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Marcha com sete atos marca o Dia Internacional da Mulher

Cerca de trezentas militantes de movimentos feministas saíram às ruas de Curitiba no último sábado [7] durante a tradicional passeata do Dia Internacional da Mulher. Neste ano a manifestação teve o lema “As mulheres trabalhadoras não vão pagar pela crise”, e teve o objetivo de instigar a reflexão sobre como a crise financeira internacional atinge as mulheres e quais são as alternativas para superar esse momento de turbulência.

Para a secretária sobre a mulher trabalhadora da CUT-PR, Eliana Maria dos Santos, as mulheres são as que mais sofrem com a crise. “Durante nossa mobilização ficou destacado que as mulheres trabalhadoras não aceitam pagar a conta da crise, porque nesses períodos de dificuldades somos as primeiras a serem demitidas. Os cortes nos orçamentos públicos também nos afetam diretamente, pois os serviços como creche, seguridade social, saúde e educação são eminentemente ligados as mulheres e passam por reduções significativas de verbas”, apontou.

A marcha, que saiu da Praça Santos Andrade pela manhã, percorreu ruas do centro da capital paranaense, e terminou com manifestação pela integração latinoamericana e em solidariedade às mulheres palestinas, na Boca Maldita. Porém, esse foi apenas um dos sete atos realizados pelos movimentos feministas [confira cada um deles ao final da matéria]. Um dos principais aconteceu em frente à Catedral de Curitiba e teve o mote ‘Violência contra a mulher, descriminalização do aborto e dos movimentos sociais’. Frases de ordem como ‘tire os seus rosários dos nossos ovários’ e ‘se o Papa fosse mulher, se o Papa fosse mulher, o aborto seria seguro e legal’ foram pronunciadas pelas ativistas. “Nesse momento foi evidenciada a necessidade de uma estado laico e o fim da intervenção da igreja em relação ao direito de decidir sobre a maternidade, como no caso da excomungão da menina pernambucana de nove anos que engravidou de gêmeos após ser estuprada por diversas vezes pelo seu padrasto e realizou aborto. Trata-se de mais um triste episódio de apropriação da igreja e da sociedade sobre o corpo da mulher”, protestou Eliana.

A mobilização foi realizada por diversas entidades de organização das mulheres, como o Coletivo de Mulheres da CUT-PR, a Marcha Mundial de Mulheres, o Fórum Popular de Mulheres do Paraná, a União Brasileira de Mulheres, a Articulação de Mulheres do Brasil, o Setorial de Mulheres do PT, a Federação de Mulheres do Brasil, a Via Campesina, diversos sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras filiados à CUT, entre outras.

:: Confira os sete atos das mulheres e seus locais:

1º Ato: A Crise do Trabalho, em frente ao INSS – Previdência e precarização do trabalho, direitos trabalhistas.

2º Ato: A Crise Financeira ou do Modelo Econômico, em frente ao Ministério da Fazenda – Mudanças no modelo econômico, garantia do trabalho, não às demissões.

3º Ato: A Crise do Modelo de Cidade, em frente à COHAB – Políticas públicas e a relação com o meio-ambiente.

4º Ato: Mulheres por uma Vida sem Violência, em frente à Catedral Basílica na Praça Tiradentes – Violência contra a mulher, descriminalização do aborto e dos movimentos sociais.

5º Ato: Contra a Mercantilização do Corpo das Mulheres, na Rua XV de Novembro em frente à C&A e Diva – Mercantilização do corpo das mulheres.

6º Ato: Por Soberania Alimentar, em frente ao Mac Donald – Por uma vida saudável, por um novo modelo de produção.

7º Ato: Mulheres pela Integração Latinoamericana e em Solidariedade às Mulheres Palestinas, na Boca Maldita – Contra as guerras, pela desmilitarização.

:: Dia 8 de Março – Homenagem da CUT a todas as Trabalhadoras

“Há tanto tempo escutamos dizer homem ao invés de humanidade,
Há muito tempo nos unimos, e o plural é sempre masculino,
Os heróis são sempre homens,
E a história silencia sobre quem fez a comida,
Cuidou dos filhos, da casa, organizou papéis, secretariou reuniões.
Quando ouvimos dizer ‘mulher’ é para falar de nossas belas formas,
Como se nosso trabalho, nosso ser,
Fosse menos importante que nossa beleza.
É tempo de mudar,
de dizer que homem e mulher juntos, somos humanidade.
É tempo de construir humanidade.”

Lira Alli

Prezadas Companheiras Trabalhadoras da Central Única dos Trabalhadores,
Como sabemos, dia 8 de Março é dia Internacional das Mulheres. Esta data histórica de luta em todo mundo é fruto da mobilização de operárias no início do século passado. Sua celebração foi proposta por Clara Zetkin, na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, e a partir de então foi comemorado em diferentes datas. Em 1922, passou então a ser celebrado no dia 8 de março, data em que as operárias russas dão início às mobilizações que culminam com a Revolução de 1917.

Neste dia temos a possibilidade de comemorar nossas conquistas, fazer um balanço de nossas lutas, refletir sobre a ainda persistente discriminação a que somos submetidas e, portanto, atualizar nossa agenda de luta pela igualdade entre homens e mulheres e por um mundo onde todos e todas possam viver com dignidade e plenamente.

Desde a fundação da CUT, principalmente a partir da ação e da organização das mulheres, nossa Central vem reconhecendo como estratégico e fundamental a luta das mulheres trabalhadoras. Exemplo disto é a política que a CUT aprovou para garantir a presença das mulheres em todos os seus espaços aliada a uma ação política que de fato possa alterar a situação de desigualdade entre homens e mulheres. Como continuidade destas ações, teremos dia 17/03 o lançamento nacional da Campanha “Igualdade de Oportunidades: na Vida, no Trabalho e no Movimento Sindical”.

Gostaríamos de cumprimentar todas as trabalhadoras que cotidianamente constroem a história de nossa Central. A contribuição das mulheres no interior da estrutura da CUT é inegável: estão presentes nos mais variados espaços e ocupações. Prestamos aqui nossa homenagem a todas essas guerreiras, na certeza de que mais do que flores ou presentes, o que todas merecem, e que lutamos diariamente para conquistar, é uma sociedade na qual homens e mulheres sejam tratados da mesma maneira e tenham, na prática, os mesmos direitos.

E é neste sentido que reforçamos a importância da participação de todas nos atos que a CUT realizará pelo Brasil, e orientamos a estrutura vertical e horizontal da CUT para que nos Estados nos quais estas manifestações sejam realizadas em dias de semana, as trabalhadoras da CUT tenham a possibilidade de participar dos mesmos.

Saudações CUTistas,

Artur Henrique
Presidente CUT Nacional

Quintino Severo
Secretário Geral CUT Nacional

Rosane Silva
Secretária Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT

Fonte: Imprensa CUT-PR

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