Uma pesquisa divulgada hoje (11) pela Fundação Procon-SP aponta nova queda nos juros bancários em fevereiro, na comparação com o mês anterior. Essa é a segunda redução consecutiva após a sequência de alta constatada no fim de 2008.
De acordo com a entidade, dos dez bancos pesquisados (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco), oito reduziram suas taxas de empréstimo pessoal e sete reduziram suas taxas de cheque especial. Em pontos percentuais as reduções não foram muito expressivas (a maioria dos bancos privados limitou as baixas a 0,08 ponto percentual), no entanto já evidenciam uma tendência do mercado, em resposta a uma maior flexibilização da política monetária.
A mesma avaliação foi feita pelo presidente da FETEC/CUT-SP, Sebastião Geraldo Cardozo, ao analisar a pesquisa. “Ao que tudo indica, a pressão dos trabalhadores sobre o governo federal e deste para com as instituições financeiras começa a surtir efeito. Não exatamente o desejado, mas já é um começo. No mais, esperamos que essa onda de redução das taxas de juros seja uma constate no país. Pois, somente com essa política conseguiremos manter o Brasil no caminho do crescimento econômico e do desenvolvimento social”.
A pesquisa
No empréstimo pessoal a taxa média dos bancos pesquisados foi de 5,89% a.m., inferior à do mês anterior, que foi de 6,01% a.m., significando um decréscimo de 0,12 ponto percentual. No cheque especial a taxa média dos bancos pesquisados foi de 9,18% a.m., inferior à do mês anterior, que foi de 9,25% a.m., significando um decréscimo de 0,07 ponto percentual.
Contudo, a Fundação Procon-SP entende que os cortes promovidos pelas instituições financeiras devem ser analisados com cautela pelos consumidores. Os spreads bancários (diferença entre o que os bancos pagam nas suas captações de recursos e o que cobram dos clientes nos empréstimos) estão em níveis muito altos, fazendo com que o Brasil lidere o ranking mundial da taxa de juros reais.
Com a queda generalizada da renda, o orçamento apertado e a ameaça de desemprego, o consumidor deve evitar dívidas, priorizando a subsistência da família e recorrendo ao crédito somente após uma criteriosa avaliação. Se puder, convém esperar taxas mais convidativas, além de evitar a utilização do Cheque Especial, que tem uma das maiores taxas do mercado.
As quedas verificadas nas taxas de empréstimo pessoal foram:
Banco do Brasil – alterou de 4,99% para 4,60% a.m., o que significa um decréscimo de 0,39 ponto percentual, representando uma variação negativa de 7,82% em relação à taxa de janeiro;
Santander – alterou de 6,69% para 6,36% a.m., o que significa um decréscimo de 0,33 ponto percentual, representando uma variação negativa de 4,93% em relação à taxa de janeiro;
Banco Real – alterou de 7,45% para 7,35% a.m., o que significa um decréscimo de 0,10 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,34% em relação à taxa de janeiro;
Bradesco – alterou de 5,99% para 5,91% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,34% em relação à taxa de janeiro;
Unibanco – alterou de 6,99% para 6,91% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,14% em relação à taxa de janeiro;
Banco Itaú – alterou de 7,09% para 7,01% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,13% em relação à taxa de janeiro;
Caixa Econômica Federal – alterou de 4,44% para 4,39% a.m., o que significa um decréscimo de 0,05 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,13% em relação à taxa de janeiro;
HSBC – alterou de 4,62% para 4,57% a.m., o que significa um decréscimo de 0,05 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,08% em relação à taxa de janeiro. Os demais bancos mantiveram suas taxas de empréstimo pessoal.
As quedas verificadas nas taxas de cheque especial foram:
Caixa Econômica Federal – alterou de 7,49% para 7,35% a.m., o que significa um decréscimo de 0,14 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,87% em relação à taxa de janeiro;
Banco Real – alterou de 9,85% para 9,70% a.m., o que significa um decréscimo de 0,15 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,52% em relação à taxa de janeiro.
Banco do Brasil – alterou de 7,99% para 7,91% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 1,00% em relação à taxa de janeiro;
Bradesco – alterou de 8,64% para 8,56% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,93% em relação à taxa de janeiro;
Banco Itaú – alterou de 8,95% para 8,87% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,89% em relação à taxa de janeiro;
Unibanco – alterou de 8,99% para 8,91% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,89% em relação à taxa de janeiro;
HSBC – alterou de 9,65% para 9,57% a.m., o que significa um decréscimo de 0,08 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,83% em relação à taxa de janeiro. Os demais bancos mantiveram suas taxas de cheque especial.
Michele Amorim, com informações do Procon-SP.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.
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Valor do spread bancário praticado no Brasil preocupa o governo
Brasília – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticou hoje (11) os valores praticados atualmente no spread bancário no Brasil. Segundo ela, a situação do sistema financeiro internacional é muito mais grave do que no Brasil, e aqui o spread é mais caro. O spread é a diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que cobram na concessão do empréstimo.
“Lá fora, o spread é cinco pontos percentuais. Aqui não pode ser 30. A situação deles é muito mais grave do que nós sequer sonhamos, porque os nossos bancos estão inteiros. Temos um sistema financeiro robusto. Além disso, temos bancos públicos também muito robustos”, disse. Segundo ela, o governo federal se preocupa com a questão do spread.
“O governo todo ficou muito preocupado com essa modificação do custo imediatamente. Mas o governo não está parado, tomou todas as providencias possíveis. O governo brasileiro não é mais parte do problema, é parte da solução”, disse, lembrando que o Banco Central está cuidando de perto da questão dos juros básicos.
Dilma também analisou a evolução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ela, antes o PAC era uma “vaquinha magra”, porque não tinha projetos nem licenciamentos. “A vaquinha foi engordando. Conforme o tempo passava, a vaquinha passou a ter projetos, a fazer licitação, começar obras, e ela está engordando, virou uma vaquinha bem gordinha. Está passando para uma vaquinha de raça de primeira linha”, comparou a ministra.
Por Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.inf.br.