Brasília – A economista Maria da Conceição Tavares, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), classificou o Banco Central (BC) como “feudo inimigo” e criticou a política monetária adotada pela instituição, que, segundo ela, é baseada em juros altos.
“Ninguém, nenhum país, está mantendo taxas de juros absurdas. O que atrasa é que no Brasil temos duas nações. Uma amiga, que é a Petrobras e um feudo inimigo, que é o Banco Central”, disse hoje (5) a professora no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Maria da Conceição afirmou que o BC atua como um “feudo”, desde o tempo da ditadura, “quando o ministro do Planejamento não mandava no Banco Central. Ele se limitava a não cumprir, como ministro”, as decisões do banco.
Para a economista, as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deveriam ser realizadas com mais freqüência, reduzindo o intervalo atual de 45 dias entre os encontros, em função da crise financeira internacional.
Ela defendeu a redução urgente da taxa básica de juros, a Selic. “Somos vítimas de uma ideologia conservadora de mais de 20 anos, quando tínhamos o problema grave de inflação. Isso não existe mais. Todos, até mesmo os alemães, se espantam com a nossa ortodoxia”, completou.
Como forma de minimizar os efeitos da crise no país, Maria da Conceição defendeu também que o BC obrigue os bancos a expandir o crédito.
“Banqueiro é banqueiro, é uma profissão. Se o BC facilitar, eles agradecem. Se não mandar banqueiro se comportar, ele não vai se comportar. A nossa estabilidade bancária está ótima. Vem a crise, o governo libera os bancos do compulsório, dá mais liquidez, mas os banqueiros sentam em cima do caixa. Mas o governo não está obrigando [a emprestar]. Tem que obrigar”, ressaltou.
Por Luciana Lima – Repórter da Agência Brasil.
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Conceição Tavares vê como vantagem a demora do governo em reagir à crise
Brasília – Apesar de ter servido como desvantagem para o país num primeiro momento, a falta de agilidade do governo diante da crise internacional agora representa uma oportunidade para o Brasil tomar medidas mais agressivas e estimular a economia, enquanto o resto do mundo está sem munição.
A avaliação é da economista Maria da Conceição Tavares, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-professora titular da Universidade de Campinas (Unicamp).
Para Maria da Conceição, o Brasil foi pouco afetado pela crise e está em posição mais confortável que a maioria dos países em meio à deterioração da economia internacional. A economista, no entanto, cobrou mais ousadia das autoridades econômicas.
“A economia está reagindo, mas o Estado está rígido”, disse, em palestra do seminário promovido, em Brasília, pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para analisar a crise. Embora considere tímida a reação do governo nas primeiras semanas após o agravamento da crise, ela disse que essa demora pode ser benéfica para o país.
“Se as autoridades tivessem agido com vigor desde setembro, quando a crise se agravou, agora teríamos pouco espaço para enfrentar a crise”, destacou a economista.
Crítica das políticas econômicas ortodoxas, que pregam que o governo aumente impostos e economize gastos para pagar os juros da dívida pública, Maria da Conceição admitiu que a política de superávit primário dos últimos anos passou a representar uma vantagem em situações de crise.
“Não fosse a política ortodoxa, teríamos crescido mais no passado, mas agora estaríamos mais vulneráveis”, afirmou. Ela, porém, disse ser contrária a qualquer tentativa do governo em economizar mais recursos neste momento.
“Diante do cenário atual, a situação das contas públicas brasileiras está muito boa e não vejo necessidade de elevar ainda mais o esforço fiscal”, concluiu.
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil.
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