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A diferença entre a taxa com que um banco capta dinheiro e a taxa com que empresta é alimentada pela TAXA SELIC

Taxa Selic elevada alimenta spread bancário astronômico

Taxa de juro do BC é um guarda-chuva para os bancos sem correr os riscos dos empréstimos

Recentemente, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, interpelou o presidente do Bradesco e da Febraban, depois que este sugeriu que o Comitê de Política Monetária do BC deveria se reunir com mais frequência para que a queda na taxa de juros básica (Selic) fosse acelerada. “Vamos falar seriamente, o problema não é a Selic, é o spread bancário”, disse Meirelles.

O “spread” é a diferença entre a taxa com que um banco capta dinheiro e a taxa com que empresta esse dinheiro. Um dos principais componentes do “spread” é a taxa básica de juros, pela qual são remunerados os títulos públicos comprados pelos bancos. Mas, segundo a percuciente teoria que Meirelles formulou alguns dias depois, “o spread se descolou da Selic”. Ou seja, o “spread” dos bancos nada teria a ver com a taxa de juros do Banco Central.

Se essa tolice fosse verdade, seria um fenômeno econômico tão milagroso que só Nossa Senhora de Fátima poderia explicar. Como Meirelles não tem vocação – nem físico – para a santidade, e como suas tolices, em geral, são muito interessadas, vejamos mais de perto esta questão. Porém, antes, uma preliminar.

CRÉDITO

O volume do crédito no Brasil é atrofiado em relação ao tamanho da economia. No final de 2008, depois da extraordinária expansão do crédito no governo Lula, ele equivalia a 41,3% do PIB. No Japão, equivalia a 180%, na Inglaterra a 160%, na França a 90% do PIB. Aliás, foi o próprio Meirelles quem afirmou que o volume de crédito no Brasil era tão baixo que nem chegava ao das Filipinas, Hungria, Chile, Tailândia, Coréia do Sul ou Malásia (v. sua conferência, de título quase autobiográfico, “Brasil: O desafio do crescimento”).

A razão principal para uma restrição tão grande do crédito são os altíssimos “spreads” bancários. E a base para esses “spreads” é a altíssima taxa básica de juros do Banco Central. Essa taxa, inclusive, impede os bancos públicos de baixar seu “spread”. Voltemos, então, a este.

Segundo dados divulgados pelo BC na última terça-feira, os bancos, em dezembro, estavam pagando uma taxa, em média, de 12,6% ao ano pelo dinheiro que captam. Esse dinheiro estava sendo emprestado a uma taxa – também em média – de 43,2% ao ano. Portanto, a média do “spread” bancário, considerados os empréstimos a pessoas e empresas, estava em 30,6 pontos percentuais.

Se considerados somente os empréstimos a pessoas, esse “spread” estava em 45,1 pontos percentuais, margem verdadeiramente cosmológica, significando que o dinheiro pelo qual os bancos pagavam 12,6% ao ano estava sendo emprestado a uma taxa média de 57,7% ao ano. No caso das empresas, esse dinheiro era emprestado a uma média de 30,9% ao ano. É necessário observar que essas taxas médias são referentes ao que os bancos e seus consultores chamam de “clientes de primeira linha”. Para outros, a maioria, as taxas – e, por consequência, o “spread” – são muito maiores.

Trata-se, provavelmente, do maior “spread” do mundo, inviabilizando que a maior parte das empresas e dos consumidores tomem financiamentos nos bancos.

O problema é: por que o “spread” é tão alto no Brasil?

O economista Victor José Hohl, que trabalhou durante 17 anos no BC, formulou uma resposta sintética para essa pergunta: “O principal motivo é que as instituições financeiras não estão realmente interessadas em emprestar”.

E por que os bancos não estão interessados em emprestar?

Porque a taxa que o Banco Central estabelece para os títulos públicos é elevadíssima. Sem correr riscos, sem emprestar a empresas e pessoas, os bancos têm lucros estratosféricos com a mera compra de títulos públicos indexados às taxas do Banco Central. Os juros que os bancos auferem com esses títulos, juros que são estabelecidos pelo Copom/BC, são suficientes para que tenham entradas bilionárias – sem qualquer espécie de risco.

Evidentemente, isso nada tem a ver com “mercado”. O BC, na verdade, ceva um monopólio bancário com suas altas taxas de juros – e com dinheiro público. Tendo garantidos esses elevados lucros, os bancos estabelecem “spreads” altíssimos quando se trata de emprestar a empresas e pessoas. Se estes não quiserem ou não puderem pagar esses “spreads”, que se danem, pois o banco não precisa emprestar a eles para lucrar.

Nas palavras de outro economista, André Modenesi, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), entrevistado por Luiz Sérgio Guimarães, em sua coluna da última terça-feira no jornal “Valor Econômico”:

“’Não é por acaso que no país onde se pratica uma das maiores taxas básicas de juros do planeta também se verificam spreads bancários exorbitantes’, diz Modenesi. A razão é muito simples: as LFT (Letras Financeiras do Tesouro – títulos indexados à Selic) constituem um ativo especial ao possuir alta liquidez, elevada rentabilidade e risco desprezível. Com isso, diz o economista, os bancos brasileiros não precisam emprestar (….) para gerar resultado; basta comprar LFT. ‘É por isso que os bancos brasileiros são altamente rentáveis apesar de não realizarem a contento sua função primordial: produzir empréstimos’” (grifos nossos).

Victor José Hohl observa que “dificilmente” uma empresa e “muito menos pessoas físicas” conseguem, em seus negócios, um retorno superior (nós diríamos: nem semelhante) às taxas do BC para os títulos públicos. No entanto, os bancos obtêm esse retorno simplesmente comprando Letras Financeiras do Tesouro (LFT) indexadas à taxa Selic do Banco Central. Então, por que baixariam seus “spreads”, se não precisam emprestar a mais ninguém para obter elevadíssimos lucros?

André Modenesi diz que as altas taxas do BC têm outro efeito: “os bancos não precisam competir entre si na concessão de empréstimos para dar lucro”. De forma geral, os bancos privados têm tendência atávica ao monopólio, ou seja, a constituir um cartel. O que eles fazem (ou tentam fazer) é, precisamente, monopolizar o dinheiro da sociedade. Mas, realmente, as altas taxas de juros do Banco Central são um incentivo extra (e extremamente forte) ao monopólio – é suficiente para eles extorquir um só cliente, o Estado. Para lucrar, não precisariam, a rigor, emprestar dinheiro a nem um mais.

TÍTULOS

O que também impede que os bancos públicos possam baixar seus “spreads” até um nível qualitativamente diferente dos bancos privados. Se o fizessem, estariam permitindo que o cartel privado aumentasse seu peso no setor financeiro. A idéia de que, se baixassem substancialmente seus “spreads”, poderiam atrair para si os clientes atuais dos bancos privados, é absurda – até porque a captação de dinheiro pelo cartel bancário é maior do que as dos bancos públicos, que não podem atender todos os que necessitam de financiamento no país. São, portanto, fundamentalmente as taxas de juro do Banco Central que impedem que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outros bancos estatais baixem seus “spreads” e possam competir com os bancos privados para impedir o monopólio do dinheiro e do crédito. Pelo contrário, as taxas do BC fazem com que os bancos públicos tenham de se submeter ao monopólio dos bancos privados, concentrados em torno dos juros extraídos dos títulos públicos.

