idéias ou imagens que ocorrem repetidamente e parecem estar fora de controle. A compulsão surge, então, para aliviar a angústia que essas idéias e imagens provocam. As últimas críticas de Fernando Henrique Cardoso ao presidente Lula estão inseridas em recorrentes esforços de apagar e reescrever a triste história dos seus dois mandatos sucessivos.

Ao aproveitar um encontro com prefeitos eleitos pelo PSDB paulista para atacar o atual governo, FHC comporta-se como uma pessoa que apresenta duas ou mais personalidades, sendo que a função de uma delas é dissimular seu verdadeiro estado, escondendo-se do mundo exterior, de sua própria realidade. Curiosamente, parece viver somente agora o seu verdadeiro exílio. Aquele que o distancia do que foi – e ainda é – para aproximá-lo do que gostaria de ter sido. No imaginário se reconcilia com a imagem cultivada à sombra das ilusões uspianas e escapa da pequenez política que adquiriu.

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande economista”. O tom jocoso presente em “veste a roupa, rei. Pare de falar bobagem”, resvala para o patético quando afirma que “aqui não é marola, não. Vai perguntar pra quem está perdendo o emprego hoje, que é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não é afetado. Está afetando.”

Provavelmente estamos diante de um lapso. O “conselheiro” do presidente parece ter apagado da memória que, em seu governo, o país se superou em matéria de malversação do dinheiro público, socialização de prejuízos e entrega do patrimônio nacional. Que foram oito anos de securitização de dívidas de latifundiários inadimplentes (o “agrobusiness”) com o Banco do Brasil. Oito anos de crescimento mínimo e endividamento externo máximo.

Esquece também que, como em nenhuma outra, sua gestão promoveu a dependência do país ao capital especulativo, sucateou a Previdência, jogou o país na recessão, e submeteu o destino da nação aos ditames do FMI para conseguir empréstimos de socorro. A nudez presidencial nunca foi tão escandalosa como no período compreendido entre 1994 e 2002.

O tucanato no poder, e é bom que nunca esqueçamos disso, fez das teses monetaristas uma religião. Seu legado foi uma inflação camuflada, desequilíbrios imensos tanto no plano interno quanto no externo. A desnacionalização de partes substantivas da produção e serviços nacionais foi a tônica de uma época que insiste em se apresentar como a “era da estabilidade”.

Aumento do desemprego, congelamento – ou irrisórios reajustes salariais dos servidores públicos – e uma escalada sem precedentes da violência urbana foram algumas das obras marcantes de FHC. Esse mesmo que, em tom professoral, pretende ensinar ao presidente como se comportar em uma crise.

Segundo o economista M. Pochmann, comparando-se os dados do Censo Demográfico de 2000 com os de 1994, encontrava-se um adicional fantástico de sete milhões de novos desempregados gerados durante sete anos. Quantos destes foram ouvidos pelo presidente tucano? Perto da política arrasada do neoliberalismo, o que temos hoje ainda é marola, sim.

Talvez fosse conveniente o ex-presidente ler publicações antigas. Na IstoÉ, de 20 de junho de 2002, o industrial Eugênio Staub, da Gradiente afirmava: “Estamos no sétimo ano de um governo que, em 2002, entregará um país em piores condições do que recebeu. O responsável pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar, somos nós, a elite brasileira”. Segundo Staub, a única saída era “a eleição de um líder que fosse capaz de mobilizar a força transformadora”. Em suma, alguém capaz de consertar os estragos deixados pelo “grande sociólogo”. O ex-presidente que, ao deitar falação, reaviva a memória de quais foram as vestes usadas em seu reinado.

Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Por Gilson Caroni Filho, que é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

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Cala a boca, FHC!

Quem disse: “ A globalização é o novo Renascimento da humanidade.”

Quem disse: “Quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego.”

Quem disse: “Esqueçam o que eu escrevi.”

Quem disse: “Vou virar a página do getulismo.”

Quem disse, no último comício de Alckmin, no segundo turno, com a camisa fora da calça, desesperado: “Lula, você acabou, você morreu.”

Quem disse: “O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal” e entregou o Estado com a dívida pública 11 vezes maior.

Quem disse: “Eu tenho um pé na cozinha” e depois de terminado o mandato, cinicamente acrescentou: “na cozinha francesa”.

Quem quebrou a economia brasileira três vezes e na última, em 1999, subiu a taxa de juros para 49%?

Quem reprimiu e tentou criminalizar os movimentos sociais?

Quem fez a Petrobras mudar de nome para Petrobrax, para tentar privatizá-la. Quem vendeu 1/3 das ações da Petrobras nas bolsas de valores de Nova York e de São Paulo? Quem quebrou o monopólio estatal do petróleo no Brasil?

Quem comprou votos de parlamentares para mudar a Constituição e conseguir um segundo mandato?

Quem aumentou como nunca o trabalho precário no Brasil?

Quem entregou o patrimônio público a preço de banana aos grandes capitais privados nacionais e internacionais, depois de sanear empresas públicas com dinheiro do BNDES e financiar essa transferência com juros subsidiados, no maior caso de corrupção da história brasileira.

Quem disse que os trabalhadores brasileiros são preguiçosos?

Quem disse que o Brasil tem vários milhões de pessoas “inimpregáveis”?

Quem sumiu o Brasil na longa recessão a partir de 1999, que só foi superada no governo Lula?

Quem quase liquidou o Mercosul com suas idéias de livre comércio e de prioridade de comércio com os países do norte?

Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil?

Quem fracassou e teve seu governo largamente rejeitado quando seu candidato foi derrotado em 2002?

Quem não conseguiu nem que o candidato do seu partido defendesse seu governo nas eleições de 2006?

Quem é o político atualmente mais rejeitado pelo povo brasileiro, como tendo sido o presidente dos ricos?

Quem tinha o apoio de 18% dos brasileiros a esta altura do mandato, quando Lula tem 80% de apoio e 8% de rejeição.

Quem disse e fez tudo isso, FHC, deve calar a boca para sempre. O povo o rejeitou, o Brasil o rejeitou, democraticamente.

CALA A BOCA, FHC!

Por Emir Sader.

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