O petroleiro e diretor regional do Dieese fala da importância da entidade para a classe trabalhadora
Entrevista com Júlio Máximo,
Júlio Máximo é formado em economia pela USP, diretor financeiro do Sindipetro NF e integra a sub-seção regional do Dieese no Rio de Janeiro, onde é diretor há um ano.
Qual a importância do Dieese como instituto de pesquisa e ao mesmo tempo como entidade que abre espaços de debates voltados para a classe trabalhadora?
Atualmente não há dúvidas sobre a importância do Dieese como instituto de pesquisa voltado para os trabalhadores, porém, considerando o tempo de existência da entidade, que foi criada em torno de 50 anos, a popularidade ainda não é grande. Apesar de existirem outras categorias filiadas ao Dieese, a entidade popularizou-se através das campanhas salariais dos petroleiros, que sempre se pautaram pelo Diesse, até mesmo antes da existência da FUP. No entanto, a maioria dos trabalhadores não têm conhecimento da importância do Dieese, com exceção dos dirigentes sindicais e demais militantes que também estão envolvidos com a categoria. Diante disso, o Dieese precisa de uma divulgação mais intensa entre os trabalhadores, para que os mesmos tenham mais amparo em suas lutas.
O Dieese desenvolve pesquisas para entidades que não fazem parte do meio sindical?
Sim, atualmente, o Dieese também elabora pesquisas que são importantes para o país, mas que não estão voltadas para a classe trabalhadora. Esta questão é um pouco delicada, pois o Dieese foi criado para subsidiar os trabalhadores, e por conta de problemas financeiros, precisamos recorrer a outros projetos que fogem do verdadeiro propósito da entidade.
Como o Dieese pretende reverter esta situação?
Conseguindo mais filiações de sindicatos. Para isso, precisamos que as imprensas sindicais façam muito mais que citações sobre o Dieese, e que os assuntos relacionados às nossas pesquisas não sejam pautadas somente na época da Campanha Salarial. Com a descoberta do pré-sal, o Dieese tem tido maior aparição nos jornais sindicais, mas ainda é pouco. O ideal é que a entidade seja cada vez mais popularizada.
Os debates realizados pelo Dieese são restritos aos sindicatos filiados ou são abertos à comunidade?
Os debates são semi-abertos, justamente pelo mesmo motivo que já foi explícito – a falta de divulgação. O público que fortalece os debates pertence aos sindicatos, porém, a participação ainda é pequena, somente os diretores comparecem. Então, reforço mais uma vez, a imprensa sindical pode e deve melhorar o trabalho de divulgação, assim como o próprio Dieese também precisa fazer uma cobrança maior quanto a sua inserção nos meios de comunicação sindical.
Você acha que a disponibilização de um profissional especializado no setor petróleo para uma sub-seção do Diesse, dentro da FUP, ajudou a abrir um leque dentro do próprio Dieese em relação a este setor?
Sim, com certeza, esta iniciativa incentivou a especialização de outros profissionais neste assunto. Hoje temos dois técnicos especializados em petróleo e mais um em formação que tem levado o nome e a importância do Diesse para os trabalhadores do setor privado.
Você acha que através da campanha do pré-sal é possível difundir a importância do Diesse e de certa forma aproximar-se dos trabalhadores que ainda não estão familiarizados com a entidade?
Sim. Com a descoberta do pré-sal, muitas são as especulações sobre os possíveis lucros que virão da sua exploração. Hoje, a campanha do pré-sal para a categoria petroleira, tem como plano de fundo as pesquisas do Diesse, o que viabiliza uma visão mais ampla sobre a magnitude desta descoberta, além de exemplificar os benefícios que o pré-sal traz para o nosso país.
Este ano, os trabalhadores da Petrobrás tiveram uma conquista importante que foi a inclusão da alimentação fora de casa no Acordo Coletivo – que é um sub- ítem do ICV pautado somente pelo Diesse. Você acha que este fato abre precedentes para outras categorias também lutarem por este benefício?
Sim. Realmente a categoria petroleira foi a primeira a conseguir este benefício. Para o Diesse, o fato de algumas entidades como a FUP, por exemplo, ter assessores do Diesse, faz com a categoria entenda a importância do respaldo do Diesse em suas Campanhas.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fup.org.br.
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Seminário da FUP debate mudanças na lei do petróleo nesta segunda, 01/12, em São Paulo
A FUP realiza nesta segunda-feira, 01/12, no Hotel Braston, em São Paulo, o seminário Regulação do setor petrolífero brasileiro, um desafio para os trabalhadores. O evento terá participação de dirigentes da Petrobrás, parlamentares, especialistas do setor petróleo e da legislação brasileira, além de sindicalistas, militantes sociais, estudantes e jornalistas que acompanharão os debates. O ator Paulo Betti, que protagonizou as duas campanhas de mídia realizadas pelas FUP contra os leilões de petróleo, será o apresentador do seminário, que terá transmissão ao vivo pela internet, através das páginas da FUP www.fup.org.br e da campanha em defesa do pré-sal www.presal.org.br
Já confirmaram presença no evento o presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli, o jurista Fábio Konder Comparato, o senador Aloizio Mercadante, o engenheiro e professor Ildo Sauer, o ambientalista e jornalista Washington Novaes, o economista e técnico do Dieese Henrique Jäger, o presidente da Petrobrás Biocombustível Alan Kardec e o presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia. Os debates serão mediados pelo coordenador da FUP, João Antônio de Moraes. O seminário integra a campanha nacional desenvolvida pela Federação para debater com a sociedade uma nova lei do petróleo, que tenha como foco o controle estatal e social das reservas do pré-sal.