Por CARLOS LOPES.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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Ata do Copom indica novas reduções da taxa básica de juros

Brasília – Com a redução da taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 12,75% ao ano, decidida na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixou claro que se “inicia um processo de flexibilização da política monetária”, como ressalta a ata da reunião, realizada nos dias 20 e 21 deste mês e divulgada hoje (29) pelo BC.

O Copom considerou que a desaceleração da demanda de consumo reduziu as pressões sobre as condições de oferta, verificadas em boa parte de 2008, e isso deve contribuir de forma importante para desinflacionar a economia. Ainda assim, a ata assegura que “a política monetária deve manter postura cautelosa”, a despeito de haver “margem para um processo de flexibilização”.

O Copom entendeu que a consolidação de condições financeiras restritivas por período prolongado terá efeito contracionista sobre a demanda, com redução da inflação. Portanto, tendo em vista “a ausência de evidências nítidas de repasse da depreciação cambial ocorrida, em ambiente de redução global das pressões inflacionárias”, como informa a ata, cinco dos oito diretores do BC optaram pela redução da Selic em 1 ponto básico.

Os outros três dirigentes com assento no Copom defenderam “redução mais comedida” da taxa básica de juros, de 0,75 ponto percentual, por entenderem que ainda existem “mecanismos de realimentação inflacionária na economia”. Eles acreditavam que uma redução menor “proporcionaria sinalização mais consistente com a tendência prospectiva de convergência da inflação para a trajetória de metas”.

A ata do Copom registrou ainda que “a forte desaceleração da economia global tem gerado pressões baixistas sobre os preços no atacado”. Nesse contexto, acrescenta, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a meta de 4,5% neste ano. Cenário que será reavaliado na próxima reunião do Copom, dias 10 e 11 de março.

Por Stênio Ribeiro – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.inf.br.

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BC divulga Ata da 140ª reunião do Copom
29/1/2009 08:30:00

O Banco Central divulgou a Ata da 140ª reunião do Copom, realizada nos dias 20 e 21/01/2009.

Brasília, 29 de janeiro de 2009

Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa
imprensa@bcb.gov.br
(61) 3414-3462

CONFIRA A ÍNTEGRA:

Data: 20 e 21/01/2009

Local: Sala de reuniões do 8º andar (20/01) e do 20º andar (21/01) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF

Horário de início: 16h55 (20/01) e 16h20 (21/01)
Horário de término: 18h50 (20/01) e 18h40 (21/01)

Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mario Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita

Chefes de Departamento (presentes no dia 20)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 21)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antônio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Ariosto Revoredo de Carvalho – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores

Demais participantes (presentes no dia 20)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Sergio Almeida de Souza Lima – Secretário-Executivo
Valderez Caetano Paes de Almeida – Assessora de Imprensa

Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.

Evolução recente da economia

1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 0,36% em novembro para 0,28% em dezembro. Note-se que, ao contrário dos trimestres anteriores, no último trimestre de 2008 a inflação acumulada (1,09%) foi sensivelmente inferior àquela registrada em igual período de 2007 (1,43%). Com isso, a inflação alcançou 5,90% em 2008 – a maior variação desde 2005 – ante 4,46% em 2007 e 6,39% em doze meses até novembro de 2008. Sob o critério da variação acumulada em doze meses, a aceleração do nível de preços ao consumidor em 2008 refletiu tanto o comportamento dos preços administrados por contrato e monitorados quanto o dos preços livres. Com efeito, os incrementos dos preços livres e dos administrados alcançaram 7,05% e 3,27%, respectivamente, ante 5,73% e 1,65% em 2007. Além disso, note-se que, também em doze meses, tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de itens não comercializáveis mostraram aceleração, variando 6,99% e 7,09%, respectivamente (4,75% e 6,65% em 2007). No caso dos preços de serviços, cuja dinâmica tende a exibir mais persistência do que a dos preços de bens, a inflação acumulada em doze meses recuou de 6,48% em novembro para 6,39% em dezembro (5,19% em dezembro de 2007). Evidências preliminares relativas a janeiro apontam inflação ao consumidor em patamar superior ao observado em dezembro. Considerando-se perspectiva mais ampla, a inflação em doze meses do IPCA entrou em trajetória de elevação desde o segundo trimestre de 2007, atingiu patamares próximos ao limite superior do intervalo de tolerância a partir de junho de 2008 e vem recuando desde outubro (quando atingiu 6,41%) – a variação dos preços livres, sob esse critério de comparação, que passaram a acelerar mais intensamente a partir do segundo trimestre de 2007, começou a arrefecer no terceiro trimestre de 2008. No caso dos itens administrados, cujo comportamento incorpora de forma mais intensa desenvolvimentos inflacionários pretéritos, as taxas em doze meses seguem tendência de elevação. Em síntese, o conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado nos últimos trimestres tende a ser superado, gradativamente, em processo que deve ser liderado pelo comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços administrados deve mostrar maior persistência.

2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central exibiram comportamento distinto nos últimos meses, mas mostraram convergência em dezembro. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio recuou de 0,51% em outubro para 0,36% em novembro e 0,33% em dezembro. Já as medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas com suavização e sem suavização mostraram relativa estabilidade, com taxas de 0,37% e 0,32% em outubro, 0,35% e 0,28% em novembro e 0,33% em dezembro, respectivamente. Assim como no caso da inflação plena, em 2008 as três medidas de núcleo exibiram sensível elevação ante as taxas verificadas em 2007, com deslocamentos de 4,11%, 4,04% e 3,62%, para 6,09%, 4,82% e 4,92%, para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente. Também em consonância com o comportamento da inflação plena, as taxas de variação acumulada em doze meses para as medidas de núcleo parecem ter atingido pontos máximos em setembro (pelo critério de médias aparadas, com ou sem suavização) ou em outubro (por exclusão), recuando posteriormente, ainda que para patamares superiores ao valor central da meta. Cabe notar, adicionalmente, que o índice de difusão do IPCA, que havia mostrado elevação substancial em novembro e continuava apontando para um processo inflacionário relativamente disseminado, recuou em dezembro (de 64,58 para 61,72, ante 61,98 em dezembro de 2007).

3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) se deslocou de 0,07% em novembro para -0,44% em dezembro. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI recuou de 11,20% em novembro para 9,10% em dezembro, ante 7,89% em dezembro de 2007. A aceleração do IGP-DI em 2008 refletiu o comportamento de seus três principais componentes. O Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 6,07% (4,60% em 2007), e o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI) teve incremento de 9,80% (9,44% em 2007). Na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 11,87% (6,15% em 2007). No que se refere ao IPA-DI, a aceleração inflacionária, sob esse critério de comparação, deriva basicamente do comportamento dos preços industriais. A variação do IPA agrícola atingiu 1,64% (24,82% em 2007), e a elevação dos preços industriais no atacado chegou a 12,96% (4,42% em 2007). Note-se que, não obstante os efeitos da depreciação cambial ocorrida desde agosto, tanto os preços agrícolas no atacado quanto os industriais têm registrado deflação na margem. Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.

4. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, recuou 2,1% novembro, após queda de 0,8% no mês anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, após o recuo de 2,8% verificado em outubro, a produção física da indústria decresceu 5,2% em novembro (com três dias úteis a menos do que o mês anterior). Cabe registrar que os severos problemas climáticos observados no Sul do país também influenciaram o desempenho industrial em novembro. Com isso, a produção da indústria geral mostra crescimento de 4,7% no ano até novembro, com 4,6% na indústria de transformação e 6,2% na extrativa. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibiu recuo de 6,2% em novembro, com queda de 4,6% para a indústria extrativa e de 6,3% na de transformação. Informações disponíveis referentes aos últimos meses apontam, em suma, para interrupção do ciclo de expansão da produção industrial no último trimestre de 2008. A atividade industrial vem sendo influenciada pela crise internacional, seja por seus efeitos sobre as condições de crédito, seja sobre as expectativas das empresas e das famílias. Nesse contexto, diversos segmentos industriais têm sido levados a ajustar estoques e a reduzir a produção, destacando-se os setores de transporte, em especial veículos, mineração, siderúrgico e petroquímico.

5. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital recuou 4,0% em novembro. No que se refere às demais categorias, a produção de bens intermediários recuou 3,9%; a de semiduráveis, 0,7%; e a produção de bens de consumo duráveis, fortemente influenciada pelo setor automotivo, teve redução de 20,4%. Em termos de expansão acumulada no ano, o setor de bens de capital lidera, com 16,9%, seguido pelo setor de bens duráveis (7,3%). A perda recente de dinamismo da produção de bens de capital reflete a persistência da turbulência financeira internacional e suas conseqüências sobre a confiança empresarial. Por sua vez, o arrefecimento no ritmo de expansão da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, o aperto nas condições de crédito, a deterioração das expectativas dos consumidores e o processo de redução de estoques acima citado. Tais desenvolvimentos devem continuar a ser evidenciados pelos dados relativos a dezembro.

6. O mercado de trabalho passou a registrar indicadores ambíguos, combinando aspectos favoráveis com expressiva acomodação da geração de empregos formais na margem. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deslocou-se de 7,5% em outubro para 7,6% em novembro, ante 8,3% em novembro de 2007. Com isso, a taxa média de desemprego nos primeiros onze meses do ano foi 1,5 p.p. inferior à observada em igual período de 2007. Na série dessazonalizada, a taxa situou-se em 7,8%, acima dos 7,6% observados em outubro, permanecendo, contudo, em patamar historicamente reduzido. O rendimento médio habitual registrou alta de 11,4% em novembro, comparativamente ao mesmo mês de 2007 (12% em outubro), acumulando alta de 9,9% no ano e de 9,6% em 12 meses. Em novembro, o rendimento médio real habitualmente recebido teve elevação de 0,9% ante outubro (elevação de 4,0% ante novembro de 2007). Nos primeiros onze meses do ano, o rendimento médio real teve alta de 3,4%, e o pessoal ocupado cresceu 3,8%. Em conseqüência, a expansão da massa salarial real atingiu 7,4% (expansão de 6,9% em novembro, ante o mesmo mês de 2007), continuando a constituir fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação recuou 0,6% em novembro, após variação de 0,1% em outubro, o que resultou em crescimento de 0,8% no trimestre terminado em novembro, relativamente ao trimestre anterior, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, o incremento do pessoal empregado atingiu 2,9%, com variação em doze meses alcançando 4,2%. Segundo dados do IBGE, o pessoal ocupado na indústria caiu 0,6% em novembro (após queda de 0,1% em outubro e alta de 0,1% em setembro), na série com ajuste sazonal, acumulando alta de 2,5% em doze meses e de 0,4% comparativamente a novembro de 2007. Ainda sobre emprego, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam substancial perda de dinamismo da geração de vagas no setor formal no final de 2008. Em dezembro, foram fechados 654.946 postos de trabalho (ante saldo negativo de 40.821 em novembro), aproximadamente o dobro da média histórica para o mês. Por outro lado, no acumulado do ano, o saldo de emprego é o terceiro maior da série histórica, tendo atingido 1.452 mil contratações para o período, resultado inferior apenas a 2007 (1.617 mil postos de trabalho) e a 2004 (1.523 mil postos). Dados dessazonalizados mostram redução de 0,2% no nível de emprego formal em dezembro, e dados observados apontam incremento de 6,4% em doze meses. O setor que mais demitiu no mês foi a Indústria de Transformação, ao fechar 273.240 postos (variação dessazonalizada de –1,1%). Logo em seguida, tem-se a Agropecuária e os Serviços, que demitiram 134.487 e 117.128 pessoas, respectivamente. A Construção Civil destruiu outros 82.432 postos (–0,7%). O Comércio demitiu 15.092 trabalhadores (0,2%). No ano, o setor que mais gerou postos de trabalho foi o de Serviços (648.259 postos, ou crescimento de 6%), saldo que representa recorde histórico para o setor. Em seguida vem o Comércio (382.218 postos; 6,7%); a Construção Civil (197.868 postos; 17,4%) – resultado recorde da série; e a Indústria de Transformação (178.675 postos, ou 5,6%).

7. O volume de vendas do comércio varejista ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, teve redução de 3,4% em novembro, após recuo de 8,3% em outubro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve redução de 4,1%, resultando em crescimento de 11% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento do comércio varejista ampliado recuou 3,7% em novembro, comparativamente ao trimestre encerrado em agosto, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,6%); de livros, jornais, revistas e papelaria (1,3%); e hiper, supermercados e produtos alimentícios (0,7%). Os negativos, veículos e motos, partes e peças (-7,0%) e equipamentos e material para escritório (-9,8%), segmentos mais sensíveis às condições de crédito. No ano até novembro, o crescimento acumulado foi maior nos segmentos de equipamentos e material para escritório (33,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (17,8%). Assim como em outubro e novembro, os dados do comércio ampliado para dezembro devem evidenciar os efeitos das restrições à oferta de crédito e da deterioração da confiança dos consumidores sobre as vendas de veículos, já capturados pelas estatísticas da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) para esse mês. Evidências preliminares para janeiro, contudo, indicam certa recuperação nas vendas de veículos, em parte em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo. O sólido desempenho do comércio varejista vinha, em suma, refletindo tanto o comportamento dos segmentos mais sensíveis à expansão da renda e do emprego quanto o daqueles mais sensíveis às condições de crédito. Nos próximos trimestres, a trajetória do comércio varejista continuará sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da massa salarial real, cuja evolução deve ser beneficiada pela redução da inflação, mas será também afetada pela mudança nas condições de acesso ao crédito e pela deterioração da confiança dos consumidores.

8. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 81,3% em novembro, abaixo do patamar observado em outubro, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central. A série dessazonalizada pela própria CNI também mostra redução, tendo atingido 81,6% em novembro, ante 82,6% em outubro. Considerando a série sem ajuste sazonal, em novembro, o Nuci situou-se 2,0 p.p. abaixo do patamar registrado no mesmo mês de 2007. Com isso, a taxa média dos onze meses do ano foi 0,5 p.p. superior à observada em igual período de 2007. Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou de forma expressiva em dezembro, para 80,60%, 6,10 p.p., abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2007. Essa redução da taxa de utilização da capacidade, na comparação interanual, também se verifica na indústria de bens de consumo (-9,5 p.p.), de bens intermediários (-6,0 p.p.), bens de capital (-2,6 p.p.) e de material de construção (-4,9 p.p.). A redução dos indicadores de utilização compilados pela CNI e pela FGV parece resultar de combinação da maturação de projetos de investimento com a acomodação da atividade e sinaliza sensível ampliação da margem de ociosidade da indústria. Por outro lado, dados sobre a absorção de bens de capital mostram quadro de retração na margem, ainda que continuem mostrando expansão, comparativamente aos mesmos períodos de 2007. A absorção de bens de capital apresentou queda de 7,7% em novembro, segundo dados dessazonalizados, e crescimento de 21,8% no acumulado do ano, no que se refere a dados observados. Por sua vez, a produção de insumos para a construção civil recuou 4,6% na margem em novembro, após registrar estabilidade em outubro, crescendo 9,7% no acumulado do ano. Em síntese, as evidências sugerem que ocorre redução das pressões de demanda sobre a capacidade produtiva da indústria. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.

