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Com economia bem estruturada, Brasil descola da crise mundial

Em meio a enorme onda de incerteza nos mercados mundiais com relação à saúde dos bancos e das economias, o Brasil, comparado a outros países, especialmente os Estados Unidos, mantém um descolamento da crise. A avaliação é de especialistas do mercado financeiro e do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cujo resultado do último documento aponta que o quadro recessivo observado nos países desenvolvidos não está posto para a economia brasileira. “A gente não pode projetar para o primeiro trimestre de 2009 o que aconteceu no trimestre terrível do final de 2008”, afirmou o diretor do Ipea Márcio Wohlers.

Segundo ele, o governo federal tem tomado uma série de medidas que contribuíram e continuarão contribuindo para reduzir os efeitos da crise. Entre elas estão as ações do Banco Central para reduzir a escassez e o encarecimento do crédito doméstico; a redução do IPI para o setor automotivo e a criação de linhas de crédito para carros usados. Há também a continuidade dos investimentos no PAC e o aprofundamento de políticas sociais, como o aumento do salário mínimo e do Bolsa Família, além da ampliação do seguro desemprego.

No ambiente financeiro, a avaliação é que apesar do nervosismo e a derrubada dos preços das ações em praticamente todo o mundo, a bolsa brasileira ainda está bem este ano, e entre mercados emergentes, o Brasil merece um destaque especial. Possui setor bancário bem estruturado e contas externas equilibradas, com menor dependência de investimentos externos.

Descolamento – No mercado de ações, Ronaldo Patah, diretor de renda variável da Unibanco Asset Management, destacou que o Ibovespa acumula alta de 6,11% no ano, enquanto o Dow Jones perde 13,94% e os mercados emergentes em geral recuavam, em média, 8%, segundo o índice do Morgan Stanley para as bolsas da região, o MSCI Emergentes. O índice da bolsa brasileira se sai melhor até que as commodities – que já recuara aproximadamente 11%.

Segundo economistas, boa parte deste descolamento se justifica pela volta dos investidores estrangeiros ao mercado brasileiro. Até dia 12, no mês, o saldo na Bovespa esteve positivo em R$ 1,535 bilhão, o primeiro mês no azul desde maio do ano passado. Isso não elimina, porém, quedas como a do último dia 17 de fevereiro, a maior desde janeiro.

Segundo Patah, muitos investidores estrangeiros estão procurando refúgio na América Latina, o que puxou as bolsas de Brasil, México, Chile e até Argentina. “Os estrangeiros estão buscando empresas exportadoras de commodities, como a Vale e as siderúrgicas, acreditando que o pacote de infraestrutura na China vai beneficiar essas empresas”, disse Patah.

Emergentes – Para o diretor de Pesquisa de Renda Variável do HSBC, Alexandre Gartner, o Brasil merece um destaque especial. Em relatório datado de 6 de fevereiro, o HSBC passou o mercado brasileiro de neutro para acima da média. “No universo de mercados emergentes, o Brasil melhorou”, disse.

Entre as vantagens do País, Gartner destacou o setor bancário brasileiro, bem estruturado, solvente, o que dentro da situação de crise mundial de liquidez é muito importante. Além disso, a situação das contas externas do País está bem equilibrada, com menor dependência de investimentos externos. “A economia ainda fechada e relativamente isolada do resto do mundo permite ao Brasil passar por essa crise em situação melhor que outros países e, quando a situação se reverter, deve sair dela melhor que outras nações”, afirmou.

IPEA – Para o diretor do Ipea, Márcio Wohlers, não há como prever os números do PIB, mas é possível projetar que a economia não tende a entrar em rota recessiva, apesar do quadro de insegurança mundial. “Diante das transferências sociais, do aumento de famílias nos programas Bolsa Família e Fome Zero, do adiantamento [do reajuste] do salário mínimo e das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) os efeitos da crise devem ser reduzidos no País, impedindo a entrada numa rota recessiva”, destacou.

O diretor também anunciou um cenário melhor para a indústria. Para Wohlers o “dezembro dramático” de 2008 não se repetirá em 2009. Segundo ele, um dos indicativos disso é que o volume de vendas e produção de veículos leves cresceu 3,16% neste mês, em relação a dezembro de 2008, embora esteja abaixo de janeiro do ano passado, quando cresceu 7,6%. Ele também apontou o aumento de 1% no consumo de energia elétrica em comparação com dezembro.

