Brasília – O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou hoje (13) que o governo estuda adotar medidas para que as empresas que tomarem financiamentos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) dêem contrapartidas sociais, como a manutenção dos empregos. As que não cumprirem essa exigência podem ser vetadas em novos empréstimos.
Ao comentar os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou redução de 0,6% no nível de emprego na indústria em novembro de 2008, o ministro ressaltou a importância de as empresas darem garantias de contrapartidas pela utilização de recursos públicos para investimentos.
“Não pode o governo brasileiro investir bilhões, colocar dinheiro público para ajudar as empresas a saírem de dificuldades e elas continuarem demitindo. Ou essas empresas assumem o compromisso de não demitir ou o governo terá que refazer as linhas de financiamento”, disse Lupi.
O ministro disse que ainda hoje deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a adoção de novas medidas para reduzir os efeitos da crise no mercado de trabalho. “Termos várias sugestões, como a extinção de horas extras, adoções de medidas sociais, isso é fundamental. Já montamos um conselho que vai acompanhar todos os investimentos do FGTS e do FAT para exigir deles a garantia do emprego”.
Segundo o ministro, é preciso ter “muita tranqüilidade para que qualquer atitude governamental vise incentivar e garantir o emprego e o crescimento da economia.”
Lupi afirmou que a queda do número de empregos já era esperada desde outubro. E que a expectativa é de que a redução dos postos de trabalho continue em janeiro e fevereiro e volte a crescer em março.
“Isso já era previsível, desde outubro nós temos alertado que essa questão da crise internacional ia ter uma repercussão maior no Brasil no final do ano. Em dezembro já há uma queda grande normal devido ao fim dos contratos temporários e já prevíamos que ia aumentar. Não temos números fechados, mas deve ser bem maior que o habitualmente é”, antecipou Lupi.
“Teremos janeiro e fevereiro fracos em relação ao emprego e março voltando a ter o fortalecimento da empregabilidade, conseqüentemente pelo fortalecimento da economia”, ponderou.
O ministro acredita que as medidas anunciadas pelo governo para enfrentar a crise devem surtir efeito a partir de março. “As várias decisões que o governo tomou no sentido de diminuir o impacto dessa falta de crédito, com a retirada de alguns impostos, incentivos fiscais para alguns setores, começarão a repercutir em março. Até porque janeiro e fevereiro não são meses de grandes lançamentos da construção civil e é período de férias”.
O ministro cobrou das empresas que agora, no período de crise, não “culpem” o trabalhador por uma responsabilidade que não é deles. “Na hora da bonança, em que os lucros estavam grandiosos para todos, não chamaram os trabalhadores para dividir os lucros. Na hora em que a economia tem algum tipo de crise, a primeira coisa que alguns empresários fazem, de uma maneira completamente insensível e irracional, é demitir”.
Por Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil.
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Economista prega protecionismo para desenvolvimento de países pobres
São Paulo – O economista sul-coreano Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, disse hoje (12) que o protecionismo de países em desenvolvimento é a forma mais eficaz dessas nações ganharem mercado e equilibrarem as forças em instâncias que determinam o rumo da economia global.
Para Ha-Joon Chang, o fechamento das fronteiras para os importados é uma das causas do desenvolvimento de países como Estados Unidos e Inglaterra. Segundo ele, é com o protecionismo que Brasil e outras nações latino-americanas podem se desenvolver de forma sustentável.
Chang participou hoje das primeiras palestras do Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macro-desenvolvimento da Econômico (Laporde, na sigla em inglês), que está sendo realizado na sede da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.
Durante o evento, o economista lançou edição traduzida de seu livro Maus Samaritanos: O mito do livre comércio e a historia secreta do capitalismo..
Na obra, Chang resgata a história do capitalismo mundial e demonstra como países que romperam com a teoria do livre-comércio alcançaram maior êxito econômico. Os países orientais, como o Japão, são alguns dos exemplos citados por ele no livro.
Segundo Chang, em 1958, o Japão resolveu investir na produção de automóveis para exportação. Contudo, na época, os carros japoneses eram reconhecidos no restante do mundo pela sua má qualidade e estética ultrapassada.
Mesmo com as dificuldades para ingressar no mercado internacional, o Japão persistiu investindo na sua indústria e apostou no consumo doméstico. Fechou as portas para os carros estrangeiros e, em 50 anos, tornou-se referência para a indústria automobilística.
“Instituições, como o Banco Mundial, alertaram o governo japonês sobre a quebra da indústria do país. O Japão continuou investindo. Hoje, todo mundo quer produzir um carro como os produzidos no Japão”, disse.
De acordo com o sul-coreano, países que recomendam a abertura do comércio de outras nações o fazem, justamente, por terem condições privilegiadas para competir com a indústria local.
“Os ricos pregam que o desenvolvimento é efeito do mercado. Mas não querem mostrar que o desenvolvimento deles foi causado pelo mercado, pelo protecionismo e pela regulação. São os maus samaritanos”, afirmou Chang.
Por Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil.
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Representante da ONU afirma que falta liderança para solução da crise econômica mundial
São Paulo – Jomo Kwame Sundaram, secretário-assistente para o Desenvolvimento Econômico do Departamento de Economia e Relações Sociais da Organização das Nações Unidas, disse hoje (12) que as causas e as possíveis soluções para a crise econômica global são conhecidas pelos chefes de Estado e autoridades monetárias das nações mais importantes do mundo.
Segundo ele, até agora nenhuma dessas personalidades ou grupo formado por elas tomou a liderança do processo de reestrurução da economia mundial porque ainda falta um líder.
Jomo Kwame Sundaram participou hoje (12) do primeiro dia de debates do Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macro-desenvolvimento da Econômico (Laporde, na sigla em inglês).
O evento, que está sendo realizado na sede da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, faz parte do calendário oficial da Universidade de Cambridge. Nele, economistas de várias partes do mundo, entre ele Jomo K.S., debaterão até sexta-feira (16) a crise econômica mundial.
“Instituições de Bretton Woods [Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, por exemplo], não fizeram nada; OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] também não; o G7, nada até agora. Estamos esperando para ver se alguém do G20 assume essa liderança”, afirmou Jomo em sua palestra, citando o grupo formado pelos 20 países mais ricos do mundo, entre eles o Brasil.
De acordo com ele, o mercado mundial precisa passar por, entre outras coisas, um rearranjo fiscal e monetário, e principalmente por um aperfeiçoamento dos sistemas de regulação. Jomo disse também que estas mudanças têm que ser discutidas entre Estados Unidos, União Européia e países em desenvolvimento, para que novas crises não voltem a ocorrer.
A vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), Celina Martins Ramalho, uma das organizadoras do primeiro Laporde, concorda com Jomo. Assim como ele, Celina Martins considera que a crise era previsível e foi anunciada há um ano pelos problemas nas hipotecas imobiliárias dos EUA. Segundo ela, os países hegemônicos da economia mundial não deram a atenção devida aos fatos.
“Nossa próxima esperança é daqui a oito dias, na Casa Branca”, afirmou Celina Martins Ramalho, deixando claro que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, tem de assumir o protagonismo dos debates anti-crise. “Ao Brasil também cabe que fazer sua lição de casa”, disse.
Por Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil.
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