9. A balança comercial continua registrando perda de vigor na margem, tendência já antecipada e que está em consonância com avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em Notas de reuniões anteriores do Copom. O saldo acumulado em 2008 totalizou US$24,7 bilhões (38,2% inferior ao verificado em 2007). Esse resultado adveio de US$197,9 bilhões em exportações e US$173,2 bilhões em importações, com crescimento de 23,2% e de 43,6%, respectivamente, em relação a 2007. A reversão da trajetória de apreciação cambial e a acomodação do ritmo de expansão da demanda doméstica podem contribuir para a recuperação do superávit comercial, mas a queda dos preços de exportações atua na direção oposta. A redução dos superávits comerciais contribuiu para que o saldo em transações correntes registrasse deficit de US$26,3 bilhões em doze meses até novembro de 2008, equivalente a 1,7% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até novembro, a US$37,8 bilhões, equivalentes a 2,4% do PIB.

10. O período desde a reunião anterior do Copom foi marcado pela continuidade do estresse nos mercados financeiros internacionais, com origem nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa, mas cujas repercussões sobre as economias emergentes continuam sendo significativas. O aumento da aversão ao risco, a partir de meados de setembro, após a quebra de importante instituição financeira norte-americana, levou as autoridades nos EUA, na Europa e na Oceania a intervirem de forma inédita em seus sistemas financeiros, utilizando ampla gama de instrumentos, com vistas a assegurar condições mínimas de funcionamento e liquidez nos mercados monetários. A percepção de risco sistêmico, que havia mostrado alguma moderação, voltou a se intensificar nas últimas semanas. A contração da liquidez internacional continuou contribuindo para um processo de desalavancagem por parte de administradores de recursos, o que, por sua vez, vem exercendo influência baixista sobre os preços de ativos. Em ambiente de mais aversão ao risco e de fluxos de capitais mais escassos, a volatilidade das moedas de economias emergentes continua, ainda que sem a tendência generalizada de depreciação ante o dólar americano observada nos meses finais de 2008.

11. No que se refere ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas prevalecem sobre as pressões inflacionárias. A visão dominante continua indicando expansão, ainda que em ritmo bastante modesto, da economia mundial em 2009, mas dados divulgados nas últimas semanas sugerem enfraquecimento intenso e generalizado da atividade nas economias maduras e em diversas economias emergentes. Há evidências de que a debilidade mais pronunciada da atividade econômica na Europa e em partes da Ásia deveu-se, em importante medida, ao choque negativo de termos de troca ocasionado pela elevação dos preços de commodities, que está sendo revertido. Por outro lado, os problemas do sistema financeiro internacional continuam sendo agravados por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, o que tende a reforçar a contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de intensificação da desaceleração. A economia dos EUA em particular está em recessão desde o final de 2007 e continua sofrendo o impacto da crise no setor imobiliário, com efeitos sobre o mercado de trabalho, cujo enfraquecimento, em combinação com o efeito riqueza negativo associado às quedas dos preços de ativos financeiros, tem afetado a confiança dos consumidores, contribuindo de forma importante para deprimir o dispêndio. Além disso, a avaliação predominante é de que a atividade na Europa e no Japão deve continuar apresentando perda de dinamismo nos próximos meses. Nas economias maduras, onde a ancoragem das expectativas de inflação é mais forte, e a atividade econômica vem se enfraquecendo consideravelmente, as pressões inflacionárias têm mostrado redução rápida. Nas economias emergentes, em que os efeitos secundários da elevação dos preços de matérias-primas sobre os preços ao consumidor e as pressões da demanda aquecida sobre a capacidade de expansão da oferta vinham sendo mais intensos, as pressões inflacionárias têm também declinado, embora mostrem, em diversos casos, maior persistência. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que as políticas monetárias adquiriram caráter fortemente expansionista nas economias maduras, nas economias emergentes, que, além dos fatores citados acima, têm sido influenciadas pela tendência de depreciação cambial, a reação tem sido heterogênea, mas com viés dominante também expansionista. Nas economias maduras as autoridades vêm anunciando uma série importante de iniciativas voltadas a sustentar a atividade, mormente por meio de estímulos fiscais, o que poderia contribuir para uma gradual retomada econômica. Por outro lado, as estimativas sobre os custos fiscais dos pacotes de estímulo macroeconômico e de apoio ao setor financeiro vêm se elevando, o que tem suscitado pressões sobre a classificação de risco de diversos créditos soberanos, até mesmo em economias avançadas.

12. Os preços do petróleo continuam altamente voláteis, a despeito de atualmente se encontrarem em patamares próximos àqueles observados por ocasião da última reunião deste Comitê. As cotações nos mercados futuros também têm, em linhas gerais, mostrado volatilidade, sem tendência definida. A incerteza que envolve essas cotações segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, especialmente nas economias emergentes, da resposta da oferta aos estímulos derivados de mudanças de preços relativos ocorridas, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante, a despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2009, permanece plausível, mas, a persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorra redução de preços. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo verificada no segundo semestre de 2008 pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. Note-se, por outro lado, que os preços de commodities agrícolas que tem impacto particularmente importante para a evolução dos custos alimentares, como trigo, soja e milho, registraram elevação substancial desde a última reunião do Copom, reagindo a problemas climáticos em importantes regiões produtoras, bem como ao aparente esgotamento do processo de reposicionamento por parte de investidores não tradicionais nesses mercados.

Avaliação prospectiva das tendências da inflação

13. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) do mesmo modo que na reunião do Copom de dezembro, projeta-se reajuste de 0% no preço da gasolina, bem como no do gás de bujão, para o acumulado de 2009;
b) as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2009, foram mantidas respectivamente em 5,0% e 8,1%, valores considerados na reunião do Copom de dezembro;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2009 se manteve em 5,5%, conforme considerado na reunião de dezembro. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,56% do total do IPCA de dezembro;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2010 se encontra em 4,8%. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 5 p.b. no quarto trimestre de 2009 e de 22 p.b. no último trimestre de 2010. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.

14. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em 2008 e em 2009. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.

15. Desde a última reunião do Copom, houve substancial redução na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2009, que passou de 5,20% para 4,80%. Para 2010, as expectativas de inflação se encontram em 4,50%.

16. Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$2,35 e da taxa Selic em 13,75% ao ano em todo o horizonte, a projeção para a inflação em 2009 recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de dezembro e se situa abaixo do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2009 recuou ligeiramente em relação ao valor considerado na última reunião do Copom, mas ainda permanece ao redor do valor central para a meta de inflação. Para 2010, a projeção de inflação, segundo o cenário de referência, recuou em relação ao valor considerado no “Relatório de Inflação” de dezembro e se encontra sensivelmente abaixo do valor central de 4,50%, e no cenário de mercado, sofreu ligeira elevação e se encontra em torno do valor central de 4,50%.