Segundo o deputado Maurício Rands (PT-PE),essa percepção de que o Brasil está mais bem posicionado do que países emergentes “é uma percepção mundial e se deve à gestão do atual governo.

Para ele, tanto o documento do Ipea como a avaliação positiva do mercado financeiro representam um conjunto de fatores que se reportam à concepção do governo do PT. “Mesmo antes da crise o governo já tinha consciência de que o Estado tem um grande papel de indução do desenvolvimento e incentivou investimentos maciços em infra-estrutura e o desenvolvimento de escala de consumo de massa, por meio de políticas distributivas e o aumento real do salário mínimo” disse.

Por Equipe Informes com Valor Econômico.

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IPEA: cenário em 2009 deverá ser melhor

No documento “Crise Internacional: reações na América Latina e canais de transmissão no Brasil”, apresentado no último dia 18, em Brasília, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) avalia que a estabilidade dos indicadores para a indústria apurados por várias instituições, como a Fundação Getúlio Vargas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), além da recuperação do índice de confiança do consumidor, sinalizam que não haverá “piora do cenário para o primeiro trimestre do ano”.

Para o diretor do Ipea Márcio Wohlers é esperado um cenário melhor para a indústria.

Segundo ele, o “dezembro dramático” de 2008 não se repetirá em 2009 e um dos indicativos disso é que o volume de vendas e produção de veículos leves cresceu 3,16% em janeiro, em relação a dezembro de 2008, embora esteja abaixo de janeiro do ano passado, quando cresceu 7,6%. Ele também apontou o aumento de 1% no consumo de energia elétrica em comparação com dezembro.

No documento o Ipea acrescenta que “existem alguns sinais de que janeiro de 2009 não foi um mês tão difícil para a produção industrial como foi o mês de dezembro”. Alguns sinais são o crescimento do volume de vendas e produção de veículos leves e o aumento do consumo de energia elétrica em janeiro.

Na avaliação do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), apesar da crise internacional, o Brasil está hoje numa situação em que se encontra um mercado interno robusto, com nível de emprego alto e com rentabilidade crescente, e grandes oportunidades de negócios.

“O Brasil trem hoje um mercado interno forte, com nível de emprego alto e com rentabilidade crescente. Isso garante normalidade para produção e atratividade para o investidor externo. Além disso, há também um aumento do investimento externo, o que sinaliza que investidores estrangeiros consideram que o Brasil é um lugar mais seguro do que outros países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Isso acontece porque o governo vem adotando uma política, nos últimos anos, que visa garantir a estabilidade econômica. O investidor encontra altas reservas internacionais e um sem número de oportunidades de negócios”, afirmou..

Exportações – Outro canal de transmissão da crise analisado pelo Ipea é a redução da demanda mundial e seus impactos sobre as exportações. Segundo o documento, a desvalorização cambial pode ter significado um alívio para vários setores da indústria, que antes estavam “pressionados pela apreciação do Real e/ou pela concorrência chinesa, como têxteis, vestuário, calçados entre outros”, mas existem possíveis impactos negativos na balança comercial brasileira. Entre eles, a oscilação do preço das commodities e a redução da renda e da demanda mundial. Em janeiro deste ano, o volume de exportações caiu 29% em relação a dezembro e 26% em relação a janeiro de 2008. Mas o texto aponta que a primeira semana de fevereiro já mostrou uma pequena recuperação do volume exportado (17%) em relação a janeiro.

Para Carlos Zarattini, com a crise, as exportações sofreram queda principalmente porque outros países diminuíram a atividade econômica, mas é possível retomar o nível médio de vendas externas. Para isso, defendeu, é necessário rever a atual pauta de exportação. “Temos um problema a superar que é nossa pauta de exportação. Temos de exportar mais produtos industrializados e com maior valor agregado. Acredito que tenhamos de fazer um esforço para poder dar esse salto exportador. Exportamos aviões da Embraer, mas, no conjunto, temos muitos produtos básicos. É necessário se concentrar no incentivo às vendas de industrializados”, disse.

Para isso, afirmou, o Brasil deve dar atenção à produção de equipamentos de alta tecnologia, acelerar o plano de defesa nacional – que prevê pesquisa e investimentos em área tecnológicas – e incentivar setores como produção de softwares, por exemplo.

Equipe Informes com Ipea.

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