Programação
8h – Credenciamento
9h – Abertura
9h30 às 12h30 – Painel da manhã – O atual cenário petrolífero brasileiro
Palestrantes: José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás; Henrique Jager, economista do Dieese; Washington Novaes, jornalista e ambientalista; Aloizio Mercadante, senador (PT/SP). Mediador dos debates: João Antônio de Moraes, coordenador da FUP.
12h30 às 14h30 – Intervalo para almoço
14h30 às 17h30 – Painel da tarde – Soberania e aplicabilidade: os royalties e a Lei do Petróleo
Palestrantes: Fábio Konder Comparato, jurista e conselheiro da OAB; Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara dos Deputados (PT/SP); Alan Kardec, presidente da Petrobrás Biocombustível; Ildo Sauer, engenheiro e professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. Mediador dos debates: João Antônio de Moraes, coordenador da FUP.
17h30 – Disposições gerais
18h – Encerramento
Por Imprensa da FUP
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fup.org.br.
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A crise financeira recente: fim de um padrão de funcionamento da economia mundial?
A atual turbulência econômica, cuja origem situa-se na eclosão da crise das hipotecas dos EUA, em agosto de 2007, vem se alastrando rapidamente por todo o setor financeiro da economia norte-americana e do mundo. De janeiro a setembro de 2008, estima-se uma desvalorização de ativos da ordem de mais de US$ 14 trilhões. A estimativa de perdas em 12 meses é de cerca de US$ 27 trilhões, ao mesmo tempo em que os bancos internacionais registram perdas contábeis de mais de US$ 500 bilhões.
A especulação no mercado imobiliário norte-americano já era apontada como estopim para uma crise há muito tempo. Atualmente, os problemas são atribuídos à “crise dos subprime”, isto é, aos empréstimos feitos no mercado de imóveis aos tomadores de mais alto risco (trabalhadores sem contrato efetivo de trabalho ou que não possuem valores para servir como garantia).
Ao adquirir um imóvel, ainda que com longo prazo para pagar, uma pessoa torna-se apta a contrair crédito no mercado financeiro usando a hipoteca da propriedade como garantia. Com a generalização e expansão do crédito imobiliário, o preço dos imóveis teve forte alta, gerando uma espiral de elevação do crédito: quanto maior o valor do imóvel, maior o volume de recursos que pode ser obtido junto ao sistema financeiro. E com o valor dos imóveis subindo, as hipotecas eram renovadas, garantindo aos tomadores, novos créditos.
Esse mecanismo permitiu a expansão do consumo nos EUA, mercado para o qual eram destinados produtos de muitos outros países, resultando, por exemplo, no dinamismo acentuado da economia chinesa, e explicando parte da alta do preço das principais commodities agrícolas e minerais exportadas pelo Brasil.
Os lucros para as instituições que concediam estes créditos mais arriscados eram extraordinários e despertaram interesse de outros agentes financeiros – não apenas dos EUA, mas no mercado internacional – que adquiriram títulos que reuniam papéis deste lucrativo (e arriscado) mercado com outros, com menos riscos. Desde julho do ano passado o cenário mudou. Os papéis ancorados nestas operações e difundidos pelo mundo financeiro global começaram a perder seus valores – entre outros motivos pelo crescimento dos juros e da inadimplência no mercado de imóveis – e encontraram dificuldades para serem negociados. Os antigos lucros transformaram-se em perdas que estão afetando instituições financeiras em todo o mundo.
Com o fim da prosperidade deste mercado, o mundo financeiro entrou em pânico, principalmente diante do potencial de perdas que ainda pode ocorrer. Essa percepção vem derrubando os pilares de um sistema que vigorou por 20 anos – a crença na auto-regulação, na liberalização permanente e progressiva, na capacidade de multiplicação constante da riqueza financeira.
Como a crise ainda está em curso, as projeções de seus impactos sobre as economias são tão especulativas quanto os movimentos financeiros que estão ocorrendo. As expectativas são de redução nas taxas de crescimento de vários países, inclusive com recessão, que já se evidencia nos EUA, Japão e na área do euro.
Esta Nota Técnica é a primeira sobre o conturbado quadro econômico atual, e nela, o DIEESE traça um panorama geral dessa crise global. Uma segunda Nota, prevista para as próximas semanas, será dedicada a análise das possíveis conseqüências da crise para o Brasil.
A íntegra deste texto está disponível para sócios do DIEESE e assinantes das publicações Notas Técnicas e Estudos e Pesquisas.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.dieese.org.br.