Implementação da política monetária

17. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados disponíveis referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda, que continuava bastante robusto até o terceiro trimestre de 2008, respondendo, ao menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias, arrefeceu consideravelmente desde então, em parte em reação ao substancial e generalizado desaquecimento da atividade em outras economias, avançadas e emergentes. Por sua vez, o aumento da aversão ao risco e o aperto, inédito nas últimas décadas, das condições de liquidez prevalentes nos mercados internacionais continuam impondo ajuste no balanço de pagamentos. Assim, em linhas gerais, a influência do cenário externo sobre a trajetória prospectiva da inflação brasileira continua sujeita a efeitos, a princípio contraditórios, que podem atuar com intensidade distinta ao longo do tempo, e envolta em considerável incerteza. Por um lado, o desaquecimento econômico tem ocasionado aumento da aversão ao risco, afetando a demanda por ativos brasileiros e ocasionando depreciação de seus preços. Por outro lado, a desaceleração mais generalizada da atividade observada nos últimos meses, que pode persistir nos próximos trimestres, vem ocasionando arrefecimento tanto dos preços de commodities quanto da demanda externa, influenciando negativamente também as condições financeiras locais. Note-se, adicionalmente, que a trajetória dos índices de preços evidencia significativa redução das pressões inflacionárias externas, especialmente nas economias maduras, mas também em algumas emergentes. Dessa forma, o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica parece ser, até o momento, predominantemente benigno. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.

18. O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação diminuiu. Os sinais de acomodação da demanda doméstica e de moderação de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas sobre preços no atacado (que, de resto, vêm mostrando deflação nos últimos meses) para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. Em particular, as expectativas de inflação para 2009 permanecem em patamares superiores à meta, embora tenham recuado substancialmente desde a última reunião do Copom, e continuam sendo monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, segundo indicadores disponíveis, o comportamento da demanda doméstica deve exercer menos pressão sobre os preços dos itens não-transacionáveis, por exemplo, os serviços, nos próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes.

19. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável. Tais considerações ganham ainda mais relevância em momentos cercados por mais incerteza.

20. As perspectivas para a evolução da atividade econômica continuaram se deteriorando desde a última reunião do Copom, ainda que os dados de atividade na indústria venham em parte refletindo processo de redução de estoques, que tende a se esgotar. Note-se particularmente que, diante dos efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas, a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa. Adicionalmente, a intensificação da crise internacional tem exercido influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários. Caso persista tal situação, o dinamismo da atividade passaria a depender crescentemente da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais que devem ocorrer neste ano. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes quando se leva em conta que as decisões correntes de política monetária terão impactos concentrados nos trimestres à frente.

21. O Copom avalia que a perda de dinamismo da demanda doméstica deve ocasionar redução das pressões inflacionárias. Por outro lado, os riscos remanescentes para a dinâmica inflacionária derivam da trajetória dos preços de ativos brasileiros, em meio a um processo de estreitamento das fontes de financiamento externo, e de mecanismos de reajuste de preços que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no ano passado. O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.

22. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, ao encurtamento dos horizontes de planejamento e, consequentemente, à redução do potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, já em 2009, e mantê-la em patamar consistente com a trajetória de metas em 2010. Tal estratégia, que terá seus resultados evidenciados ao longo do tempo, leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.

23. O Copom avalia que, diante dos sinais, evidenciados desde a sua última reunião, de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, no que se refere, por exemplo, aos indicadores de produção industrial (exacerbados por um ciclo de estoques), certos dados disponíveis sobre o mercado de trabalho e as taxas de utilização da capacidade na indústria, bem como sobre confiança de empresários e consumidores, e do recuo das expectativas de inflação para horizontes relevantes, reduziram-se de forma importante os riscos de não concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. A propósito, essa evolução do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a desaceleração da demanda reduziu as pressões, verificadas durante boa parte de 2008, sobre as condições de oferta, o que deve contribuir de forma importante para desinflacionar a economia. Ainda assim, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, a despeito de haver margem para um processo de flexibilização.

24. O Comitê entende que a consolidação de condições financeiras restritivas por período mais prolongado deve exercer efeito contracionista significativo sobre a demanda e, ao longo do tempo, desempenhar pressão desinflacionária importante. Nessas circunstâncias, a maioria dos membros do Copom, tendo em vista o balanço de riscos para a atividade econômica, e, consequentemente, para o cenário inflacionário prospectivo, bem como a ausência de evidências nítidas de repasse da depreciação cambial ocorrida, em ambiente de redução global das pressões inflacionárias, decidiu, neste momento, reduzir a taxa básica de juros em 100 p.b.

25. Outros membros do Comitê avaliam que, diante da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia e das consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos, uma redução mais comedida da taxa básica de juros proporcionaria sinalização mais consistente com a tendência prospectiva de convergência da inflação para a trajetória de metas e corresponderia melhor à velocidade ótima de implementação do processo de flexibilização.

26. Nesse contexto, avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 p.p. Com isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação.

27. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Há sinais de que, depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda. Adicionalmente, cabe registrar que as expectativas inflacionárias para 2009 mostraram recuo substancial desde a última reunião do Comitê. Por outro lado, a forte desaceleração da economia global têm gerado pressões baixistas sobre os preços no atacado, a despeito do ajuste cambial. Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas. Evidentemente, na eventualidade de se verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.

28. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 10 de março de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 17.327, de 27/8/2008.

SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM

Inflação

29. O IPCA variou 0,28% em dezembro, indicando recuo da inflação diante dos resultados do IPCA-15 de dezembro, 0,29%, e do IPCA de novembro, 0,36%. Em 2008, o IPCA acumulou alta de 5,90%, ante 6,39% em doze meses até novembro, e 4,46% em 2007, constituindo-se a maior variação anual registrada desde 2005. O resultado de 2008 refletiu altas de 7,05% nos preços livres e de 3,27% nos preços monitorados, ante 5,73% e 1,65%, respectivamente, em 2007. O grupo alimentação contribuiu com 2,42 p.p. para o índice em 2008, representando 41% da variação do IPCA no ano.

30. Os preços livres registraram desaceleração em dezembro, variando 0,28% ante 0,44% em novembro, como resultado das altas de 0,17% nos preços dos produtos comercializáveis e de 0,36% nos não-comercializáveis, ante 0,60% e 0,29%, respectivamente, em novembro. Os preços monitorados variaram 0,29% ante 0,18% no mês anterior. O índice de difusão situou-se em 61,72% ante 64,58% em novembro, com média de 62,83% em 2008, superando a registrada em 2007, 58,79%.

31. O núcleo por exclusão (de alimentos no domicílio e de preços monitorados) variou 0,33% em dezembro, ante 0,36% em novembro, acumulando alta de 6,09% em doze meses, ante 6,36% no mês anterior. Pelo terceiro mês consecutivo, a variação do núcleo por médias aparadas com suavização declinou, passando de 0,35% em novembro para 0,33% em dezembro e, em doze meses, de 4,90% para 4,82%. Pelo critério de médias aparadas sem suavização, o núcleo alcançou 0,33% em dezembro, ante 0,28% no mês anterior, acumulando 4,92% em doze meses até dezembro, ante 5,05% em novembro.

32. O IGP-DI recuou 0,44% em dezembro, ante a elevação de 0,07% em novembro, acumulando alta de 9,10% em 2008, ante a variação acumulada em doze meses de 11,20% em novembro. O Índice de Preços por Atacado (IPA) apresentou variação negativa de 0,88%, refletindo a quinta queda consecutiva nos preços dos produtos agropecuários, de 1,30%, e recuo de 0,73% nos preços dos produtos industriais. Para os produtos industriais foi o menor percentual desde junho de 2003. Em 2008, o IPA registrou elevação de 9,80%, com aumentos de 12,96% nos produtos industriais e de 1,64% nos produtos agrícolas. Ressalte-se a expressiva desaceleração do IPA consideradas as variações acumuladas em doze meses, concluídos em outubro e em novembro, 14,72% e 12,88%, respectivamente, situação para a qual contribuiu marcadamente o comportamento do IPA-Agrícola. O IPC-Br apresentou suave desaceleração, passando de 0,56% em novembro para 0,52% em dezembro, acumulando alta de 6,07% em 2008. O INCC variou 0,17% em dezembro, ante 0,50% em novembro, e totalizou 11,87% em 2008. O núcleo do IPC-Br variou 0,34% ante 0,45% no mês anterior, acumulando variação de 4,07% em 2008.

33. Por estágios de processamento, em dezembro, o IPA apresentou queda em todos os seus componentes, sendo de 0,36% nos preços dos bens finais, de 1,35% nos bens intermediários, e de 0,74% nos preços das matérias-primas brutas. Em 2008, considerando o IPA por estágios de processamento, registraram-se elevações de 4,19%, 14,83% e 9,23%, respectivamente.

34. A variação do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) aumentou de 0,52% na última semana de dezembro para 0,68% na primeira semana de janeiro de 2009 e 0,69% na segunda.

Atividade econômica

35. Segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas varejistas registrou retração de 3,4% em novembro, em relação ao mês anterior, considerado o conceito ampliado, que incorpora os segmentos de material de construção e veículos e motos, partes e peças, após queda de 8,3% em outubro. Entre os dez segmentos do indicador ampliado, somente três registraram expansão nas vendas, com destaque para os acréscimos de 1,6% em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos e de 1,3% em livros, jornais, revistas e papelaria. Entre os segmentos que assinalaram recuo, destacou-se o declínio de 7% nas vendas de veículos, motos, partes e peças.

36. Considerando-se as comparações entre idênticos períodos de 2008 e 2007, a redução nas vendas atingiu 4,1% em novembro, no conceito ampliado. De janeiro a novembro de 2008, as vendas cresceram 11%, relativamente a igual período precedente, com expansão em todos os setores do comércio, assim como em todas as unidades da Federação, com exceção do Amazonas.

37. Conforme os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), dessazonalizados pelo Banco Central, as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) referentes à capital paulista, registraram retração de 3,2% em dezembro, em relação ao mês anterior, enquanto as consultas direcionadas ao Usecheque apresentaram expansão de 1,4%. Em 2008, esses indicadores registraram alta de 6,4% e de 4,3%, respectivamente, comparativamente a 2007.

38. Em relação aos indicadores de investimento, a produção de bens de capital declinou 4% em novembro, e a de insumos típicos da construção civil, 4,6%, comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Todos os subsetores da produção de bens de capital registraram queda no período, com destaque para bens de capital para a construção, 17,3%, e agrícolas, 11,6%. Em comparação com novembro de 2007, a produção de bens de capital e de insumos típicos da construção civil cresceu, 3,6% e 1,6%, respectivamente. No ano, até novembro, esses indicadores aumentaram 16,9% e 9,7%, na mesma ordem, em relação a igual período de 2007.

39. As importações de bens de capital declinaram 4% em novembro, em relação a outubro, de acordo com os índices de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. O indicador de novembro apontou expansão de 22,3% em relação ao do mesmo mês de 2007, percentual inferior aos registrados para os acumulados do ano até novembro, 37,3%, e em doze meses, 36,9%, sinalizando a expressiva perda de dinamismo.

40. Indicadores da CNI apontaram desaceleração do ritmo da atividade industrial em novembro, com queda de 0,6% no contingente de pessoal empregado, de 2,1% na utilização da capacidade instalada e de 1% nas horas trabalhadas, conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central. O faturamento real dessazonalizado apresentou retração de 4,8% em relação a outubro. Em comparação a iguais períodos de 2007, o faturamento real diminuiu 7% em novembro, com alta de 6,4% nos primeiros onze meses do ano, e o indicador de horas trabalhadas na produção cresceu 1,4% e 5,6%, nas mesmas bases de comparação. O Nuci situou-se em 81,3% em novembro, 1,7 p.p. abaixo do nível de outubro, considerando dados dessazonalizados, e 2,4% inferior ao observado em novembro de 2007.

41. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção da indústria decresceu em novembro, pelo segundo mês consecutivo, intensificando a queda mensal para 5,2%, ante 2,8% em outubro, pela série com ajuste sazonal. O desempenho de novembro representou o maior recuo desde maio de 1995. Como conseqüência, a produção do trimestre terminado em novembro situou-se 2,4% abaixo que a do trimestre concluído em agosto. Considerando dados dessazonalizados, as quatro categorias de uso apresentaram resultado negativo, com destaque para o recuo de 20,4% na produção de bens de consumo duráveis, o maior desde dezembro de 1997. Além do fraco desempenho da produção de automóveis, também contribuíram para a queda as retrações na produção de eletrodomésticos da linha marrom, 17,3%, e da linha branca, 5,1%. A produção de bens de consumo semi e
não-duráveis, cujo consumo é mais dependente da massa de rendimentos, apresentou a menor queda entre as categorias de uso, 0,7%. Bens de capital e bens intermediários apresentaram declínio de 4% e 3,9%, respectivamente, em novembro, na comparação com o mês anterior.

42. Em comparação a novembro de 2007, a produção industrial recuou 6,2%, a maior queda desde dezembro de 2001. Das vinte e seis atividades da indústria de transformação pesquisadas, somente cinco apresentaram variação positiva nessa base de comparação, com destaque para outros equipamentos de transporte, com expansão de 73%, sustentada pela produção de aviões e pela de produtos farmacêuticos, com crescimento de 16,6% no mês. Os segmentos com maiores recuos, nessa base de comparação, foram máquinas de escritório e equipamentos de informática, 29,6%; material eletrônico e equipamentos de comunicação, 20,5%; calçados e couro, 18,8%; mobiliário, 18,7%; e veículos automotores, 18,3%. Por categorias de uso, os segmentos de bens de consumo duráveis, de intermediários e de semi e não-duráveis apresentaram quedas de 22,1%, 7,5% e 2,7%, respectivamente, mantida a base de comparação com novembro de 2007, e os bens de capital registraram expansão de 3,6%.

43. No ano, até novembro, a expansão da produção industrial atingiu 4,7%, com destaque para o aumento da produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis, 16,9% e 7,3%, respectivamente. No mesmo período, o acréscimo na produção de bens intermediários e de bens de consumo semi e não-duráveis alcançou 3,3% e 1,7%, na ordem. A elevação da atividade industrial acumulada em doze meses alcançou 4,8% em novembro, ante 5,9% em outubro e 6,8% em setembro, indicando forte desaceleração na margem.

44. A produção de autoveículos alcançou 102,1 mil unidades em dezembro, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), resultado 53,8% menor que o observado no mesmo mês de 2007. Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, a produção de autoveículos apresentou redução de 34,3% em dezembro, comparativamente a novembro, enquanto a média do último trimestre foi 32,5% inferior à do trimestre terminado em setembro. Em 2008, a produção de autoveículos e de máquinas agrícolas foi ampliada em 8,2% e 30,7%, respectivamente, relativamente a 2007. As vendas de autoveículos no mercado interno declinaram 7,2% em relação a dezembro de 2007 e, no acumulado do ano, aumentaram 13,9%, enquanto as exportações apresentaram retração de 26,1%, na comparação interanual, e 7,7%, no acumulado do ano.

45. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de dezembro indicou a produção de 145,8 milhões de toneladas no ano, 9,5% acima da obtida em 2007, ante 145,7 milhões de toneladas na estimativa de novembro. Para 2009, o terceiro prognóstico para a safra de grãos aponta queda de 5,9% na produção, devendo atingir 137,3 milhões de toneladas. Foram projetada retração de 10,5% e de 1,9% na produção de milho e de soja, respectivamente.

Expectativas e sondagens

46. Segundo a pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo
(Fecomercio SP), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em janeiro registrou retração de 2% em relação a dezembro, refletindo queda de 3,1% no Índice de Expectativas do Consumidor (IEC). O Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) conservou-se praticamente estável. Em relação a janeiro de 2008, o ICC apresentou redução de 12,9%.

47. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado trimestralmente pela CNI, recuou 5% em dezembro, relativamente ao índice registrado em setembro. Entre seus componentes, os índices referentes à expectativa de evolução do desemprego e de inflação apresentaram retração de 18,5% e de 9%, respectivamente. Esses últimos dois índices registraram os menores níveis desde março de 2002 e novembro de 2001, respectivamente.

48. A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV registrou alta de 0,5% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em dezembro, em relação ao mês anterior, favorecida pelo aumento de 6,8% no Índice da Situação Presente (ISP), enquanto o Índice de Expectativas (IE) apresentou retração de 2,8%, atingindo o menor patamar da série iniciada em setembro de 2005. Em relação a dezembro de 2007, o ICC apresentou queda de 19%, o ISP, de 13,9%, e o IE, de 21,9%.

49. Ainda segundo a FGV, a confiança dos empresários da indústria declinou em dezembro, a exemplo do que ocorrera nos três meses precedentes. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu 74,7 pontos no mês, após ajuste sazonal, com queda de 9,2 pontos em relação a novembro e 40,3 pontos inferior ao nível de setembro. O índice atingiu o menor patamar desde outubro de 1998, acentuando expectativa pessimista do empresariado em relação à atividade industrial, já captada na sondagem de novembro. Entre seus componentes, considerado ainda o ajuste sazonal, o Índice de Situação Atual (ISA) registrou 76,1 pontos, 9,2 pontos abaixo do registrado em novembro. O IE apresentou a mesma variação, situando-se no menor nível da série histórica, 73,3 pontos, iniciada em abril de 1995.

50. Conforme a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o Nuci atingiu 80,6% em dezembro, 6,1 p.p. abaixo do indicador de igual mês do ano anterior, e 79,9% pela série dessazonalizada, 4,1 p.p. menor que no mês anterior, quando essas variações haviam registrado queda de 2 p.p. e 1,3 p.p., respectivamente. Salienta-se que o índice dessazonalizado para dezembro situou-se próximo da média histórica dos últimos vinte anos, de 80%. Em dezembro, todas as categorias de uso apresentaram decréscimo dos índices em comparação com igual mês do ano anterior, com apresentação de maior recuo pelos bens de consumo, 9,5 p.p., na comparação interanual. Por gêneros industriais, somente produtos farmacêuticos e veterinários apresentaram expansão do índice, 3,6 p.p., em comparação com igual período do ano anterior. Dentre os setores com retração, destacaram-se material de transporte, 14,4 p.p, metalurgia, 13,6 p.p, e mecânica, 10,5 p.p, para o mesmo tipo de comparação.

Mercado de trabalho

51. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram eliminados 654,9 mil postos de trabalho formais em dezembro, resultado que ratifica a perda de dinamismo do mercado de trabalho, delineada desde outubro. Os dados dessazonalizados mostraram queda mensal de 0,2% no nível de emprego. A indústria de transformação foi o setor com maior número de demissões, 273,2 mil, seguida pela agropecuária e serviços, com fechamento de 134,5 mil e 117,1mil vagas, respectivamente. No acumulado do ano, as contratações atingiram 1.452.204, ante a criação de 1.617.392 empregos em 2007. Ainda assim, o nível de emprego formal apresentou crescimento de 6,4% em 2008. Por setores, o nível de emprego na construção civil registrou o maior crescimento no ano, 17,4%, seguido por comércio, 6,7%, serviços, 6%, e indústria de transformação, 5,6%.

52. Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto atingiu 7,6% da População Economicamente Ativa (PEA), em novembro, retornando ao patamar dos meses de agosto e setembro, após pequeno declínio de 0,1 p.p. em outubro. Em comparação com novembro de 2007, a taxa registrou queda de 0,6 p.p. A despeito da ligeira alta, a taxa de desocupação é a mais baixa para meses de novembro desde o início da nova série da PME, em março de 2002. A relativa estabilidade da taxa de desemprego, entre outubro e novembro, refletiu a saída de 76 mil pessoas do mercado de trabalho e o fechamento de 95 mil postos. Na série dessazonalizada, a taxa situou-se em 7,8% ante 7,6% registrados em outubro. Em relação a novembro do ano anterior, a ocupação cresceu 2,9%, contra média anual, até outubro, de 3,9%. A PEA registrou aumento de 2,1% em relação a novembro de 2007 e de 2,2% no acumulado do ano. Considerando o contingente de pessoal ocupado por posição na ocupação, foi verificada suave retração de 0,2% no emprego com carteira assinada, entre outubro e novembro, o que significa a eliminação de 22 mil postos de trabalho, enquanto o número de trabalhadores sem carteira registrou queda de 38 mil vagas, correspondente ao recuo de 1,3% no total de trabalhadores desse segmento. O número de trabalhadores por conta própria apresentou elevação de 1% no mês. No acumulado do ano, até novembro, os postos de trabalho do setor privado, com carteira, registraram crescimento de 7,9%, enquanto a abertura de postos para trabalhadores sem carteira apresentou expansão de 0,2%.

53. De acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido apresentou aumento mensal de 0,9% em novembro e crescimento de 4% comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, representando o segundo mês seguido de desaceleração nessa base de comparação. A massa salarial real apresentou alta de 0,4% em novembro, ante o mês anterior, e de 6,9% relativamente a novembro de 2007.

Crédito e inadimplência

54. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.209 bilhões em novembro, expandindo-se 2% no mês e 32,8% em doze meses. Esse volume representou 40,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 39,6% em outubro e 33,6% em novembro de 2007. As operações com recursos livres cresceram 1,7% no mês e 34,5% em doze meses. Entre as operações de crédito com recursos livres, com participação de 71,4% no total do sistema financeiro, registre-se o arrefecimento do dinamismo nas operações destinadas a pessoas físicas, tanto no âmbito das modalidades que compõem o crédito referencial para taxa de juros, quanto das operações de arrendamento mercantil, cujo saldo cresceu 98,6% em doze meses, mas apenas 0,1% em novembro. As operações com recursos direcionados registraram expansões de 3% no mês e de 28,6% em doze meses, resultado de aumentos mensais de 4,2% nos financiamentos efetuados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de 3,3% nos repasses e nos financiamentos habitacionais. Considerada a segmentação por atividade econômica, merece destaque o desempenho dos empréstimos à indústria, que registrou elevação de 4,3% no mês e de 41,8% em doze meses.

55. A taxa média de juros ativa, incidente sobre as operações de crédito referenciais, situou-se em 44,1% a.a. em novembro, ante 42,9% a.a. em outubro e 34,7% a.a. em novembro de 2007. A taxa média das operações com pessoas físicas apresentou alta de 3,8 p.p. em novembro, atingindo 58,7%. Nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, a taxa situou-se em 31,2%, com declínio de 0,4 p.p. Em novembro de 2007, tais taxas médias encontravam-se nos patamares de 44,8% e 23,3%, respectivamente.

56. O prazo médio referente ao saldo das operações de crédito referenciais situou-se em 378 dias em novembro, ante 385 dias no mês anterior e 343 dias em novembro de 2007. Nas operações com pessoas jurídicas, o prazo médio atingiu 305 dias, enquanto nas operações realizadas com pessoas físicas, 482 dias, ante 268 dias e 429 dias, respectivamente, em novembro de 2007.

57. A taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,2% em novembro, 0,3 p.p. menor que a registrada no mesmo mês de 2007. Por segmentos, as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas alcançaram, respectivamente, 1,7% e 7,8%, comparadas a 2,2% e 7,1% em novembro de 2007.

58. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, atingiu 3,6% em dezembro, ante taxa negativa de 1,9% no mesmo mês do ano anterior. Em 2008, a taxa média situou-se em 6,5%, ante 5,4% em 2007.

Ambiente externo

59. Desde setembro, o cenário macroeconômico global reflete o aprofundamento da crise. As atuais condições econômico-financeiras têm implicado queda no consumo e deterioração das expectativas empresariais e de consumidores, impactando negativamente a produção, o investimento e o PIB real, delineando a mais grave inflexão econômica desde 1929. A recessão nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha, Itália e Austrália, entre outros; a expressiva diminuição da utilização da capacidade instalada verificada globalmente; e a retração do comércio internacional explicam o aprofundamento do declínio nos preços das commodities, em especial do petróleo. Esse quadro, que contamina progressivamente as economias emergentes, tanto pela queda nas importações dos países desenvolvidos quanto pela crescente dificuldade de financiamento externo, expõe a fragilidade da tese do descolamento e traduz-se em estimativas de contração global do PIB da ordem de 4,1% no
4º trimestre de 2008, ao que se deve somar uma contração de 2,6% no primeiro trimestre de 2009.

60. O colapso das demandas domésticas e seus efeitos sobre o comércio internacional, em meio às restrições de crédito, têm provocado o aumento da taxa de desemprego, que atingiu em dezembro 7,2% nos Estados Unidos. Esse fato, aliado ao aprofundamento da disfuncionalidade nos sistemas financeiros, tem evidenciado a necessidade de políticas fiscais anticíclicas. Nesse sentido, novos pacotes de estímulo fiscal, preferencialmente voltados para gastos em infraestrutura e redução de impostos, foram anunciados nos Estados Unidos, Japão, China, Alemanha, Espanha, França e Reino Unido, entre outros.

61. Diante da extensão da inflexão do processo inflacionário e o enfraquecimento da atividade econômica, inicialmente verificados nas economias desenvolvidas, mas progressivamente presentes nas economias emergentes, verifica-se a distensão contínua das políticas monetárias em termos globais, inclusive na América Latina, onde, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, os bancos centrais da Colômbia, do Chile e do México deram início ao processo de redução das taxas básicas de juros. No Japão e nos Estado Unidos, onde as taxas já estão praticamente zeradas, os bancos centrais alteraram o foco de atuação da política monetária passando a trabalhar sob o cenário de afrouxamento quantitativo (quantitative easing) e consequente ampliação de seus balanços (no Fed, o aumento passou de US$ 900 bilhões em setembro para US$ 2,3 trilhões em meados de dezembro). No Reino Unido, a repo rate, em 1,5%, encontra-se em seu mais baixo valor desde a fundação do Banco, há mais de 300 anos.

Comércio exterior e reservas internacionais

62. O saldo da balança comercial atingiu superávit de US$2,3 bilhões em dezembro, totalizando US$24,7 bilhões no acumulado de 2008. No ano, as exportações atingiram US$197,9 bilhões, e as importações, US$173,2 bilhões, com expansões respectivas de 21,8% e 41,9%, comparativamente a 2007, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio alcançou recorde de US$371,1 bilhões em 2008, o que representa aumento de 30,4% pelas médias diárias, em relação a 2007.

63. Não obstante o saldo favorável em dezembro, as exportações e as importações apresentaram redução em suas médias diárias, em relação a dezembro de 2007, de, respectivamente, 11,7% e 1,2%, sinalizando o arrefecimento da corrente de comércio para 2009.

64. As reservas internacionais, no conceito de liquidez, totalizaram US$206,8 bilhões em dezembro, com elevação de US$429 milhões no mês e de US$26,5 bilhões na comparação com o final de 2007. No conceito caixa, totalizaram US$193,8 bilhões, com declínio de
US$885 milhões em relação a novembro.

Mercado monetário e operações de mercado aberto

65. Após a reunião do Copom de dezembro, a curva de juros futuros apresentou forte declínio em toda a sua extensão. A queda das taxas nesse período foi influenciada, principalmente, pelo recuo dos índices de inflação corrente e das expectativas inflacionárias e pela divulgação de indicadores que evidenciaram redução do ritmo de expansão da atividade econômica, com reflexos negativos para o mercado de trabalho. Também contribuiu para esse movimento, no cenário externo, a decisão do Federal Open Market Committee (FOMC) de adotar, na reunião de 16 de dezembro, uma banda de referência para a taxa dos federal funds, de zero a 0,25%. Entre 8 de dezembro e 19 de janeiro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses cederam, respectivamente, 0,51 p.p., 0,87 p.p. e 1,41 p.p.. As taxas para os prazos de um, dois e três anos recuaram 1,80 p.p., 2,09 p.p. e 2,11 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, caiu de 7,38%, em 8 de dezembro, para 6,25%, em 19 de janeiro.

66. No período de 9 de dezembro a 19 de janeiro, o Banco Central realizou leilões de swap cambial tradicional destinados à rolagem dos vencimentos de 2 de janeiro e 2 de fevereiro. O total dessas operações alcançou o montante equivalente a US$12,1 bilhões.

67. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, no período de 9 de dezembro a 19 de janeiro, operações compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O saldo diário médio do estoque dessas operações alcançou R$45,0 bilhões, dos quais R$30,0 bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, o Banco Central atuou em 32 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo. Realizou, ainda, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$114,3 bilhões. Também foram realizadas operações compromissadas de 28 e de 15 dias úteis em 11 de dezembro, de 24 e de 11 dias úteis em 17 de dezembro, de 14 dias úteis em 2 de janeiro e de 11 dias úteis em 7 de janeiro. Essas operações retiraram do mercado R$163,5 bilhões, R$10,4 bilhões, R$3,6 bilhões, R$2,0 bilhões, R$33,4 bilhões e R$12,4 bilhões, respectivamente. No período considerado, o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo foi de
R$190,8 bilhões.

68. Entre 9 de dezembro e 19 de janeiro, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos leilões tradicionais somaram R$28,8 bilhões. A colocação de títulos de remuneração pré-fixada alcançou R$11,6 bilhões, sendo R$10,9 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2009, 2010 e 2011 e R$0,7 bilhão em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2012, 2013, 2014 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$15,1 bilhões, com a colocação de títulos de vencimento em 2011, 2012 e 2013. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em 2011, 2013, 2014, 2017, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$2,1 bilhões.

69. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN com vencimento em julho e outubro de 2009 conjugada à compra de LTN de vencimento em janeiro e abril de 2009, em um total de R$1,3 bilhão, e leilões de venda de LFT de vencimentos em março e dezembro de 2011 e setembro de 2013 conjugada à compra de LFT de vencimento em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que somaram R$2,0 bilhões. As vendas de NTN-B liquidadas mediante a entrega de outros títulos somaram R$2,2 bilhões e envolveram títulos de vencimento em 2011, 2013, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de compra de LTN e de NTN-B, que alcançaram R$1,0 bilhão e R$0,2 bilhão, respectivamente.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bcb.gov.br.

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